Filme – CANTANDO NA CHUVA

Autoria de Lu Dias Carvalho

Rain

O número de dança “Singin’in the Rain” é o mais memorável desempenho de dança num filme. (Peter Wollen)

O número de dança de O’Connor, em “Make ‘Em Dance”, continua sendo uma das mais espantosas sequências já filmadas. (Roger Ebert)

Senhores e senhoras, segurem essa garota! É dela a voz que vocês acabaram de ouvir e que tanto amaram nesta noite. Ela é a verdadeira estrela deste filme – Kathy Selden. (Don Lockwood)

O filme Cantando na Chuva (1952), dirigido por Stanley Donen e com a coreografia supervisionada por Gene Kelly, é um clássicos dentre os musicais. É diferente por integrar as canções ao roteiro do filme, não interrompendo a narrativa para mostrá-los. É ambientalizado no ano de 1928, época em que o cinema falado, conhecido como os “talkies”, emergiu, deixando Hollywood baratinada, pondo um fim à produção de filmes mudos. Foi um filme feito sem grandes pretensões, sendo que apenas duas de suas canções foram criadas especialmente para ele, e seus cenários e acessórios foram retirados dos galpões, onde se armazenavam os cenários dos filmes, já produzidos, da companhia de filmagem MGM. Os principais artistas do elenco são Gene Kelly (Don Lockwood), Donald O’Connor (Cosmo Brown) Debbie Reynolds (Kathy Selden) e Jean Hagen (Lina Lamont).

A atuação dos quatro artistas citados é surpreendente. Os três bailarinos passaram por ensaios esmerados, antes de darem início à filmagem, resultando em números de dança arrebatadores. Chama a atenção o número em que Kelly dança todo molhado, embalado pela música “Singin’in the Rain”. O mesmo encantamento acontece com Donald O’Connor, ao se contorcer sob os acordes de “Make ‘Em Laugh”, fazendo piruetas incríveis, como se fosse um boneco de pano: dança com um boneco, dá cambalhotas, pula numa parede de tijolos e em apoios de madeira e transpassa parte do cenário. Outra parte muito interessante é aquela em que Kelly e O’Connor assistem aulas de dicção com um professor e dançam “Moses Supposes”, canção composta para o filme. E não podemos nos esquecer de “Good Morning”, quando o trio começa dançando na cozinha.

À época em que Cantando na Chuva foi feito, apenas Debbie Reynolds era uma novata, tendo atuado apenas em cinco filmes, fazendo papeis insignificantes. Gene Kelly e Donald O’Connor, além de serem dois grandes bailarinos, já eram conhecidos, assim como Jean Hagen. A determinação da garota, porém, colocou-a no mesmo patamar dos dois dançarinos. O filme transmite alegria do princípio ao fim. E, como acontece na imensa maioria dos musicais, o amor não poderia faltar. Kathy Selden e Don Lockwood apaixonam-se um pelo outro. Mas o mais importante no filme é mostrar a mudança pela qual a indústria do cinema teve que passar, na transição do cinema mudo para o falado, mostrando todos os problemas dos tempos iniciais: dificuldades na gravação do som com microfones ocultos nos mais inusitados lugares, a voz estridente de grandes mitos do cinema mudo, impossível de ser aceita no falado, como mostra Lina Lamont, vista na película como uma loira burra.

O filme inicia mostrando a estreia de “O Patife”, quando uma multidão de fãs aguarda a chegada dos astros, num frenesi total. A presença de Don Lockwood e Lina Lamont deixa o público histérico. Mas somente Don usa da palavra, enquanto Lina faz “caras e bocas”. Seu silêncio perdura na apresentação do filme, pois sua voz é insuportavelmente feia. Ela, até então uma grande artista do cinema mudo, fica chateada, pois é incapaz de perceber a má qualidade de sua dicção e voz. Quando a estreia acaba, Don, para fugir da multidão, acaba pulando de um ônibus dentro de um carro de uma garota – Kathy Selden. E aí que a relação entre os dois começa.

