Domenico Veneziano – MADONA E O MENINO…

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição Madona e o Menino com Santos é uma obra do pintor italiano Domenico di Bartolomeo, mas conhecido por Domenico Veneziano (c. 1400-1461), um dos principais inovadores da pintura no início do Renascimento, na cidade italiana de Florença. Exerceu influência sobre o artista Andrea Mantegna. Foi aluno de Gentile da Fabriano e trabalhou com Pisanello. Seu trabalho, caracterizado pelo uso da perspectiva e da cor, traz influência de Benozzo Gozzoli. Foi contemporâneo de Fra Angelico, Lorenzo Ghilberti e de Fra Filippo Lippi, sendo que seus primeiros trabalhos mostram a influência desses pintores.

Esta pintura é tida como a obra-prima do artista, na qual ele usa conhecimentos de perspectiva e arquitetura de sua época. Trata-se de um dos primeiros trabalhos do tipo, sem molduras internas e sem um fundo dourado. O cenário apresenta três arcos ogivais, com colunas e nichos em forma de concha. No piso, feito de losangos nas cores rosa, amarelo e verde-claro, num fundo branco, e na base do trono, o artista fez uso da perspectiva geométrica, renovação que passou a fazer parte da arte italiana.

O retábulo, pintado para o altar principal da Igreja Santa Lúcia de Magnoli, apresenta a Madona, sentada em seu trono de mármore, trazendo no colo, nu e de pé, seu Menino.  Num plano inferior ao trono, da esquerda para a direita, estão quatro santos: São Francisco, lendo e meditando; São João Batista, apontando para a Virgem e seu Menino, em cujo rosto retratou-se o pintor; São Zenóbio, abençoando; e Santa Luzia, ofertando sua salva e palma do martírio. Cada um deles encontra-se muito bem definido dentro de seu espaço, carregando seu respectivo atributo. São Zenóbio, padroeiro de Florença, ao contrário dos outros, está ricamente paramentado. Sua roupa e mitra são ornadas com pedras preciosas, pérolas, placas de ouro e esmalte.

As cores da pintura são delicadas, assim como a presença da luz vinda de cima, do pátio a descoberto, onde se encontra um jardim, como mostram os ramos e frutos de três laranjeiras e o céu azul. A luz da manhã, clara e difusa, mas inclinada, como comprova a sombra atrás da madona, entra por cima e espalha-se por todo o ambiente. A maneira como a luz foi projetada, acentuando os perfis, realçando formas, roupas e auréolas marginadas por ouro, é o elemento mais inovador desta obra.

Obs.: O friso deste retábulo foi desmembrado e partes dele encontram-se hoje nos museus de Washington (São João no Deserto), Cambridge (Milagre de São Zenóbio, Anunciação) e Berlim (Martírio de Santa Luzia).

Inscrição latina no degrau: “A obra de Domenico Veneziano. Ó Mãe de Deus, tende misericórdia de mim. Amém.”.

Ficha técnica
Ano: 1445
Técnica: têmpera e óleo sobre madeira
Dimensões: 209 x 213 cm
Localização: Galleria deglu Uffizi, Florença, Itália

Fontes de pesquisa
A Enciclopédia dos Museus/ Mirador
http://www.wga.hu/html_m/d/domenico/venezian/4magnol.html
https://www.britannica.com/biography/Domenico-Veneziano
http://www.uffizi.org/artworks/santa-lucia-de-magnoli-altarpiece-by-veneziano/

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Historiando T. Jobim e V. de Moraes – A FELICIDADE

Autoria de Lu Dias Carvalho

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O professor abandonou seus livros por um instante, naquela noite fria, descansando seus óculos de aros quadrados sobre a mesa, e pôs-se a pensar sobre o que era realmente o sentimento de felicidade, tão buscado pelo homem em sua caminhada sobre a Terra. Depois de uma viagem pelos caminhos da natureza humana, ele chegou à melancólica conclusão de que a “Tristeza não tem fim/ Felicidade sim”.

O mestre perdeu-se em interrogações. Se “A Felicidade é como uma gota/ De orvalho numa pétala de flor/ Brilha tranquila/ Depois de leve osciala/ E cai como uma lágrima de amor”, por que todos os homens, ricos e pobres, buscam-na com sofreguidão? E concluiu que, se o contentamento do rico é passageiro,  “A felicidade do pobre parece/ A grande ilusão do carnaval”, pois “A gente trabalha o ano inteiro/ Por um momento de sonho/ Para fazer a fantasia/ De rei ou de pirata ou jardineira/ Pra tudo se acabar na quarta-feira”. Quanta ironia do destino!

