MEU EX-MARIDO É BIPOLAR

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Autoria de Magdaline Santiago

Descobri que meu marido era bipolar quando ele teve um surto, após nossa primeira separação dentro do casamento, porque nos cinco anos de namoro foram inúmeras. Ele estava na fase de mania: andava irritado, falando coisas ao mesmo tempo, com o humor lá nas alturas, querendo curtir a vida loucamente, gastando exageradamente com coisas banais, bebendo muito e dirigindo alcoolizado. A busca por ajuda médica nem passava por nossa cabeça (minha e da família dele) que não sabíamos que se tratava de um transtorno mental. Além disso, ele tinha uma resistência muito grande para consultar médicos, imagine ter que ir a um médico PSIQUIATRA. Tínhamos também a falsa ideia de que a bipolaridade trazia mudanças repentinas de humor (do dia pra noite) e isso não acontecia com ele. Apesar de eu ter percebido que ele vivia em ciclos, nunca imaginei que teria Transtorno Bipolar, achava que suas mudanças eram relativas à sua personalidade e jeito de ser.

Certo dia, nós brigamos por ele ter saído na noite anterior para curtir. Ele me agrediu com palavras, extremamente nervoso, quebrando coisas à volta. Fui embora para a casa da minha mãe. No terceiro dia ligaram-me dizendo que ele estava mal, surtado, sem dormir, perdendo-se nos lugares e sem conseguir trabalhar. Queimou algumas roupas minhas, quebrou coisas dentro de nosso quarto e o levaram ao psiquiatra que lhe deu o diagnóstico de bipolaridade e 15 dias de atestado, além de prescrever medicamentos. Ele precisava fazer um exame de sangue para saber se prescreveria já o Lítio, mas ele não quis fazê-lo e nem continuar o tratamento. Tínhamos uns 10 anos juntos, entre namoro, noivado e casamento. Aquele diagnóstico fazia todo sentido.

Meu ex-marido sempre tinha uma desculpa para não fazer o tratamento. Dizia que não aceitava ser bipolar e que o médico estava enganado no seu diagnóstico. Tempos depois, por estar extremamente depressivo e irritado, aceitou ir a uma médica que lhe passou remédios para controlar o humor, a irritabilidade e o sono (ele tinha fases de muita insônia e pesadelos). Porém, alguns dos medicamentos, a princípio, pioraram os sintomas e ele quis parar, não quis voltar à médica, colocando vários defeitos nela. Possivelmente estava passando pelos efeitos adversos, além disso, os medicamentos são também testes, sendo que cada pessoa tem uma reação diferente que precisa ser comunicada ao médico para que ele faça mudanças, quando necessárias.

Os ciclos pelos quais passava meu ex-marido eram bem longos: meses com uma mania leve, meses ou semanas com uma mania mais forte e meses ou semanas com depressão que, curiosamente, era sempre nos últimos meses do ano para os primeiros do ano seguinte. Na época de festas, férias e verão, ele estava sempre triste, calado, sem querer ver ninguém. Havia começado terapia devido à depressão, mas sempre parava… Quando ainda não sabíamos do que se tratava, e ele se encontrava na fase de mania leve, ficávamos todos felizes, torcendo para que isso durasse. Nossa maior preocupação era com a depressão, porém, após o surto e o diagnóstico de bipolaridade, a mania mais severa começou a nos preocupar muito.

Tivemos cinco anos de namoro entre muitas idas e vindas. Por muitas vezes, ele pôs fim no nosso relacionamento por estar confuso, querendo curtir a vida, sem limites para nada; noutras porque estava triste e qualquer coisa a mais seria um peso, pois nascera para viver sozinho; noutras vezes eu terminei por infidelidade dele, o que curiosamente acontecia na fase da mania, porém, era sempre previsível ele se arrepender e pedir para voltar, chorar, sofrer, emagrecer. Muitas vezes voltei por eu estar sofrendo; noutras por pena dele; algumas vezes por acreditar que mudaria. Ele sabia ser convincente e, por fim, criei uma dependência emocional. Eu tenho TAG que leva ao pânico e num dos nossos términos tive crises muito fortes de ansiedade, o suficiente pra criar dependência emocional. Achava que se não estivesse com ele iria sofrer sempre de pânico, porque eu não tratava bem esse transtorno mental, pois confundia os conflitos da mente com os sentimentos.