Os astros Don Lockwood e Lina Lamont estão trabalhando na filmagem do filme sonorizado “O Cavaleiro Duelante”. Ao testá-lo junto ao público, vê-se que é um fiasco total. Don e Lina estão em apuros, com a carreira ameaçada. Porém, Kathy, Don e Cosmo têm a ideia genial de transformá-lo num musical. Felizes com a ideia, o trio canta “Good Morning” e dança.

Apesar do tempo, Cantando na Chuva continua como o musical mais lembrado da história do cinema, com muitas de suas imagens sendo reproduzidas, tendo recebido inúmeras homenagens e sendo citado em várias produções posteriores. É simplesmente fantástico. Vale a pena conferir. “Que adorável sensação!”.

Curiosidades:
• Jean Hagen é quem dubla a sua própria voz, quando o filme mostra Debbie Reynolds dublando-a, enquanto canta.
Cantando na Chuva faz uma homenagem a Broadway, aos musicais…
• Ao se dar conta de que as canções eram antigas, a direção do filme optou por contextualizá-lo no passado.
• O filme faz inúmeras homenagens, lembrando que: havia realmente estrelas cuja voz tinha que ser dublada, pois não se adequavam ao cinema falado; o movimento de cabeça dos atores, ainda não adaptados aos microfones, fazia estragos; os diálogos e estreias com vozes não sincronizadas e estrelas que não aceitavam ser dubladas, etc.
• O salto de Don Lockwood para dentro do carro de Kathy Selden foi feito por um dublê – Russel Saunders.
• A atriz e dançarina Cyd Charisse recorda que Kelly agarrava-a com tanta força, durante os números musicais, que seu corpo ficava com hematomas.
• A chuva no filme é uma mistura de água com leite, a fim de sair visível na tela.
• Donald O’Connor passou uma semana no hospital recuperando-se, após o término do filme, pois a jornada chegava a 19 horas diárias.
Cantando na Chuva foi relembrado em filmes como “Quanto mais Quente Melhor”, Primavera para Hitler”, “Alien- O Oitava Passageiro”, “Laranja Mecânica”, “Intriga Internacional” e “Fama”, entre outros.

Fontes de pesquisa
A Magia do Cinema/ Roger Ebert
Folha Apresenta/ Coleção Folha

Views: 11

Ticiano – DÂNAE A RECEBER A CHUVA DE OURO

Autoria de Lu Dias Carvalho

darechou

A composição denominada Dânae a Receber a Chuva de Ouro é uma obra do pintor italiano Tiziano Vacellio, conhecido por Ticiano. O rei Fillipe II, ao ficar noivo de Maria Tudor, encomendou ao artista uma série de pinturas mitológicas, que esse denominou “Poesie”, sendo esta pintura o primeiro trabalho a ser enviado ao monarca.

A voluptuosa Dânae encontra-se nua, recostada nas almofadas que compõem o seu leito branco, com as pernas ligeiramente entreabertas, quando recebe a visita de Júpiter (Zeus), que a fecunda através de uma chuva de moedas de ouro. Ela se mostra tranquila, olhando para cima, como se não entendesse o que está acontecendo. Sua mão direita descansa na almofada e a esquerda entre as pernas. À sua direita encontra-se um cãozinho enrodilhado, dormindo tranquilamente.

Sentada no leito de Dânae, sobre uma colcha vermelha, encontra-se uma mulher malvestida, guardiã da torre, onde se encontra confinada a princesa, conforme mostram as chaves penduradas na sua cintura. Ao ver as moedas de ouro cair sobre a jovem, ela levanta, sôfrega, seu avental, no intuito de pegar algumas.

Através da abertura na torre, vê-se um céu acinzentado, com nuvens turbulentas, próximas à presença de Júpiter, em forma de chuva de ouro, onde um clarão dourado faz-se presente, cobrindo parte da cortina vermelha, à esquerda.

