Velázquez – A RENDIÇÃO DE BREDA

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Autoria de LuDiasBH

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O valor do vencido faz a glória do vencedor. (Peça de teatro de Calderón de la Barca, sobre o cerco de Breda)

A composição A Rendição de Breda, também conhecida por As Lanças, obra do pintor espanhol Diego Velázquez, encontra-se entre as pinturas mais célebres e originais, que têm por tema a guerra, sendo também a mais humana da história da arte. Foi uma obra muito trabalhosa para o pintor, como mostram seus estágios revelados por raio X, com muitas mudanças de posição de seus elementos (cavalo, grupo central, lanças, etc.). Foi encomendada pelo rei Felipe IV, em 1630, quando pediu a artistas diferentes, que pintassem 12 quadros, tendo como tema as vitórias militares acontecidas em seu reinado, sendo este de Velázquez um deles.

Para a compreensão da obra é preciso um pouco de conhecimento de História. A cidade de Breda, situada no Brabante do Norte, nos Países Baixos, sofreu um cerco de quase um ano por parte da católica armada espanhola, liderada pelo comandante genovês Ambrogio Spínola. Em lado oposto estavam os protestantes holandeses, sob a liderança de Justin van Nassau-Orange, revoltados com a dominação espanhola. Ao se render, o comandante holandês entregou as chaves ao comandante Spínola. Quando Velázquez fez esta composição, o fato narrado acima havia acontecido cerca de 10 anos antes. O artista escolheu para pintar uma cena que mostrava a conclusão do cerco. Sendo este o único quadro conhecido do pintor, que tem, como tema, um fato histórico.

A cena acontece num dia ensolarado. Em primeiro plano, à esquerda, encontram-se os soldados holandeses, derrotados, com as armas e as bandeiras de cor alaranjada, abaixadas, como reconhecimento da vitória do inimigo. Contudo, é possível ver dignidade no grupo, como demonstra o soldado de verde, que olha para o observador. Também não há retórica ou orgulho por parte dos vencedores espanhois. Entre os dois líderes que se cumprimentam é possível ver a retirada de soldados holandeses, em cor azul bem clarinho. Ao fundo, em meio à paisagem, sobressaem focos de incêndio, pessoas e animais, em meio a um ambiente de desolação, debaixo de um céu azul-acinzentado.

No centro do quadro, estão as duas figuras mais importantes do embate e da composição: Nassau e Spínola. Amistosamente um se aproxima do outro, detendo o vencedor a mão no ombro do vencido, enquanto esse lhe entrega a chave da cidade. Ao fundo, ainda é possível ver a fumaça que se ergue da cidade vencida, que se transformara num campo de batalha, mas que agora encontra-se no distante horizonte. À direita, estão os soldados e oficiais espanhóis, segurando uma grande bandeira e cerca de três dezenas de lanças erguidas para cima.

Excelente retratista que era, Velázquez compõe em sua obra oito retratos, sendo dois no lado holandês e dois no espanhol. Dentre estes, três rostos são reconhecíveis: o de Nassau, o de Spínola e um na extrema direita, que se trata de um autorretrato do pintor com um grande chapéu, à direita do cavalo. As figuras humanas na obra, portanto, não são de personagens reais da história, excetuando os dois generais.

Segundo contam, Spínola não permitiu que Nassau, ao entregar-lhe as chaves de Breda, ajoelhasse ou se humilhasse. E mais, fez com que a mulher do general vencido deixasse a cidade conduzida por uma carruagem, não exigindo que os soldados holandeses fossem despojados de suas armas.

Ficha técnica
Ano: 1635
Dimensões: 307 x 367 cm
Técnica: óleo sobre tela
Localização: Museu do Prado, Madri, Espanha

Fontes de pesquisa
Velázquez/ Taschen
Velázquez/ Coleção Folha
Velázquez/ Abril Coleções
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

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