Graças a Deus não tivemos filhos. Até tentamos, porém, é complicado, porque na fase depressiva a comunicação é péssima.  Ele não falava comigo, não tinha libido. A essa altura, eu era mais mãe do que esposa dele, tentando animá-lo, fazê-lo caminhar, tomar sol, abrir-se. Marcava médicos, tentava fazê-lo tomar a medicação, sempre buscando saber o porquê de alguém, que não tinha o costume de fumar e beber, consumir vários cigarros e beber muito. Além de me preocupar com meus problemas psicológicos, com os trabalhos de faculdade, com a organização da casa, etc., e ainda me preocupava o tempo todo com ele. Meu maior medo, na fase depressiva dele, era um dia chegar em casa e dar de cara com uma cena traumática para minha vida. Quando ele pediu para se separar de mim, tirou um peso das minhas costas. Eu já estava tratando minha TAG com psicóloga e medicação e consegui passar muito bem pela separação.

É difícil, hoje, um homem (ou mulher) bipolar não ser “ex-” de alguém, quando não faz o tratamento. Chega uma hora em que não se aguenta mais. Comigo foi assim na última vez em que nos separamos. Já saturada de tantas idas e vindas, eu não quis voltar mais. Estava cansada das indefinições, incertezas e sofrimento. Os problemas maiores são os conflitos e também o fato de você fazer parte de um ciclo vicioso que parece não ter fim. Conheci inúmeras ex-mulheres de portadores do Transtorno Bipolar. Elas me relataram parte de suas vidas com seus ex-maridos que não aceitaram o diagnóstico e tampouco o tratamento, ou não deram continuidade ao mesmo. Eles interrompem o tratamento porque não têm paciência com os efeitos ruins de sua fase inicial. As mulheres são bem mais fáceis de aceitar o transtorno e de se tratarem. Elas podem tomar medicação a vida inteira e viver muito bem em família e em sociedade.

Deixo aqui um alerta aos homens com este transtorno. Se quiserem ser felizes com a família, trabalho e amigos precisam aceitar o tratamento. Não adianta se arrepender depois de ter perdido a pessoa (namorada, noiva ou esposa) que amava. Quando aceitam o tratamento, a mulher compreende sua doença, tem mais paciência e passa a redobrar seus cuidados com ele. Caso contrário, o único caminho é a separação.

Nota: Amizade, obra de Pablo Picasso.

19 pensou em “MEU EX-MARIDO É BIPOLAR

  1. Diana

    Tenho grandes suspeitas de que meu ex-companheiro sofria de bipolaridade, pois ele se irritava muito com coisas pequenas, tinha bastante ciúme e me acusava de olhar para outros caras, inventava briga do nada, não tinha muita paciência, sempre se julgava superior aos outros, tinha dias que estava calmo e em outros se irritava com tudo, ficava sempre me jogando pra baixo, dizia que eu era uma pessoa sem identidade, de repente começava a comprar coisas sem necessidade, e aí foi quando começou a se impressionar com religião e disse que queria ser pastor…

    Certo dia acordou dizendo que íamos oficializar nossa união… já estava providenciando as alianças… tivemos uma pequena discussão e dias depois ele quis terminar tudo… disse que não gostava tanto de mim, que eu não era a pessoa ideal pra ele e queria que fosse embora imediatamente. Surpreendida com o que ele acabava de me falar, disse que ficaria mais uns dias, pra ver se ele mudava, mas ele ficou me ignorando. Passados alguns dias ele disse que era bom eu ir embora, porque não ia adiantar ficar lá, pois estava decidido e não ia mudar de opinião.