O professor, em seu cismar, mais uma vez compreendeu que “Tristeza não tem fim/ Felicidade sim”, portanto, quando ela bate à porta, é preciso deixá-la entrar e vivê-la intensamente, sem buscar justificações, pois “A felicidade é como uma pluma/ Que o vento vai levando pelo ar/ Voa tão leve/ Mas tam a vida breve/ Precisa que haja vento sem parar”.

O mestre botou-se a pensar, e perguntou-se onde se encontraria a sua felicidade naquele momento. Ele então murmurou para si mesmo: “A minha felicidade está sonhando/ Nos olhos da minha namorada/ É como esta noite/ Passando, passando/ Em busca da madrugada”. E pediu a seus pensamentos: “Falem baixo, por favor/ Pra que ela acorde como o dia/ Oferecendo beijos de amor”, uma vez que “Tristeza não tem fim/ Felicidade sim”, embora sejam verso e reverso de uma mesma moeda.

Obs.: ouça A FELICIDADE

Nota: obra de Leonid Afremov

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Simone Martini e Lippo Memmi – A ANUNCIAÇÃO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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O retábulo Anunciação é obra dos pintores italianos Simone Martini e seu cunhado LippoMemmi, dois mestres jovens da escola de Duccio em Siena. Mas não se sabe com exatidão qual foi a parte feita por um e por outro. Presume-se que Martini pintou o painel central e Memmi os painéis laterais com os santos (Ansanus e Margareth) e os medalhões com os profetas (Jeremias, Ezequiel, Isaías e Daniel) na parte superior. Tal retábulo foi feito para ornamentar a Capela de San Ansano da Catedral de Siena. A cena acontece num cenário não realista, ricamente decorado em ouro. As duas figuras delgadas, centrais, são líricas e magnificentes.

Simone Martini (c. 1285?-1344) foi um dos mais famosos mestres do Gótico de Siena, tendo sido muito admirado em sua arte. Trabalhou para o Rei Roberto d’Anjou e foi amigo do poeta Francisco Petrarca. Recebeu influências dos pintores Duccio e Giotto e do escultor Giovanni Pisano, assim como da arte francesa. Sua obra tornou-se admirada pela elegância, sensibilidade e lirismo, ultrapassando as fronteiras italianas.  É tida como a mais importante do século XIV.  De Lippo Memme só se sabe a data de seu falecimento provável —1347? Esses dois mestres comungavam do gosto dos artistas franceses e ingleses por formas delicadas e líricas.

Na composição acima Maria encontra-se majestosamente assentada em sua cadeira de madeira toda decorada. Encontra-se visivelmente surpresa com a chegada do anjo Gabriel, a ponto de retrair-se. Ela segura na mão esquerda um livro vermelho, entreaberto pelo polegar, como se o estivesse lendo anteriormente e faz um gesto de susto e humildade. Seu corpo reclina-se para a esquerda e a cabeça volta para a direita, enquanto observa o mensageiro de Deus. Com a mão direita segura a gola de seu longo manto que se arrasta pelo chão de pedra.

O anjo Gabriel desce do Céu para levar a mensagem de Deus à Virgem. Suas asas são ricamente trabalhadas, assim como suas vestes, e ele tem na cabeça uma coroa de oliveira. Traz na mão esquerda um ramo da mesma planta, simbolizando a paz e sua missão de anunciador. De sua boca saem as palavras “Ave gratia plena”. A mão direita mostra-se erguida, como se ele estivesse prestes a dar a sua mensagem. Suas asas estão emolduradas pelo arco ogival da esquerda.

No centro da composição, no alto do arco ogivado, há uma pomba, símbolo do Espírito Santo, rodeada por querubins de quatro asas. E na parte inferior, abaixo da ave, vê-se um primoroso vaso com cinco ramos de açucenas, colocado num chão de pedras, representando a pureza de Maria. Ambos preenchem o espaço vazio entre as duas figuras. Os corpos esguios com curvas suaves estão cobertos por vestimentas flutuantes. As duas figuras são encaixadas com maestria no complexo formato do retábulo, sendo as asas do anjo emolduradas pelo arco ogival à  esquerda, enquanto o corpo da Virgem recolhe-se, emoldurado pelo arco ogival  da direita.

Nesta pintura a beleza dos gestos cria uma espécie de arabesco  parecidos com o das esculturas hindus e com as figuras japonesas e também com as iluminuras francesas. Os corpos são sutilmente esguios e as vestimentas fluidas possuem curvas suaves. Toda a pintura lembra um minucioso trabalho de ourives, com as figuras sobressaindo do fundo dourado, tendo sido ali habilmente colocadas no complexo formato de retábulo.  Observem como o corpo da Virgem se retrai para ficar emoldurada pelo arco ogival da direita, enquanto as asas do anjo são emoldadas pelo da esquerda. Esta pintura é tida como uma das mais belas obras-primas da arte gótica.

