QUEM MUITO ABAIXA A BUNDA APARECE
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Autoria de LuDiasBH bunda

Este é um ditado muito comum, conhecido em todo o Brasil, com pequenas variações, como “quem muito abaixa o c. aparece” ou ainda “quem muito abaixa mostra a bunda”. Na verdade, ele se originou de “quem muito se abaixa, oculto padece”. A língua tem essa capacidade fantástica de se modificar, pois ela é viva e, portanto, molda-se ao sabor dos tempos e das culturas.

E por falar em abaixar-se, estupefata fiquei eu, ao saber que certas garotas abrem mão de certa peça interna do vestuário feminino, responsável por cobrir e proteger os “países baixos”, nos bailes funks, apesar do sobe e desce dos requebros e dos microvestidos. É o fim do mundo! – diria minha avó Iblantina Pires, se viva estivesse.

O mais engraçado é que a calcinha é uma peça relativamente nova na indumentária feminina. Apareceu no final do século XIX, na França, usada pelas dançarinas do cabaré Moulin Rouge, com a finalidade de esconder seus pelos pubianos, pois tinham que jogar as pernas nas mais variadas posições, e o melhor mesmo, para não causarem escândalos, era manter os cachos inferiores bem presos. Mas uma “mulher de bem”, criada dentro dos rigores morais da época, jamais se enredaria dentro de uma calçola. É claro que tal peça, à época, nada tinha a ver com a calcinha sexy de hoje. Não passava de um  fraldão.

Ainda existem comunidades no Brasil e no mundo, que não fazem uso dessa indumentária, de modo que as mulheres, assim como os homens, podem fazer seu xixi de pé, mas não resta dúvida de que alguns pingos escorrem-lhes pelas pernas, uma vez que não possuem uma mangueirinha como os machos, para jogarem o jato mais distante.

O mais engraçado é que assistimos hoje, nos bailes funks, um caminho inverso na história das calcinhas, além de tais peças estarem se tornando cada vez mais diminutas. Será o calor do corpo ou da luxúria? A continuar neste ritmo, logo tal indumentária desaparecerá, até que, daqui a uma dezena de anos, ela retorne como um fraldão, num ciclo muito louco.

Mas voltando ao dito popular “quem muito se abaixa a bunda aparece”, ele alude às pessoas que se tornam servis em demasia para agradar outrem, sem nunca expor suas convicções, seus pontos de vista. Acabam perdendo o respeito dos outros por elas e se sujeitando a abusos de todo tipo.

8 comentários sobre “QUEM MUITO ABAIXA A BUNDA APARECE

  1. Edward Chaddad

    LuDias

    Há muitas verdades neste texto.

    Está cada vez mais difícil, principalmente para um setentão como eu, entender as nuanças de nosso novo mundo. Jamais sonhei com um mundo como hoje está se tornando, guardadas as maravilhosas exceções que sobrevivem.

    A falta de limites está nos levando a exposição de todos os nossos sentimentos. Ainda, no caso, penso que não há tanta importância. Mas, quando se trata de bem humano, como a vida, aí temos um quadro dramático e inaceitável, quando pessoas matam outras pelo simples entender que podem tudo, pois não têm limites. Nada os pode deter. Matam porque querem e pelo simples prazer de matar. Como resolver? Sei lá!

    Talvez a resposta possa estar no sentido verdadeiro da expressão. Temos que nos indignar, mesmo que venhamos a não agradar a outras pessoas, por vezes, nossos patrões, de quem dependemos.

    Por vezes, é difícil mesmo, confesso, expor nossas convicções, pois há cérebros humanos tão devastados pelo novo grande amor humano, o consumismo, que poucos podem entender, v. gratia, o exemplo dado pela Duda, lá no seu outro texto, a Compaixão.

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Ed

      O consumismo é a traça da vida moderna.
      Compra-se tudo, exceto o amor que é invendável.

      Ainda hoje, uma amiga é eu estávamos comentando sobre a grande maioria dos brasileiros que viaja para o exterior com uma única preocupação: comprar.
      Não busca conhecer um pouco da cultura do povo visitado, não visita um museu ou qualquer outra fonte de cultura.

      Não podemos, realmente, curvar-nos diante da prepotência.
      Os arrogantes estão aí, aos montões, querendo dominar tudo e todos.
      Como bem diz, a falta de limites é o mal maior de nosso dias, que dá vida a muitos outros.
      Hoje, é possível ver crianças mandando nos pais, desrespeitando as pessoas, como se isso fosse normal.
      E é em casa que se aprende onde ficam os limites.
      Os excessos são um grande mal.
      Nós precisamos encontrar o equilíbrio, tão preconizado por Buda.

      Aonde chegaremos? Também confesso que não sei.

      Abraços,

      Lu

      Responder
        1. Mário Mendonça

          Lu Dias

          Quanto ao baile funk, a falta da calcinha é pela luxuria e pela facilidade do coito na dança. As músicas, muitas vezes, são próprias pra isso.

          Abração

          Mário Mendonça

        2. LuDiasBH Autor do post

          Mário

          Você está certo.
          O “amor”, com minúscula, vem sendo comprado por aí.
          Que o diga o dono da Playboy que, com quase 90 anos tem uma gatinha de 26, se não me engano.

          Abraços,

          Lu

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