    Fui embora e ele continua firme na decisão. Achei-o super estranho, frio de sentimentos e fiquei com medo dele ficar agressivo. Já havia dito a outras vezes que queria separar, mas mudava rapidamente de opinião, só que dessa vez ele está firme, mas ainda está recente. Estou triste com tudo isso, pois não entendo como mudou tão rápido e ficou frio comigo. Não sei se voltará a me procurar, mas tudo que leio sobre bipolaridade na fase de euforia se encaixa .

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Diana

      Ao ler sua descrição acerca de seu ex-companheiro observo que tudo leva a crer que ele seja realmente bipolar. Se isto for realmente comprovado, a melhor coisa que lhe aconteceu foi a separação, pois todos os casos terminam assim. O convívio com estas pessoas é extremamente difícil e, quando não medicadas, passa a ser perigoso. A menos que ele faça tratamento, você jamais poderia pensar em voltar ao relacionamento. Para que agregar problemas à sua vida? Parta para uma nova relação e encontre uma pessoa que a admira e respeita. Nenhuma união sobrevive ao desrespeito. Se voltar para ele sua vida será uma roda-viva de sofrimento, a menos que o moço aceite fazer um tratamento sério.

      Temos neste espaço muitos textos e comentários sobre o assunto e outros mais relativos às doenças mentais. Continue em contato conosco. Gostei muito de recebê-la aqui.

      Beijos,

      Lu

      Responder
  2. Mariana

    Eu acabei de sair de um namoro com um bipolar, durou um ano. Junto com a bipolaridade que já não é fácil, ainda tem o problema do alcoolismo.

    Ele passa da fase maníaca para a depressiva no mesmo dia, as fases não são longas. Em meio ao surto a bebida, o que o deixa mais agressivo e fora da casinha; surtava e me xingava; criava histórias de que eu o trai ele; não falava nada com com nada, mentiroso, parecia uma fera na minha frente e de repente em minutos parecia uma criança. As mudanças eram muito rápidas, passei por muitos momentos difíceis. Estimulei o tratamento dele, mas o tratamento nunca durava mais que 3 semanas, parava os remédios e bebia muito com o remédio ainda no organismo, potencializando a agressividade. Nunca me agrediu fisicamente, mas estou esgotada mentalmente e não quis esperar o dia da agressão física acontecer pra cair fora.

    É triste ver alguém de 29 anos assim, mas não aguentei mais e não posso querer resolver a vida dele por ele e ultimamente tinha medo dele, pois estava muito surtado. Dei a última chance quando voltou a morar com os pais, mas mesmo assim está fora de controle, nem os pais sabem mais o que fazer. Após ele surtar comigo na praça de alimentação de um shopping, xingar, gritar, falar mentiras, ser agressivo na frente de todos a ponto de chamarem o segurança, eu decidi terminar de vez. Agora me sinto triste mas é menos do que quando estava com ele, vai passar, vou me fortalecer de novo.

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Mariana

      Você fez muito bem ao sair dessa relação, pois, quando não tratada, a bipolaridade fica fora de controle e tudo pode acontecer. Não adianta ficar esperando melhoras, quando a pessoa não leva o tratamento a sério. Nenhum ser humano aguenta os altos e baixos de uma relação assim, como você poderá ver nos artigos aqui publicados. Parabéns pela sua decisão. Antes chorar alguns dias do que a vida inteira.

      Amiguinha, será sempre um prazer recebê-la neste espaço, venha mais vezes. Temos vários artigos sobre este assunto.

      Abraços,

      Lu

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  3. Sérgio

    Olá, Lu, eu sou bipolar.

    Alguns médicos me dão laudo de esquizofrenia. O divórcio foi difícil pra mim, já faz três anos que me separei e não me recupero. Nas crises quebrava tudo em casa. Achava que minha ex estava me traindo, mas depois de uma semana queria voltar. Ela foi embora e não voltou mais. Não aceitava o tratamento. Fui internado duas vezes, à força pela minha mãe, hoje tomo os remédios. Estou recebendo auxílio doença do governo. Vou no Caps uma vez por semana e estou vivendo de boa sem crises, só sinto muita falta do meu casamento e das minhas filhas, mas peço a Deus todo dia pra superar isso.