Segundo o mito, a bela Dânae era filha do rei Acrísio, que ambicionava ter um filho, para sucedê-lo. Assim, resolveu consultar o oráculo de Delfos sobre a chegada de um menino. Contudo, a resposta recebida deixou-o profundamente preocupado. Segundo a predição do oráculo, ele seria morto por seu próprio neto, ou seja, pelo filho de Dânae. Temeroso, Acrísio aprisionou a filha numa torre, muito bem vigiada, para que ela não tivesse contato com nenhum humano ou divindade, vindo a gerar um filho.

Zeus (Júpiter) que sempre traíra a esposa Hera (Juno), viu-se apaixonado pela princesa Dânae e, para ter acesso a ela, transmutou-se numa chuva de ouro, que se entranhou por uma rachadura no teto, engravidando-a. Ela viria a dar à luz o herói Perseu, responsável por matar a Medusa. Ao tomar conhecimento do acontecido, o rei ordenou que mãe e filho fossem postos numa arca, bem fechada, e jogados no mar. Quis o destino que a arca fosse encontrada por um pescador, que levou ambos ao rei de seu país, Polidectes, que os recebeu com muita alegria.

Ticiano fez, no mínimo, cinco representações desta tela, com poucas variações. O cãozinho, por exemplo, está fora de algumas delas. A primeira encontra-se em Napóles. Essas obras mitológicas eróticas foram muito influentes no trabalho de outros pintores.

Ficha técnica
Ano: c. 1551-1553
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 129 x 180 cm
Localização: Museu Nacional do Prado, Madri, Espanha

Fontes de pesquisa
Ticiano/ Taschen
https://translate.google.com.br/translate?hl=ptBR&sl=en&u=http://artandcritique.com/titian-danae-with-nursemaid

Views: 44

OS MOSAICOS DA IGREJA DE SÃO VITAL

Autoria de Lu Dias Carvalho

Laoc1    Laoc12

A Igreja de São Vital, situada na cidade de Ravena, na Itália, e construída lá pelo meio do século VI, é tida como uma das obras-primas da arquitetura da arte bizantina, capaz de deixar o visitante extasiado. Além da beleza das diferenças entre luz e sombra, os mosaicos ali existentes são um esplendor à parte.

A técnica do mosaico (imagens formadas a partir de pastilhas coloridas, normalmente de vidro, unidas com gesso) tão incorporada pela arte bizantina, originou-se da técnica romana, na qual se distinguiam os artistas orientais, no entanto, havia diferenças entre uma arte e outra.

Na semi cúpula da abside da Igreja de São Vital, de frente para o observador, na parte que representa o Céu, estão cinco figuras. No meio, está Cristo, sentado sobre um globo azul, representando o Universo. Ele usa uma usa túnica de um tecido purpurino, bordada em ouro e cheia de estrelas. Com o braço direito estendido, traz na mão a coroa de Imperador do Cosmo e um bastão dourado, e na esquerda, o Evangelho. Representado como o Imperador do Mundo, o Evangelho que segura simboliza a lei através da qual governa. Abaixo do globo, na parte verde representando a natureza, estão quatro pequenos rios que parecem fluir de seu trono. Simbolizam os rios da graça divina que dão vida ao campo coberto de flores, onde se destacam os lírios.

Cristo está ladeado por dois arcanjos vestidos de branco, como se ali estivessem para zelar pelo seu imperador. À direita do Redentor, logo após o anjo, encontra-se São Vital, padroeiro da Igreja. Ele está elegantemente vestido. Em sinal de humildade, esconde suas mãos sob o manto bordado. No lado contrário, também depois do anjo, está o bispo Ecclesius da cidade de Ravena, usando os paramentos religiosos e trazendo nas mãos o modelo da igreja de São Vital.

Como uma característica da arte bizantina, as figuras são rígidas e as expressões faciais mostram grande imobilidade. O fundo dourado demonstra o esplendor da riqueza. Abaixo do mosaico em questão encontram-se dois outros. No da esquerda está o Imperador Justiniano e no da direita a Imperatriz Teodora. Quanto à coroa na mão de Cristo há também a interpretação de que esteja sendo entregue a São Vital, coroado como mártir.

