ARTE ERÓTICA E RENASCIMENTO (Aula nº 60)
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Autoria de LuDiasBH        

                                     

A arte desde os tempos primevos tem estado presente na história da humanidade que, através dela, expressa suas preocupações e desejos nas mais diferentes manifestações artísticas. Se a arte reflete as aspirações e as necessidades humanas é mais do que natural que o sexo nela esteja inserido através de uma simbologia apropriada a cada época da história. E mais do que qualquer outro segmento os artistas foram sempre os mais seduzidos pela sexualidade que se faz presente em todo o caminhar da arte. Ao acompanhar a sua trajetória, notamos que essa sexualidade algumas vezes mostra-se mais explícita e noutras mais velada, de acordo com os censores de cada tempo.

O surgimento do cristianismo foi como um freio para a arte erótica, contendo-a por quase mil anos sob a alegação de que essa era pecaminosa e só agradava ao diabo. Nesse longo período de tempo escondeu-se o corpo humano, elegendo-o como o vilão responsável por todos os pecados da humanidade, esquecendo-se de que ele era a morada do espírito. Só era permitido desnudar parte dele e isso apenas quando os trabalhos artísticos apresentavam a ação das torturas diabólicas sobre o corpo, pois o demônio era visto como o mentor dos crimes sexuais. A figura demoníaca podia ser apresentada totalmente nua e também as feiticeiras — tidas como servas de satã —, mostradas em atos libidinosos muitas vezes sob a forma de animais.

O advento do Renascimento fez com que o homem olhasse o mundo sob outro viés, o que trouxe mais liberdade, delicadeza e equilíbrio à arte. Essa foi a época do retorno da arte à cultura clássica, com seus deuses e mitos advindos da cultura greco-romana. Para ilustrar o período do Renascimento vale a pena relembrar algumas obras famosas como “O Nascimento de Vênus” — belíssima pintura de Sandro Botticelli — que mostra a deusa Vênus nua e o “Triunfo do Amor” — pintura de Francesco del Cossa — apresentando um casal em atitudes licenciosa na grama. Por sua vez, os pintores François Boucher e Jean Honoré Fragonard retrataram a corte francesa com total liberdade, exibindo inclusive temas como sexo grupal e autoestimulação.

Uma nova onda de puritanismo abateu-se sobre as manifestações artísticas após a Revolução Francesa e a vigência da era Vitoriana. A tecnologia, porém, permitiu que o homem europeu entrasse em contato com diferentes culturas, incluindo a hindu, marcada por grande sensualismo — ainda que cheio de significado religioso — em que o erotismo era visto como uma característica das divindades. Esse contato foi importante para a arte europeia do século XIV. Os artistas não mais se curvavam ao puritanismo, mas usavam o erotismo para escandalizar a burguesia. Mais tarde, Édouard Manet sacudiu Paris ao pintar “Olímpia” e “Almoço na Relva”.

A arte nem sempre foi tão liberal como em nossos dias. Em algumas épocas da história ela esteve refém dos mais diferentes códigos criados por grupos específicos. Atualmente os artistas não mais se submetem aos tabus e ao academicismo. Trabalham para que todos os temas sejam livres, inclusive os relativos ao sexo. Praticamente já não mais existem fronteiras para o chamado “permissível”. O erotismo ligado ao amor físico já não é mais barreira. Os apelos eróticos vêm deixando de causar reação de repulsa. A humanidade está mais madura e em consequência a arte tem sido vista com mais naturalidade.

Nota: O Nascimento de Vênus (Sandro Botticelli) / Triunfo do Amor (Francesco del Cossa)

Obs.: As obras citadas no texto encontram-se analisadas neste blog.

Fonte de pesquisa
Vida a Dois/ Editora Três

6 pensou em “ARTE ERÓTICA E RENASCIMENTO (Aula nº 60)

  1. Antônio Costa

    Lu

    A natureza dual humana caracterizada pelo instinto e espírito criaram terreno fértil para as mais diferentes motivações: religiosa, política, econômica, etc, vistas ainda hoje em nome da “arte”. Certamente no futuro novas formas de abordagem com igual propósitos serão criadas.

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Antônio

      Os artistas sempre trafegaram por todos os campos da natureza humana em quaisquer que foram os tempos. E o erótico, como parte integrante do homem, não poderia ficar de fora. Quanto mais a arte vai se distanciando da religião, mais se torna livre para expressar tudo aquilo que vai pela natureza humana.

      Abraços,

      Lu

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  2. Marinalva Autor do post

    Lu

    Pinturas, gravuras, desenhos, esculturas, fotos, músicas e literatura estão incluídas na arte erótica. Termo que reúne qualquer manifestação ou descreve cenas da sexualidade humana. Em tempos remotos era um tema tratado com naturalidade, como vimos no Renascimento, quando os artistas observavam mais minuciosamente o mundo, inclusive o corpo humano.

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Marinalva

      O erotismo realmente sempre foi uma constante na arte desde a Antiguidade. O surgimento da religião cristã acabou com toda essa naturalidade.

      Abraços,

      Lu

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  3. Hernando Martins

    Lu

    O Renascimento foi importante para resgatar a liberdade de expressão, perdida há muitos séculos atrás, depois da oficialização da religião cristã no Império Romano. Vale ressaltar que a cultura grega tinha uma visão muito aberta sobre a questão da sexualidade e do erotismo, sendo uma grande referência para o movimento renascentista. A religião cristã criou uma repressão muito grande no que diz respeito à sexualidade e ao erotismo. Associava o erotismo com algo pecaminoso e demoníaco, a fim de inibir as pessoas em suas intimidades. Se temos 5 sentidos (olfato, visão, paladar, audição e tato) podemos imaginar o sexo como sendo o sexto sentido, pois que permite o movimento e a criatividade.

    Quando castramos um porco e o colocamos num espaço e limitado, ele perde a sua motricidade, seu movimento e come até ficar imóvel, no intuito de suicidar, mas antes disso seu dono o mata. Quando o porco é livre, ele não é gordo, sendo muito ativo e feliz natureza. Podemos fazer uma analogia com os humanos, pois, quando somos castrados nos nossos conceitos, perdemos a criatividade e a motricidade, ficamos inertes, e acabamos tomando atitudes segundo fulano, sicrano, não levando em conta o próprio conceito de vida. Seis em latim é “sex” e tem uma conexão interessante com o sexo.

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Hernando

      As religiões em sua grande maioria são castradoras. Elas querem que o homem viva sob seu comando. E quanto mais poder detém sobre a vida das pessoas, mais elas se tornam vassalas de seus líderes, enriquecendo-os. Ontem vi um um documentário sobre o amor na Índia, mostrando como o sexo era livre, como mostra o Kama Sutra (antigo texto indiano sobre o comportamento sexual humano, durante a antiguidade), mas com o domínio do país pelos ingleses, adeptos do cristianismo, tudo mudou. Nos dias de hoje os casais nem mesmo podem se beijar nas ruas indianas. O Japão é outro país que deixou a liberdade de seus antepassados (período Edo) para se inserir na cultura ocidental, sendo que hoje o sexo entre casais praticamente foi banido e as pessoas não têm qualquer tipo de contato em público e sentem dificuldades em exprimir qualquer forma de afeto, até mesmo em palavras.

      Você está coberto de razão em sua análise.

      Abraços,

      Lu

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