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Sérgio

      Seja bem-vindo a este cantinho. Sinta-se em família.

      Amiguinho, as doenças mentais aumentam cada vez mais em todo o mundo. A velocidade com que as coisas acontecem neste nosso mundo tão imprevisível têm deixado sequelas em todos nós. São muitos os tipos de transtornos mentais e dentre eles o de bipolaridade. Saiba que você não é único, há uma porção de companheiros lutando nesta mesma batalha.

      Sérgio, o mais importante é que você aceitou o tratamento, sem ele o sofrimento é muito grande. Para ter uma vida com qualidade jamais abra mão dele, custe o que custar. A ausência das crises está ligada ao uso da medicação. Lembre-se disso. E quanto mais melhorar, mais poderá contar com a proximidade de sua ex companheira e filhas. Sei que você passou por um período muito difícil e somente quem já vivenciou isso poderá ter a real noção de seu sofrimento. O fato de encontrar-se em tratamento mostrará à sua família que quer ter uma vida o mais normal possível. Não sei a idade de suas filhas, mas quanto mais adultas ficarem, mais compreenderão o problema pelo qual você passou e irão lhe dar todo o apoio necessário. Pense nisso! Portanto, tenha calma e dê tempo ao tempo. Você irá superar tudo e ter uma vida cada vez melhor.

      Sérgio, continue visitando este cantinho. Venha sempre conversar conosco.

      Abraços,

      Lu

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  4. Lala Guedes

    Magdaline

    A definição de “bipolar” pra mim sempre foi algo muito próximo aos sentimentos de um ser humano comum, entre altos e baixos. Digo isso porque só mesmo quem passa pela terrível experiência de conviver com um bipolar sabe o que realmente significa.

    Eu me relacionei com um bipolar por 5 anos e nos últimos 6 meses ele surtou e até agora continua “fora da casinha”. Confesso não ter notado, até o surto desencadear esse quadro que, pra mim, ficou claro, mesmo porque ele já tem um histórico de familiares com bipolaridade. Minha filha já presenciou um surto psicótico que foi horrível e traumático, espero que não surja tantos traumas pra ela.

    Resolvi escrever porque existe um outro ponto que, acho que ninguém comentou, é a famosa “culpa cristã”. Por alguns momentos em que ele estava mais ameno por conta dos medicamentos (ele tomou por um tempo e, como é muito comum acontecer, já largou), eu queria me livrar desse pesadelo de viver na opressão e de receber ataques e agressões verbais diariamente, mas ao mesmo tempo me vinha a famosa frase “na saúde e na doença”. Ele mesmo me pedia perdão e me pedia pra voltar alegando que estava doente e, por isso me agredia, portanto eu devia perdoar, porque não era ele, era outra pessoa (!?).

    A bipolaridade é uma doença que não tem cura mas pode ser tratada. O problema é que, como já sabemos, é bem mais difícil um homem admitir o transtorno e aderir ao tratamento do que uma mulher. Portanto, resolvi por um fim no relacionamento, por mim em primeiro lugar, pois estava me matando viver nessa opressão, nessa prisão (entrava muda e saia calada para não ativar nenhum gatilho dele) e pela minha filha que já tinha assistido a vários ataques verbais dele comigo. Bom, atualmente não está tudo resolvido ainda, porque ele pediu a separação, saiu, só que um mês depois pediu pouso, eu cedi por uns dias e já faz um mês e meio que esta infernizando minha vida. Estou orando e torcendo muito pra que ele saia o mais rápido possível, minha vida está um inferno com a presença dele. Vai passar…

    Responder
    1. Magdaline

      Lala

      Eu também só me dei conta do que se tratava após o surto e só porque o médico deu o diagnóstico. Antes disso também tinha a mesma visão de bipolaridade que você. Acho que não comentamos a “culpa cristã” porque essa culpa está em qualquer caso de separação, não só nesses casos de conflitos por um dos dois ter alguma doença psiquiátrica.

