Tarsila – OPERÁRIOS

Autoria de LuDiasBHTarsila123456

Até então, a pintora Tarsila do Amaral era dona de uma invejável situação financeira, mas em 1930, com a crise mundial iniciada em 1929, ela se viu numa situação precária. Nessa época, ela vivia com o psiquiatra Osório César. Foi nesse período que conheceu o socialismo e fez uma viagem à União Soviética. Ao regressar, foi presa por um período de um mês, por participar de reuniões de esquerda e por ter feito uma viagem a um país comunista. Para se manter, a artista recebeu encomendas de retratos, fez ilustrações e começou a escrever para jornais.

A ida à União Soviética e o contato com a esquerda despertou na artista, que sempre fizera parte da elite do país, preocupações sociais. Foi nessa época que realizou duas importantes obras: Operários e Segunda Classe. Nessas composições, ela não mais usa os tons exuberantes e alegres de sua Fase Pau-Brasil e nem a densidade da Fase Antropofágica.

Na sua composição Operários, Tarsila usa tons acinzentados, tanto para o rosto como para a paisagem de fundo, onde está visível a fábrica com seus escritórios e suas chaminés, uma delas soltando fumaça.

As cabeças dos operários formam uma pirâmide, que parte da base da tela e vai até a parte superior. É composta pela cabeça de 51 operários, entre homens e mulheres das mais diferentes regiões do país, idades e etnias, alguns filhos da terra e outros imigrantes. Segundo a artista, ela usou fotografias para pintar alguns rostos, enquanto outros foram pintados de memória.

Todos os trabalhadores estão sérios, sem nenhum laivo de alegria, além de aparentarem cansaço. São vistos meramente como números, massificados, numa identidade única. A época condizia com a industrialização brasileira, principalmente em São Paulo. Era o governo de Getúlio Vargas.

Esta pintura é uma das mais estudadas no país, além de ser vista em concursos e vestibulares. Abaixo o comentário do leitor Kevin:

O quadro “Operários”, pintado por Tarsila do Amaral, em 1933, retrata as inúmeras etnias: negros, pardos, brancos, judeus, orientais, índios, europeus, asiáticos e latino americanos, de classes trabalhadoras vindas de várias partes do Brasil e de todo mundo para o trabalho nas indústrias, algo que contribuiu para o desenvolvimento industrial do nosso país. É uma arte genuinamente verde-amarela, um verdadeiro painel de nosso povo, o mesmo povo que veio dos quatro cantos do mundo para o trabalho industrial em nossas fábricas, que começavam a transformar a paisagem brasileira. Um grande marco na obra de Tarsila. “Operários” funciona como ponto de início para falar do surgimento das grandes cidades brasileiras. Ele reflete sobre a disciplina de artes e português, portanto, diversos professores usam essa obra, afim de que os alunos determine qual as expressões faciais de cada trabalhador. A mensagem, porém, não é mais de beleza reluzente. É de miséria e dor. Cada um deles exibe, de modo marcante, a sua própria fisionomia. Algumas delas, a artista constrói, inclusive, com base nos traços de pessoas conhecidas. Há força em cada uma dessas expressões que fitam, de frente e corajosamente, o espectador.

Ficha técnica
Ano: 1933
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 150 x 205 cm
Localização: Acervo dos Palácios do Governo do Estado de São Paulo, Brasil

Fonte de pesquisa
Tarsila do Amaral/ Coleção Folha

5 comentários sobre “Tarsila – OPERÁRIOS

  1. Kevin

    O quadro “Operários”, pintado por Tarsila do Amaral, em 1933, retrata as inúmeras etnias: negros, pardos, brancos, judeus, orientais, índios, europeus, asiáticos e latino americanos, de classes trabalhadoras vindas do Brasil e de todo mundo para o trabalho nas indústrias, algo que contribuiu para o desenvolvimento industrial do nosso país. É uma arte genuinamente verde-amarela, um verdadeiro painel de nosso povo, o mesmo povo que veio dos quatro cantos do mundo para o trabalho industrial em nossas fábricas, que começavam a transformar a paisagem brasileira. Um grande marco na obra de Tarsila. “Operários” funciona como ponto de início para falar do surgimento das grandes cidades brasileiras. Ele reflete sobre a disciplina de artes e português, portanto, diversos professores usam essa obra, afim de que os alunos determine qual as expressões faciais de cada trabalhador. A mensagem, porém, não é mais de beleza reluzente. É de miséria e dor. Cada um deles exibe, de modo marcante, a sua própria fisionomia. Algumas delas, a artista constrói, inclusive, com base nos traços de pessoas conhecidas. Há força em cada uma dessas expressões que fitam, de frente e corajosamente, o espectador. Essa foi uma redaçao que fiz sobre esta obra, tirem suas conclusões!

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Kevin

      É um prazer receber sua visita e comentário!

      Todo obra de arte é de certa forma aberta de modo a despertar nas pessoas emoções diferentes. A pesquisa leva-nos à compreensão daquilo que o artista quis repassar, de acordo com sua época e com o momento vivido por ele, durante a execução de sua obra. Contudo, isso não significa que o observador não possa encontrar novos caminhos, novos dizeres e pareceres. Portanto, não há uma questão fechada sobre esta pintura de Tarsila do Amaral, que também reflete nossas emoções e anseios.

      Amigo, esta tem sido uma das obras mais estudadas na arte brasileira. Está sempre presente nas mais diferentes disciplinas (Português, Artes, História, Sociologia, etc). E, juntamente com “Antropofagia” e “Morro da Favela”, encontra-se entre as mais buscadas neste site. Parabéns pela sua redação. Agreguei seu comentário ao texto. Se houver problemas, avise-me.

      Abraços,

      Lu

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