Cano – VIRGEM DO ROSÁRIO

Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria de Lu Dias Carvalho

O pintor, arquiteto e escultor espanhol Alonso Cano (1601 – 1667) teve as primeiras lições de desenho arquitetônico e de talha de madeira com seu pai, um famoso fabricante de retábulos, demonstrando ainda novo o seu grande talento. Em Sevilha foi aluno de Francisco Pacheco del Río – mestre de Velázquez, estudando escultura com Juan Martínez Montañés. O artista estimulou a pintura de Granada/Espanha – sua terra natal – ao voltar de Madri. Suas obras figuravam entre o maneirismo italiano e o barroco. Embora vivesse numa época em que o tenebrismo de Caravaggio estivesse no auge, foi capaz de ser colorista em seus trabalhos. Recebeu o título de Mestre Pintor. O artista deixou um importante legado de belas obras para a catedral de Granada e também um grupo de seguidores responsável por levar seu estilo até o final do século XVII, tais como Juan de Sevilla, Pedro Bocanegra e Juan Niño de Guevara.

A composição intitulada Virgem do Rosário é uma obra-prima de cunho devocional, pintada pelo artista um ano antes de sua morte, sob a encomenda do bispo Dom Alonso do Santo Tomás em Málaga/Espanha. Mostra a influência da pintura renascentista (especialmente na simetria da composição, pincelada solta e intervalo cromático) na obra do pintor. Feito nos últimos anos de vida do pintor, quando ele se encontrava na sua maturidade criativa. É tida como uma pintura harmoniosa e terna – com formas suaves, refinada gradação de cores e uso prodigioso de luz – na qual a Virgem, o Menino Jesus e os putti formam um triângulo quase perfeito, tendo abaixo um grupo de santos.  É considerada uma das melhores composições de Cano e também da pintura espanhola do século XVII .

A Virgem, vestida com uma túnica avermelhada e um manto azul, encontra-se sentada sobre um trono de nuvens, apoiado em duas colunas caneladas, trazendo seu filho no colo. A mão esquerda da Virgem e o pé esquerdo do Menino sustentam o globo terrestre e um anjinho abraça-o. Os seis pequenos anjos em meio às nuvens que formam o assento do trono fazem a ligação entre o plano terreno e o divino.

Quatro putti entregam aos santos seus atributos. Dois deles faz a entrega de um rosário e uma cruz a São Domingos Guzmán e a São Francisco de Assis (abraçados). Além dos dois citados são eles (a começar da esquerda para a direita): Santa Tereza de Jesus (recebe a caneta), Santo Ildefonso (recebe o cajado), Santa Catarina de Siena (recebe a coroa) e São Tomás de Aquino (recebe a caneta). Os santos, postados no plano terreno, mostram-se espantados com a visão divinal. É provável que o cliente tenha sido o responsável pela escolha dos santos que deveriam aparecer na pintura.

O artista fez um grande contraste entre a cena divina e a terrestre. A primeira é representada em uma atmosfera de tons vibrantes e dourados em que se destacam a túnica vermelha e o manto azul da Virgem, enquanto na segunda os tons escuros prevalecem. A instituição milagrosa do Rosário tinha especial importância para os dominicanos. O rosário é visto como um instrumento de salvação, através do qual a Virgem dá sua ajuda aos fiéis.

Alonso Cano não se atém às representações comuns, trazendo novos elementos iconológicos relacionados a questões marianas de grande transcendência na época, como a intercessão de Maria junto a Jesus Cristo ou à doutrina da Imaculada Conceição. O artista possuía grande formação humanista.

Ficha técnica
Ano: 1665/67
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 350 x 213 cm
Localização: Catedral, Málaga, Espanha

Fontes de pesquisa
Pintura na Espanha/ Cosac e Naify Edições
https://translate.google.com/translate?hl=pt-BR&sl=en&u=https://www.louvre.fr/en/oeuvre-notices/birth-virgin&prev=searchhttps://es.wikipedia.org/wiki/Virgen_del_Rosario_(Alonso_Cano)
https://www.enriquecastanos.com/cano_rosario.htm
https://cvc.cervantes.es/actcult/cano/pintor/pintor09.htm


2 comentaram em “Cano – VIRGEM DO ROSÁRIO

  1. Marinalva Autor do post

    Lu

    Alonso Cano foi mesmo um artista extraordinário. Deixou um legado rico e variado. Pintor, escultor e arquiteto, dominou com excelência essas técnicas no mais alto nível. O título que recebeu de ” Mestre Pintor ” revela sua enorme importância como artista barroco do seu país. Foi um artista completo, um maestro da pintura, escultura e arquitetura. A obra em estudo é perfeita, trata-se de um tema religioso, executada por um gênio.

    Responder
    1. Lu Dias Carvalho Autor do post

      Marinalva

      Trata-se realmente de uma obra muito bonita. O artista usou toda a sua maestria na execução.

      Abraços,

      Lu

      Responder

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.