Fontes de pesquisa
Para entender a arte/ Maria Carla Prette
História da Arte Ocidental/ Editora Rideel
https://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=en&u=http://www.sacred-destinations.com/italy/ravenna-san-vitale&prev=search

Views: 70

PEPPA PIG – O QUE ENSINA AOS PEQUENINOS?

Autoria de Lu Dias Carvalho

PEPPA

O desenho fascina pela identificação direta com a vidinha de seus espectadores. Eles veem o que eles mesmos vivem. (Ana Laura Giongo)

O programa infantil Peppa Pig, recomendado para crianças em idade pré-escolar, ou seja, na faixa etária de até seis anos, vem batendo recordes de audiência no Discovery Kids, canal de televisão por assinatura, responsável pela série desde 2011. A paixão dos pequeninos por Peppa Pig e sua família é tão grande, que o programa britânico, criado em 2004, e visto em cerca de 180 países, bate, em número de espectadores, até mesmo as atrações dos adultos. A maioria dos pais, obrigados a acompanhar as peripécias de Peppa, ao lado de seus pimpolhos, nada têm a reclamar das histórias da charmosa porquinha, embora não reste dúvida de que a Mamãe Pig é bem mais sensata e inteligente do que o Papai Pig. Será isso mesmo?

No desenho, Peppa Pig tem quatro ou cinco anos, sendo que sua família é composta pela Mamãe e Papai Pig (pais), George Pig (irmão), Vovó e Vovô Pig (avós maternos), Chloe Pig (prima) e Alexander Pig (primo). Dentre os amigos de Peppa Pig estão: Susy (ovelha), Rebecca (coelha), Pedro (pônei), Danny (cão), Candy (gato), Emily (elefante), Freddy (raposo) e Wendy (lobo).

A vida de Peppa Pig, assim como a de seus pequenos escpectadores, segue dentro da normalidade típica de sua faixa etária. Como toda criança de sua idade, ela é questionadora, sempre perguntando o que é isso ou aquilo. E também é mandona, gostando de dar ordens e levar sempre a melhor.

A série britânica chama a atenção pela simplicidade do traço e pelas cores vistosas, além de apresentar números musicais com letras bem simples e de fácil memorização. O sucesso do programa entre as crianças brasileiras é tamanho, que Peppa Pig passou a ser exibido pela TV Cultura (TV aberta), em maio de 2015.

Nem tudo são flores para Peppa Pig, familiares e amigos. Questionamentos como “O que Peppa Pig está realmente ensinando a nossas crianças?” já começam a ser feitos. Uma mãe inglesa revela que está banindo a série de sua casa. Ela alega que, no desenho, as crianças são estragadas, o marido (Papai Pig) é sempre intimidado pela esposa (Mamãe Pig), que é temperamental, arrogante, sabichona e dificilmente sorri. Abusa do marido, fazendo-o sentir-se gordo e inútil. Diz que Peppa Pig é mandona, agressiva, gosta de intimidar o irmão, e tem toda a atenção dos pais voltada para si, fazendo o divertimento desses. Ela não sabe perder, pondo a língua para fora, quando isso acontece, e exibe muitos outros comportamentos antissociais. Ainda, segundo a mãe, “as crianças nessa idade não diferenciam fantasia e realidade”.

Mal educada ou não, a porquinha Peppa já é uma bilionária, com cerca de 250 produtos licenciados, e isso apenas no Brasil.

Fontes de pesquisa
Veja/ outubro de 2014
https://pt.wikipedia.org/wiki/Peppa_Pig
http://www.dailymail.co.uk/femail/article-2966958/What-s-Peppa-Pig-REALLY-teaching-children-One-mother-reveals-s-banning-bratty-hog-home.html

Views: 16

CEM BONS FILMES INDICADOS (I)

Autoria de Adevaldo R. de Souza

marbran

O Cinema para mim é uma arte para quem faz e diversão para quem assiste. Tem a função de emocionar, fazer rir e também fazer esquecer tudo em volta. Às vezes eu assisto a filmes só para tentar captar a essência da mensagem de quem o fez. Quando estou assistindo a um filme, não gosto de barulho e fico bravo ao ser interrompido. É concentração total.

