João Zeferino da Costa – A POMPEIANA

Autoria de LuDiasBH

apompei

Este corpo é pérfido como a deslumbrante aparência da urtiga das montanhas a que a população montezinha chama arrebenta-cavalos. (Gonzaga Dutra)

A composição Pompeiana é uma obra do pintor brasileiro João Zeferino da Costa. A palavra “pompeiana”  que dá título à tela significa “habitante de Pompeia”. O quadro foi pintado quando o artista encontrava-se em Roma, na Itália.

A modelo, de frente para o observador, encontra-se de pé sobre um couro de onça, espalhado sobre o ladrilho do ambiente. Seu corpo nu está levemente cingido por uma fita azul, que de seus cabelos desce-lhe pelas costa e cobre quase toda a púbis. Seu braço esquerdo, que se ergue para segurar a fita nos cabelos, faz com que seu corpo incline-se para a direita, enquanto o  direito, dobrado em direção ao ombro, parece bem menor. Suas coxas também são desproporcionais ao tamanho das pernas.

O ar faceiro da mulher dilui qualquer forma de timidez que dela possa advir. Ela usa sandálias vermelhas, trançadas, segundo o modelo romano, até o meio das pernas. Atrás da modelo, ocupando quase todo o móvel de ébano e parte do chão, está o que parece ser uma longa túnica bege-claro com bordados dourados em torno. Sobre essa descansa um espelho oval, com uma moldura de bronze. Uma parede vermelha, com ornamentos etruscos, ao fundo, destaca ainda mais a cor esmaecida da pele da mulher. Uma coluna romana encontra-se à sua esquerda. E à sua frente, no chão, está uma rosa despetalada e outras pequenas flores.

Segundo a crítica da época, o artista esmerou-se no tratamento dado ao cenário, mas foi desleixado com a figura humana, quer nas desproporções do corpo quer na cor. Esta pintura recebeu do crítico Gonzaga Duque, à época, um contundente ataque, a ponto de classificar a figura retratada como “rameira” e “meretriz”.  Isso chega a ser risível para os dias de hoje, em que a pobre “pompeiana” mais se parece com uma mocinha bela, recatada e do lar. Nada como o tempo para mudar os costumes.

Ficha técnica
Ano: 1876
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 219 x 120 cm
Localização: Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, Brasil

Fonte de pesquisa
A arte brasileira em 25 quadros/ Rafael Cardoso

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