      Seja lá qual for o motivo do nosso sofrimento na relação, fica aquela culpa. “Você tem que lutar pelo seu casamento”, diziam-me muito. Tanto que no primeiro surto que foi bem feio, eu acabei voltando mesmo sem querer muito. Ele não pode alegar que não era ele. Não se muda de personalidade na bipolaridade. Se for um bom homem, vai querer se tratar corretamente para não magoar os que o amam. A bipolaridade não é um demônio que invade o corpo de alguém. Ele continua com a personalidade dele, com o gênio, o temperamento. E pode optar por se tratar para não ferir vocês novamente.

      Meu ex também era assim. Pedia pra separar e um ou dois meses depois, ou até semanas ou dias depois pedia para voltar, sofria, etc. E eu me permitia fazer parte desse ciclo, deixava-o decidir nosso relacionamento. Até que um dia não voltei mais. Temos que parar de deixar eles decidirem o rumo de nossas vidas. A escolha é nossa também, parar de sofrer ou continuar nesse vai e vem de sofrimento. Ele ficou mal, sofreu, mas hoje, dois anos e meio depois já está até casado, graças a Deus… E eu fazia anos que não me sentia tão bem. Tirei um peso enorme das minhas costas.

      Torcendo por você, força e coragem por você e por sua filha.

      Beijos

      Responder
  5. Luciana Silva

    Magdaline

    É exatamente igual a minha história, mas não dei conta de voltar. No meu caso, ele tomava os medicamentos certinho, mas bebia muito álcool sempre, então não devia fazer efeito corretamente. O que dá no mesmo de não se tratar.Tivemos um filho juntos, e só o vejo nas visitas. Acho que se não fosse esse vínculo não o veria mais.

    Responder
    1. Magdaline

      Luciana Silva

      Não fico feliz com separações, porém se uma das partes tem problemas e não quer se cuidar corretamente, não é justo a outra parte passar a vida sofrendo por sua causa. Com certeza o álcool corta o efeito do medicamento e piora os sintomas da doença e ainda causa mais dependência, porque se alcoolizar torna-se uma fuga dos sintomas da doença. Fica um ciclo vicioso: a pessoa toma o remédio que não faz efeito devido ao álcool, então ela piora, daí quer beber pra “fugir”… Se não deixar o álcool, não adianta fazer tratamento.

      Meu ex consumia muito álcool e cigarro nas crises de euforia ou depressão. A coisa mais estranha do mundo é você ver quem nunca foi de beber e fumar, bebendo e fumando compulsivamente. Verdade, a melhor coisa para os dois seguirem em frente é não ter contato mais, só o que for necessário mesmo.

      Responder
  6. Cristina Santos

    Amiga estou vivendo uma fase assim meu marido a cerca de 5 meses acabou o casamento de 12 anos pelo “whatsapp”. só percebi que tinha algo errado depois que me vi fora da relação ele gasta rios de dinheiro com coisas inúteis está sempre…

    Responder
  7. Mel

    Magdaline

    Como você conseguiu se reerguer depois de uma relação traumática dessas? Fiquei por 7 anos com um bipolar e estou há 3 anos nesse processo de auto reconstrução. A presença dele ainda me agride de inúmeras maneiras. Como foi seu processo pós separação? Grata pelo seu texto e pelo acolhimento que ele trouxe por conta da identificação. Só quem passa por essa experiência sabe o que é e o que causa.

    Beijo grande!

    Responder
    1. Magdaline

      Mel

      Perdoe-me pela demora em responder. Essas últimas semanas foram muito corridas para mim e não gosto de responder na correria, gosto de parar e dar atenção à resposta.

      Bem, Mel, eu cheguei em um nível em que estava tão esgotada, cansada, saturada que sabia que se ele fosse embora eu não ia querê-lo mais e até já havia prometido isso a mim mesma. Como de praxe, dois meses depois ele pediu para voltar, dessa vez eu estava me sentindo inexplicavelmente tão livre, tão leve, com tanta vontade de me reerguer e ter uma vida plena, sem amarras, sem dores de cabeça, que foi fora de cogitação voltar pra ele. Fiquei bem triste por saber que ele estava sofrendo, preferia que ficasse bem e não pedisse pra voltar. Mas eu aprendi a me amar primeiro, exercitei isso até com a ajuda da terapia.