Para fazer a minha lista de “100 bons filmes”, separei-os em gêneros: Ação/Aventura; Drama; Comédia; Ficção; Western; Guerra; Musical; Policial; Terror/Thriller/Suspense e Erótico. Tenho preferência por filmes de ação com suspense. Gosto mais dos que me prendem na cadeira do início ao fim e, depois de terminados, deixam aquele gostinho de quero mais. Quando os filmes de Western juntam esses ingredientes e no final o bandido leva bala, acho o máximo.

Os filmes citados encontram-se em ordem alfabética:

1. 2001: Uma Odisseia no Espaço (Stanley Kubrick)
2. A Bela da Tarde (Luis Buñel)
3. A Doce Vida (Federico Fellini)
4. A Inocente Face do Terror (Robert Mulligan)
5. A Lista de Schindler (Steve Spielberg)
6. A Ponte do Rio Kwai (David Ryan)
7. A Trilogia de Apu (Satiyajit Ray)
8. Acima de Qualquer Suspeita (Alan J. Pakula)
9. Acossado (Jean-Luc Godard)
10. Apocalipse Now (Francis Ford Coppola)
11. As Aventuras de Robin Hood (Michael Curtiz)
12. Austrália (Baz Luhrmann)
13. Blow-Up – Depois Daquele Beijo (Michelangelo Antonioni)
14. Bonnie and Clyde – Uma Rajada de Balas (Arthur Penn)
15. Butch Cassidy (George Roy Hill)
16. Caçadores da Arca Perdida (Steven Spielberg)
17. Carruagem de Fogo (Hugh Hudson)
18. Chinatown (Roman Polanski)
19. Cidadão Kane (Orson Welles)
20. Cinema Paradiso (Giuseppe Tornatore)
21. Código de Conduta (F. Gary Grey)
22. Coisas Belas e Sujas (Stephen Frears)
23. Coração Satânico (Alan Parker)
24. Cria Cuervos (Carlos Saura)
25. Dança com os Lobos (Kevin Kostner)
26. De Olhos Bem Fechados (Stanley Kubrick)
27. Deus e o Diabo na Terra do Sol (Glauber Rocha)
28. Discreto Charme da Burguesia ( Luis Buñuel)
29. Doze Homens e Uma Sentença (Sidney Lumet)
30 . Dúvida (John Patric Shanley)
31. E o Vento Levou (Victor Fleming)
32. E.T. – O Extraterrestre (Steven Spielberg)
33. Forrest Gump – O Contador de Histórias (Robert Zemeckis)
34. Gladiador (Ridley Scott)
35. Gritos e Sussurros (Ingmar Bergman)
36. Guerra nas Estrelas (George Lucas)
37. Guerra nas Estrelas: Episódio 4 – Uma Nova Esperança (George Lucas)
38. Janela Indiscreta (Alfred Hithcock)
39. Juventude Transviada (Nicholas Ray)
40. Lanternas Vermelhas (Zhang Yimon)
41. Laranja Mecânica (Stanley Kubrick)
42. M*A*S*H (Robert Altman)
43. Mad Max (George Miller)
44. Metrópolis (Fritz Lang)
45. Meu Ódio Será Sua Herança (Sam Peckinpeah)
46. Morangos Silvestres (Igmar Bergman)
47. Muito Além do Jardim (Hal Ssshby)
48. Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Woody Allen)
49. Nosferatu (F.W. Murnau)
50. O Baile (Ettore Scola)
51. O Bebê de Rosimary (Roman Polanski)
52. O Conformista (Bernard Bertolucci)
53. O Doze Condenados (Robert de Niro)
54. O Império dos Sentidos (Nagisa Oshima)
55. O Juiz (David Dobkin)
56. O Leopardo (Luchino Visconti)
57. O Mágico de Oz (Victor Fleming )
58. O Pianista (Roman Polanski)
59. O Piano (Jane Campion)
60. O Poderoso Chefão (Francis Ford Coppola)
61. O Poderoso Chefão II (Frances Ford Coppola)
62. O Rei Leão (Roger Allers)
63. O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel (Peter Jackson)
64. O Sexto Sentido (M. Night Shyamalan)
65. O Silêncio dos Inocentes (Jonathan Demme)
66. O Último Imperador (Bernard Bertolucci)
67. O Vampiro de Düsseldorf (Fritz Lang)
68. Olga (Jayme Monjardim)
69. Onde os Fracos não Tem Vez (Joel Coen)
70. Onze Homens e um Segredo (Lews Milestone)
71. Os Bons Companheiros (Martin Scorsese)
72. Os Brutos Também Amam (George Stevens)
73. Os Imperdoáveis (Clint Westwood)
74. Os Intocáveis (Brian De Palma)
75. Os Miseráveis (Richard Boleslawski)
76. Os Sete Samurais (Akira Kurosawa)
77. Paris, Texas (Win Wenders)
78. Perdidos na Noite (John Schlesinger)
79. De Frente para o Perigo (Peter Hyams)
80. Primeira Noite de um Homem (Mike Nickols)
81. Psicose (Alfred Hitchcock)
82. Pulp Fiction – Tempo de Violência (Quentin Trantini)
83. Ran (Akira kurosawa)
84. Rede de Intrigas (Sidney Lumet)
85. Sem Destino (Dennis Hopper)
86. Sétimo Selo (Igmar Bergman)
87. Silverado (Lawrence Kasdan)
88. Sociedade dos Poetas Mortos (Peter Weir)
89. Taxi Driver (Martin Scorsese)
90. Tempos Modernos (Charles Chaplin)
91. Trilogia das Cores (Krzysztof Kieslowsk
92. Um Corpo que Cai (Alfred Hithcock)
93. Um Crime de Mestre (Gregory Hoblit)
94. Um Estranho no Ninho (Milos Forman)
95. Um Sonho de Liberdade (Frank Darabont)
96. Uma Mente Brilhante (Ron Howard)
97. Veludo Azul (David Lynch)
98. Vidas Secas (Nelson R. Pereira)
99. Viver a Vida (Jean-Luc Godard)
100. Z (Costa Gavras)