Ficha técnica:
Ano: 1333
Técnica: têmpera sobre madeira
Dimensões: 184 x 210 cm
Localização: Galleria degli Uffizi, Florença, Itália

Fontes de pesquisa:
1000 obras-primas da pintura europeia/ Edit. Könemann
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
A história da arte/ E. H. Gombrich

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Mestres da Pintura – GIUSEPPE ARCIMBOLDO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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É um pintor de raro talento, com imensos conhecimentos noutras disciplinas e, tendo provado o seu valor, quer como artista quer como pintor exótico, não só no seu país, mas também no estrangeiro recebeu os maiores louvores, de tal modo que a sua fama chegou à corte imperial da Alemanha. (Paolo Morigia)

Se Arcimboldo possuía um pendor natural para as caricaturas e um estilo ilusionista de pintar […] o que não há dúvida é que se pode afirmar que enveredou por um caminho completamente diferente novo durante a sua estadia em Praga, que persistiu teimosamente em criar um estilo pessoal que nunca tinha sido visto e era tão singular que ainda hoje ele (Arcimboldo) é famoso por isso. (Benno Geiger )

 Parece óbvio que Arcimboldo, tal como Platão, via o universo inteiro — homens, animais e plantas — como uma unidade, e pintou os seus quadros, tendo em mente essa unidade. (Werner Kriegeskorte)

O famoso pintor italiano Giuseppe Arcimboldo (1527-1593) nasceu em Milão. Era filho de Chiara Parisi e de Biagio Arcimboldo, também pintor. Notícias sobre o início de sua vida artística são relativas à sua idade de 22 anos, quando recebeu a incumbência de desenhar vitrais ao lado do pai para a Catedral de Milão. Mas é sabido que ele recebeu formação na oficina de seu pai, onde aprendeu a trabalhar com vitrais, tapeçarias e afrescos para igrejas.

O austríaco Benno Geiger, historiador de arte, escritor e tradutor, acha que o pintor recebeu influência dos flamengos Johannes e Ludwig Karcher. Como Arcimboldo nasceu durante a transição do Renascimento para o Maneirismo, nada mais do que normal encontrar na sua obra influência das duas correntes. Ele foi singular em sua arte, criando um estilo original que pode ser classificado como “maneirista-naturalista”, ao criar imaginativos retratos e alegorias.

Giuseppe Arcimboldo em 1562  foi para Praga — na época capital do reino da Boêmia e hoje República Tcheca — a convite do Imperador Fernando I, permanecendo ali como retratista e copista da corte. Era muito estimado e bem pago, produzindo não apenas quadros, mas também outras obras de arte como peças em madeira. Seus trabalhos artísticos eram raros e muito delicados, encantando o imperador e toda a sua corte. Foi sob a tutela do Imperador Fernando I que pintou a primeira série de as “Quatro Estações”.

Morrendo Fernando I, assumiu o trono o seu filho Maximiliano II, como rei da Boêmia e do Santo Império Romano-Germânico. O novo rei teve por Arcimboldo a mesma estima que tinha seu pai. Com a morte desse, subiu ao trono Rudolfo II, grande amante das artes que também manteve Arcimboldo na corte, cada vez mais valorizado, inclusive presenteou sua família com um título de nobreza. Por sua vez, o artista mimoseou-o com 150 esboços de máscaras, toucados e objetos de fantasia.

Arcimboldo, por ser muito talentoso e culto, sendo inclusive estudioso das ideias filosóficas dos antigos gregos, era também arquiteto, cenógrafo, engenheiro e especialista em arte na corte. Organizava torneios e festejos, desenhando trajes e criando novas formas de entretenimento numa inigualável criatividade. Ele tomou Giambattista Fonteo como seu ajudante e amigo. Ao inteirar 26 anos de permanência com a família imperial, expressou sua vontade de voltar à sua terra natal — Milão. Mesmo liberado, prometeu continuar prestando serviços à corte. Durante o tempo em que ali se manteve, o artista tomou conhecimento das obras de Bosch, Brueghel, Cranach, Grien e Altdorfer.

Em 1593, depois de receber de Rudolfo II uma de suas mais elevadas ordens, morreu Giuseppe Arcimboldo, supostamente aos 66 anos de idade, uma vez que não se tem, com certeza, a data de seu nascimento.

Apesar de toda a fama que teve em vida, Giuseppe Arcimboldo foi esquecido após sua morte, passando praticamente despercebido durante os séculos XVII e XVIII. Porém, em 1885 o Dr. Carlo Casati publicou um tratado chamado “Giuseppe Arcimboldi – pintore milanesi”, sobre o artista. No século XX vários artigos sobre o pintor foram publicados. Ele foi descoberto pelos artistas, sendo que os surrealistas viram nele um precursor. Segundo alguns estudiosos da arte são possíveis de encontrar, ainda que sejam superficiais, semelhanças de sua arte nas obras de Salvador Dalí e Max Ernest.