      Como era um relacionamento abusivo, minha autoestima estava bem abalada. Eu me apeguei a minha família que me deu todo um suporte. Meus pais são maravilhosos e como eu estava recém desempregada, comecei a dar aula particular aos meus sobrinhos, o que me fez muito bem esse contato com as crianças. Reaproximei-me de amigas que eu não tinha contato fazia tempo. Comecei academia, que era algo que eu sempre começava, mas parava por causa dele. Comecei a fazer dança que eu amo. Foquei na faculdade que estou terminando, era algo também que eu sempre parava por causa dos altos e baixos do nosso relacionamento.

      Quando você fala que a presença dele ainda te agride de inúmeras maneiras o que quer dizer? Você precisa vê-lo? Vocês têm filhos juntos? Trabalham juntos ou algo assim? Porque não tivemos filhos, só precisei vê-lo quando eu dei entrada no divórcio (para a surpresa dele também, aquela mulher que sempre voltava foi a que não quis mais voltar e ainda deu entrada no divórcio).

      Mel, eu não tive muito o que superar, porque já estava bem saturada, a separação foi um alívio inexplicável que eu nunca tinha sentido antes em nossas separações. Acredito que o fato dele ter sido diagnosticado também ajudou, porque é algo que sei que não tem cura, tem tratamento, porém ele não queria se tratar, ou seja, não mudaria, porque todas as vezes que voltei foi com a esperança dele mudar, dessa vez eu não tinha mais esperança. Ele também teve a iniciativa de me bloquear em tudo e isso também foi ótimo pra mim. Ele mesmo me evitava. Não foi no aniversário do sobrinho porque eu estaria, não foi no casamento da prima porque eu fui madrinha, enfim, sem querer ele me ajudou bastante… rs

      Estou há 2 anos e 3 meses separada, ele até já se casou inclusive (mas isso é outra história rs) e só consigo agradecer a Deus por até hoje eu ter esse sentimento de alívio, por ter me feito entender que mereço ser feliz sozinha ou com outra pessoa, mas que mereço ser feliz! Também estou no processo de reconstrução, porque saímos de um relacionamento abusivo perdidas de nós mesmas, sobre o que queremos e o que não queremos, se fazíamos algo porque gostávamos ou por causa deles, o que realmente gostamos ou não, o que é bom para nós ou não, o que é certo para nós ou não, enfim, precisamos nos reencontrar e nos reconstruir realmente, é um processo longo de conhecimento, talvez até infinito… rs, mas muito necessário e descobrimos o quão valiosa somos, únicas e que merecemos alguém a nossa altura.

      Aconselho que você faça terapia, isso vai fortalecer seu emocional e ajudar no seu psicológico, apegue-se a pessoas que te fazem bem, família, amigos e nesse processo de reconstrução descubra coisas que você ama fazer e permita-se fazê-las. Lembre-se que você não deve nada a ele e às pessoas, você só deve a você mesma, você deve e merece ser feliz.

      “Você nasce sem pedir e morre sem querer, aproveite o intervalo.”

      Espero ter ajudado, qualquer coisa estou aqui. Um abraço e tudo de melhor na sua vida. Vai dar tudo certo!

      Responder
  8. Vanessa

    Lu

    Obrigada pelo carinho. O meu -ex até hoje me acusa de ter destruído sua vida, mas não entro em conflito porque sei que só quis ajudar, mas agora cabe a ele encontrar seu caminho…

    Beijo grande

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Vanessa

      Trata-se de uma acusação injusta, você sabe disso, mas que é normal partindo do estado de saúde dele. O que pode fazer é sempre aconselhá-lo a buscar tratamento para que possa ter uma vida com qualidade.

      Beijos,

      Lu

      Responder
  9. Vanessa

    Lu

    Namorei dois anos um biopolar. Era um namoro instável, pois ele terminava e voltava. Eu vivia insegura, mas sempre que ele me procurava eu o tratava com carinho e nem questionava seus sumiços… Ele se queixava muito dos seus pais e dizia que só seria feliz no dia que saísse de casa e tivesse a sua própria vida.
    Surgiu uma casa para alugar, ele adorou a ideia e fomos morar juntos.