Views: 28

Filme – O TERCEIRO HOMEM

Autoria de Lu Dias Carvalho

marbran1

Você sabe o que o camarada disse: na Itália, durante os trinta anos dos Bórgias, esses tiveram guerras, terror, assassinatos e carnificinas, mas produziram Michelangelo, Leonardo da Vinci e a Renascença. A Suíça era o reino do amor – tiveram quinhentos anos de paz e democracia, e o que eles criaram? O relógio cuco. (Harry Lime)

O Terceiro Homem reflete o otimismo dos norte-americanos e os esqueletos da Europa do pós-guerra. […] É uma consequência de Casablanca. Nos dois filmes, os heróis são estadunidenses exilados, cercados por um mar de traições e intrigas do mercado negro. […] O Terceiro Homem conta uma história de perda e traição. É maligno, inteligente, e o seu glorioso estilo foi um ato de desafio contra o corrupto mundo que retratou. (Roger Ebert)

O filme conhecido como O Terceiro Homem (1949), em preto e branco, obra do diretor Carol Reed, entra em todas as listas de bons filmes da história do Cinema. Começa chamando a atenção do espectador, ao fazer a apresentação dos créditos sobre as cordas de uma cítara, cujas cordas dançam para cima e para baixo, tocadas por mãos invisíveis. A música de Anton Karas encaixa como uma luva à ação presente no filme. Ele se inicia com um prólogo falado, com a finalidade de introduzir o espectador na história:

