Autoria de Lu Dias Carvalho
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O cristianismo era no século I d.C. apenas uma seita quase que totalmente desconhecida na Palestina, mas em 313 d.C. passou a ser a religião oficial do Império Romano, conforme decreto do Imperador Constantino. Antes disso, porém, foi uma religião clandestina, resistindo ao rigor das autoridades romanas. O auge de sua perseguição aconteceu no reinado do imperador Deocleciano (284 – 305), quando as reuniões cristãs tornaram-se secretas. Suas obras de arte eram portáteis ou ocultadas dos censores nas catacumbas (galerias escavadas no subsolo, onde os primeiros cristãos eram sepultados, ali também se realizavam rituais fúnebres e muitas vezes serviram de esconderijo secreto dos cristãos). A arte cristã primitiva é também conhecida como “paleocristã” (do grego palaios, antigo).
A arte cristã no Ocidente apareceu antes que o cristianismo viesse a tornar-se oficial, sendo seus primeiros exemplos encontrados nas catacumbas. Suas paredes continham imagens simples que diziam respeito a uma simbologia própria dos cristãos: peixe, pomba com ramo de oliveira, pão eucarístico, âncora, cruz ou monograma de Cristo. As obras mais ousadas da arte cristã em seus primeiros tempos eram inspiradas em modelos clássicos. Cristo era, muitas vezes, representado como um jovem sem barba, tomando o artista por inspiração as estátuas dos deuses Apolo, Mercúrio ou Orfeu, a exemplo de “O Bom Pastor”, obra inspirada em estátuas clássicas de Mercúrio, deus romano protetor do rebanho e associado ao deus grego Hermes, segundo a mitologia greco-romana.
Mesmo após a liberdade religiosa conferida aos cristãos, seus artistas precisaram de um tempo para criar uma linguagem religiosa específica. À época, as imagens referentes à crucificação de Cristo ou de seus santos não eram aceitas sob a alegação de que essa forma aviltante de execução dizia respeito apenas a escravos e criminosos. Enquanto não criavam uma obra própria, os artistas cristãos recorriam a imagens clássicas de deuses romanos, a exemplo de “O Bom Pastor” (primeira ilustração acima à esquerda), temas mais representados, tanto em pinturas, mosaicos e esculturas. A ovelha no ombro de Cristo representa o pecador arrependido. A escultura é feita em mármore. A segunda ilustração do texto mostra o “Imperador Constantino e seu Séquito” — trata-se de um mosaico.
O imperador Constantino em 330 transferiu a capital de Roma para Bizâncio (rebatizada como Constantinopla em sua homenagem), onde a criatividade dos artistas expandiu-se ao receber diversas influências. Embora se tratasse de uma cidade grega, Bizâncio mantinha contato com culturas do Oriente Próximo. As primeiras obras-primas religiosas bizantinas — ou seja, naturais de Bizâncio — foram feitas em mosaicos. Tratava-se de uma técnica em que as imagens eram criadas a partir de pedaços de pedras coloridas, conchas, vidros e cristais, fixados em argamassa, recebendo depois uma mistura de cal, areia e óleo para preencher os espaços entre os fragmentos. Foi a linguagem artística que mais ganhou espaço na arte bizantina, sendo posteriormente usada em outras culturas. Enfeitava paredes e abóbadas das basílicas, representando personagens e passagens bíblicas (ver segunda ilustração à esquerda).
O imperador Teodósio em 395 (séc. IV) dividiu o Império Romano em duas partes: Império Romano do Ocidente (tendo Roma como capital) e Império Romano do Oriente, também conhecido como Império Bizantino (tendo Bizâncio/Constantinopla como capital). Tal divisão mexeu significativamente com a arte dos romanos, fazendo com que as tradições artísticas das duas partes se distanciassem. Houve diminuição da ativada artística no Ocidente em razão das infindáveis guerras que aconteciam nessa parte do império, enquanto no Oriente surgia uma nova ordem artística.
No século VIII houve no seio da Igreja Cristã a chamada “crise iconoclasta” (c. 725 – 843), quando a veneração de imagens de santos foi condenada. Nesse período extremamente triste para a existência da arte, milhares de obras religiosas foram destruídas. Mas como na história da humanidade tudo está fadado a voltas e reviravoltas, sendo a História cíclica e não contínua, mais tarde a arte bizantina notabilizou-se por pinturas murais e ícones, cuja influência ultrapassou os limites do Império Romano. A arte bizantina aconteceu entre os anos de 330 e 1453, ano em que os turcos dominaram a cidade de Bizâncio.
Exercício:
- Quais foram os primeiros exemplares da arte cristã no Ocidente?
- Qual foi a importância de Bizâncio para os artistas cristãos?
- O que é um mosaico?
Ilustração: 1. O Bom Pastor, c. 300 / 2. Imperador Constantino e seu Séquito, c. 547 / 3. Catacumba, Roma / 4. Pães e Peixes Eucarísticos das catacumbas de São Calisto, Roma.
Fonte de pesquisa
A História da Arte / Prof. E. H. Gombrich
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