    Ele sempre bebeu, mas dizia que era só nos momentos de folga. Quando passei a viver com ele, descobri que além da bipolaridade ele era alcoólatra e a minha vida virou um inferno. Eu nunca sabia como estava o humor dele e com a bebida a irritabilidade ia ao extremo. Logo começou a me tratar com berros, implicância e um ciúme fora do comum.

    Eu pedia com educação e carinho que deixasse a bebida; ele prometia parar, mas no dia seguinte começava a beber assim que acordava. Eu sofri muito, até que percebi que meus pedidos não surtiam efeito, pois tanto a bipolaridade quanto o alcoolismo precisam ser tratados por profissionais e eu estava esgotada.

    Terminei a relação, ele voltou a morar com seus pais e eu tinha a esperança de que ele finalmente se tratasse, mas continua do mesmo jeito, bebendo diariamente… Sei disso porque às vezes me procura, fala coisas lindas para me envolver, mas em seguida me acusa, diz que eu destruí a vida dele. Sofro muito porque ainda gosto dele e preocupo-me com ele, mas infelizmente sem tratamento não tenho condições de levar avante o relacionamento.

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Vanessa

      Seja bem-vinda a este cantinho. Sinta-se em família.

      Amiguinha, posso entender o que você passou, pois conviver com a bipolaridade é uma tarefa muito árdua. É difícil o relacionamento com alguém que nunca sabemos em que fase se encontra, sem dizer que todas elas são dificílimas. Por desconhecimento, sempre imaginamos que somos capazes de mudar uma pessoa que amamos apenas com a nossa companhia e com a força que lhe repassamos. Isso, contudo, nem sempre acontece. Primeiro porque toda mudança vem de dentro para fora, segundo porque só muda quem assim o deseja. Quando se trata de uma doença mental a tarefa é hercúlea, ainda que lutemos com todas as nossas forças, pois a pessoa precisa passar por um tratamento com especialistas, inclusive fazendo uso de remédios.

      O importante é que você tentou segurar o relacionamento, fazendo o melhor que podia, ainda que não compreendesse que seu companheiro deveria passar por um tratamento médico. É uma pena que não tenha tido consciência da doença dele, pois assim não teria sofrido tanto. Se a bipolaridade prima pela instabilidade emocional, imagine o que acontece quando ela se junta ao alcoolismo. Fico a imaginar o tamanho de seu problema que envolvia até mesmo a sua segurança física e pela dele, pois o bipolar, quando sem tratamento, pode ficar extremamente agressivo.

      Vanessa, você agiu corretamente ao separar-se dele. A menos que ele faça um tratamento sério, não volte, pois a barra ainda será mais árdua, pois sua tendência, sem tratamento, é só piorar, adoecendo você também. Nenhum relacionamento resiste aos altos e baixos da bipolaridade quando sem medicação.

      Um grande abraço,

      Lu

      Responder
  10. LuDiasBH Autor do post

    Magdaline

    Tenho a certeza de que seu texto servirá de alerta tanto para homens quanto para mulheres que convivem com tal transtorno. Você foi de uma clareza e sinceridade a toda prova, ao desvendar o abismo do relacionamento em que um dos cônjuges sofre de bipolaridade, mas recusa o tratamento. Ao vivenciar tal relação, pode reproduzir fielmente as consequências nefastas que tomam conta da vida a dois, sobrecarregando, sobretudo, a parte que tem que carregar nas costas o peso das consequências de um transtorno sério não tratado. É mais do que compreensível que o fim seja a separação, pois para tudo há limites.

    Fica aqui o seu alerta. Espero que sirva de espelho para os casais que vivenciam, de uma forma ou de outra, as consequências de tal transtorno, quando colocam em segundo plano a ajuda médica. Parabéns pela sinceridade de seu texto e por ter se predisposto a ajudar os que passam por situação parecida.

    Abraços,

    Lu

    Responder

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