Atualmente é cada vez maior o interesse pelas obras de Giuseppe Arcimboldo. Ele não pintou apenas quadros estranhos e fantásticos, mas também obras tradicionais, muitas delas perdidas no tempo, infelizmente.  O artista tem sido estudado por historiadores e críticos de arte, encontrando esses grandes dificuldades em identificar suas obras, pois ele quase nunca as assinava, além de repetir suas séries, fazendo algumas pequenas modificações.

Fontes de pesquisa:
Arcimboldo/ Editora Paisagem
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
https://www.nga.gov/exhibitions/2010/arcimboldo/arcimboldo_brochure.pdf

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ALAIN DELON E MICK JAGGER

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Esta fotografia mostra o então jovem ator francês Alain Delon, hoje octogenário, responsável por papéis famosos em filmes como o clássico suspense “O Sol por Testemunha”, em 1959, “Rocco e Seus Irmãos”, em 1960, e um dos filmes mais aplaudidos da história do cinema, “O Leopardo”, em 1963, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes, dentre outros.

Quando jovem, entre os anos 60 e 70, o ator figurou como símbolo sexual, em razão de sua beleza. Ele, no entanto, sempre se empenhou em se ver livre de tal rótulo, e mostrar que era na verdade um grande astro.

Ao lado de Alain Delon e de sua amiga encontra-se o inglês Mick Jagger, hoje septuagenário, roqueiro e vocalista de uma das bandas mais conhecidas do mundo, a famosa The Rolling Stones. Além de cantor, Jagger é também compositor e letrista.

Na foto em questão, quem parece levar a melhor é o ator francês, que recebe toda a atenção da moça voltada para si, enquanto o inglês, de cabeça baixa, fuma o seu cigarro. Talvez a escolha tenha sido em razão dos trajes usados pelos dois moços. Enquanto Delon enverga um belo terno, acompanhado de sapatos pretos reluzentes e cabelos bem cortados, Jagger usa roupas sem nenhum glamour, acompanhadas de um par de sapatos velhos e sujos, acompanhados de uma meia preta e outra branca, com seus cabelos sem corte. Mas o futuro trataria de recompensá-lo, pois até hoje é famoso e reconhecido por onde passa, enquanto Delon já entrou para o anonimato.

 Fonte da fotografia: http://www.gettyimages.com/

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Rembrandt – LIÇÃO DE ANATOMIA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição Lição de Anatomia foi pintada pelo pintor holandês Rembrandt Harmensz (1606-1669). Ele foi aluno de Jacob van Swanenburgh e de Pieter Lastman. Tornou-se mestre independente, partilhando uma oficina com o pintor Jan Lievens. Apesar de seu grande talento passou por grandes dificuldades financeiras, perdendo até mesmo sua casa e sua rica coleção de arte e raridades, vendidas para pagar dívidas. Rembrandt é considerado um dos mais importantes pintores e artistas gráfico de sua época. Dentre os temas de seus trabalhos sobressaem, sobretudo, os temas religiosos e os retratos.

A obra que se vê acima é um fragmento do quadro de Rembrandt, donominado Lição de Anatomia cuja maior parte foi destruída por um incêndio, em 1723. Ao lado do fragmento encontra-se o desenho da composição original, para que o leitor possa entender melhor o quadro do pintor, antes de a pintura ser queimada.

A obra era simétrica, ficando o corpo de Joris Fonteyn, conhecido por Zwarte Jan,  e condenado à morte por roubo,  no centro da composição. Atrás do corpo está o professor, que disseca o cérebro, estudando-o com os alunos. A cabeça do mestre, segurando uma pinça, pereceu no incêndio. Os alunos que assistiam à aula de anatomia postavam-se em volta do professor, sob os arcos, formando dois grupos, conforme mostra o desenho. O assistente situa-se próximo ao professor, segurando a parte de cima da calota craniana, retirada da cabeça do cadáver, e friamente descansa a mão esquerda na cintura, como se se tratasse de algo muito corriqueiro.

O mais interessante é que a ausência de três quartos da tela original fez com que o fragmento tivesse uma semelhança ainda maior com o “Cristo Morto”, de Mantegna, semelhança essa já notada na concepção da obra. A impessoalidade do assistente torna a figura do morto ainda mais triste e desolada.

Esta composição tinha por objetivo decorar a sala de Anatomia da Corporação dos Cirurgiões, no Sint Anthonieswaag, em Amsterdam.

Ficha técnica (fragmento)
Ano: 1656
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 100 x 134 cm
Localização: Rijksmuseum, Amsterdam, Holanda

Fonte de pesquisa
A Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

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