Lichtenstein – MOÇA AFOGANDO-SE
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 Autoria de LuDiasBH

                                       

À época eu estava muito empolgado e muito interessado no conteúdo altamente emocional, mas destacava o manejo impessoal do amor, do ódio, da guerra, etc., nessas imagens de desenho animado. (Lichtenstein)

O pintor estadunidense Roy Lichtenstein (1923–1997) nasceu numa família de classe média alta. Seu contato informal com a pintura teve início em sua adolescência — em casa —, época em que também passou a demonstrar interesse pelo jazz, como mostram os muitos retratos, pintados por ele, de músicos tocando seus instrumentos. Seu contato formal com arte deu-se quando tinha 16 anos de idade, ao frequentar as aulas da Liga dos Estudantes de Arte, sob a direção de Reginald Marsh. Seu objetivo era ser um artista. Foi depois para a School of Fine Arts da Ohio State University — uma das poucas instituições do país que possibilitavam a licenciatura em belas-artes. Ali recebeu influência de seu mestre Hoyt L. Sherman, dando início aos trabalhos expressionistas.

A composição intitulada Moça Afogando-se é uma obra de Roy Lichtenstein e uma das pinturas mais representativas do movimento da Pop Art, sendo vista como um dos trabalhos mais importantes do artista estadunidense. Tem sido descrita como uma obra-prima do melodrama. Trata-se de uma das primeiras imagens do artista retratando mulheres em perigo.

A pintura apresenta uma garota com os olhos fechados, de onde escorrem grossas lágrimas. Ela já chorou tanto que um rio de lágrimas formou-se ao seu redor. A pungente tristeza de seu rosto mostra que está tomada por fortes emoções, sem forças para reagir às suas forças destrutivas. Através da frase contida no balão — Eu não me importo! Eu prefiro afundar a pedir socorro a Bred — é possível conhecer o que se passa no pensamento da jovem mulher, portanto, Bred Brad (nome encontrado em vários trabalhos do artista) é o causador de tamanho sofrimento. Ela prefere ser tragada pelo mar a pedir-lhe ajuda.

Roy Lichtenstein inspirou-se, para compor sua obra, numa história publicada em quadrinhos, intitulada “Run for Love”, na revista “Secret Love” em 1962. Ele eliminou o namorado da moça que aparece afogando-se ao fundo, agarrado a um barco. Deixou apenas a parte que se refere à garota (cabeça, ombro e a mão, vistos acima da água) e o mar. O pensamento da garota, contido no balão, também foi reduzido. Ela se encontra sozinha, centralizada na composição, e em meio a uma onda feroz parecida com um redemoinho. O artista jogou no sofrimento da moça toda a força da composição. O observador, na ausência de outros elementos, é incapaz de construir uma narrativa correta em torno de Bred, ficando a interpretação ao prazer de cada um.

Segundo alguns críticos, as representações de mulheres com os olhos lacrimejantes por parte de Lichtenstein, até meados da década de 1960, podem ter sido influenciadas pelas mulheres chorosas de Picasso e também pelo desmoronamento de seu casamento na com Isabel Wilson de quem se separou em 1963.

Nota: Lichtenstein reconhece que a onda presente na composição é uma adaptação da famosa gravura de Hokusai  conhecida como A Grande Onda de Kanagawa, cujo estudo se encontra presente neste blogue.

Ficha técnica
Ano: 1963
Técnica: óleo e magna sobre tela
Dimensões: 171,8 x 169,5 cm
Localização: Museu de Arte Moderna, Nova Iorque, EUA

Fontes de pesquisa
Lichtenstein/ Editora Taschen
https://en.m.wikipedia.org/wiki/Drowning_Girl
https://www.moma.org/learn/moma_learning/lichtenstein-drowning-girl-1963/

2 pensou em “Lichtenstein – MOÇA AFOGANDO-SE

  1. Antônio Messias

    Lu

    Seguramente a obra retrata experiências vividas ou assistidas pelo autor. Creio que a postura contemplativa do homem vendo o sofrimento da náufraga poderia induzir um autorretrato, o que obviamente não seria condizente. Chama a atenção as ondas revoltas retratando um turbilhão de conflitos que levou ao desfecho fatal.

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Antônio

      Lichtenstein já é um artista da Idade Contemporânea. Ainda iremos estudá-lo mais adiante.

      Abraços,

      Lu

      Responder

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