“Não conheci Viena com sua música e charme. Vim conhecê-la no período clássico do mercado negro. Havia tudo para quem podia pagar. Uma situação assim tentava amadores, mas, como os profissionais, não resistiram muito. A cidade estava dividida em quatro setores: americano, britânico, russo e francês. O centro, internacionalizado, tinha polícia internacional. Os quatro países revezavam-se. Que chance! A praça cheia de estrangeiros, e ninguém falava o mesmo idioma, a não ser um pouco do alemão. Andavam como companheiros por toda parte. Não estava pior do que as demais capitais europeias. Falo sobre o americano Holly Martins (Joseph Cotten), que veio visitar um amigo, Harry Lime (Orson Welles). Ele lhe ofereceu trabalho e o pobre diabo estava feliz, mas sem um centavo.”

O espectador, portanto, logo fica sabendo que toda a história é passada na cidade de Viena, no pós-guerra, com escombros por todos os lados e crateras deixadas pelas bombas. A cidade encontra-se sob o mando de quatro potências estrangeiras, dentro das quais transitam as mais diferentes figuras e ganham vida as mais vergonhosas intrigas, numa teia de aranha que aprisiona qualquer tipo de escrúpulo. É nesse ninho de cobras que cai, inocentemente, o estadunidense Holly Martins, escritor de “westerns” por profissão e alcóolatra por natureza. Ali fora a convite do amigo Harry Lime, que lhe prometera um emprego. Mas, por infelicidade, chegara à cidade exatamente no dia do enterro de seu Lime.

Ao ouvir algumas informações sobre a morte de Lime, Martins percebe que elas não batem, ou seja, há algo errado. Ele se baseia, sobretudo, na informação repassada pelo porteiro (Paul Hörbiger), de que existia um “terceiro homem” que ajudara a retirar da rua o corpo atropelado de Lime. Martins  passa então a pesquisar o que motivou a morte de seu amigo. É exatamente a sua busca pela veracidade dos fatos que leva ao desenrolar do instigante enredo.

Na história também entram o oficial inglês Calloway (Trevor Howard), que sugere a Martin voltar para casa, depois de dizer que seu amigo é mais sujo do que pau de galinheiro, para depois descobrir que fora mais uma vez enganado por ele; Anna (Alida Valli), a amante russa apaixonada e chorosa de Harry Lime; o corrupto barão Kurtz (Ernst Deutsch), o astucioso doutor Winkel (Erich Ponto), o larápio Popescu (Siegfried); o sargento Paine (Bernard Lee), assistente de Calloway; um garotinho com uma bola de borracha e com cara de poucos amigos, entre outros.

Ao viver Harry Lime, entrando apenas na metade do filme, quando o espectador apenas aguarda o veredito sobre sua morte, Orson Welles dá um show de atuação. Ela é festejada como uma de suas mais famosas atuações e como uma das mais brilhantes intervenções, na história do Cinema. É impossível esquecer o modo como ela se dá:

• o gatinho miando e beirando a parede, enquanto se dirige para a porta fechada;
• a visão de enormes sapatos pretos sobressaindo da sombra;
• o aconchego do felino nos sapatos, brincando com seus cordões;
• os gritos desafiantes de Martins, do outro lado da rua;
• o alvoroço nas janelas, de pessoas que queriam dormir, etc.

Os encontros entre Anna e Holly Martins vão fazendo com que ele fique cada vez mais obcecado por ela. Não mais se importa com o fato de que ela continue sendo grata a Harry Lime, mesmo tomando conhecimento de tudo que ele havia feito. Ela lhe é fiel ao amante por tê-la salvado em meio àquele caos.

A parte final do filme é eletrizante, quando Harry Lime é caçado no enorme sistema de esgoto da cidade de Viena, ficando totalmente sem alternativa para fugir, como se fora um bicho encurralado. O resto fica por conta de cada um, ao assistir a esse filme eletrizante.

Fonte de pesquisa
A Magia do Cinema/ Roger Ebert

Views: 9