Pinturicchio – A COROAÇÃO DE MARIA

Recontado por Lu Dias Carvalho

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Na composição A Coroação de Maria, Pinturicchio apresenta duas cenas: uma divina e outra terrena. Trata-se de uma gigantesca tela, tendo o artista contado com o trabalho do pintor Giovan Battista Caporali.

No céu, sobre nuvens, a Virgem Maria, ajoelhada, está sendo coroada por seu filho Jesus Cristo. Um belo ornamento enfeitado com a cabeça de inúmeros anjos, todos observando a cena, excetuando dois deles, um que olha para cima e outro para baixo, está a emoldurá-los. Atrás, estão dois anjos, sobre nuvens, um à esquerda e outro à direita, tocando harpa e violino, embevecidos com o acontecimento.

Na cena terrena estão presentes os doze apóstolos, todos de pé, e cinco santos, dentre eles São Francisco, todos ajoelhados. Os olhos da maioria elevam-se para o céu, contemplando a cena da coroação de Maria, enquanto dois dos santos olham em direção ao observador. Todos os personagens possuem auréolas, o que prova a divindade dos mesmos.

Ao fundo desenrola-se uma bela paisagem com a presença de uma igreja, árvores, montanhas, etc.

Ficha técnica
Ano: 1503
Técnica: óleo sobre madeira transferido para tela
Dimensões: 330 x 200 cm
Localização: Pinacoteca Apostólica Vaticana, Vaticano, Itália

Fontes de pesquisa
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

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A IMPORTÂNCIA DOS ANTIOXIDANTES

Autoria do Dr. Telmo Diniz

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Todos nós já ouvimos falar em antioxidantes e em como eles “destroem” os radicais livres, mas a maioria das pessoas não sabe realmente o que ocorre quando consumimos essas substâncias. Antioxidantes são substâncias que ajudam o organismo a impedir a ação dos radicais livres dentro das células, evitando danos permanentes que, ao longo do tempo, podem levar ao desenvolvimento das chamadas doenças crônicas não transmissíveis (hipertensão, diabetes, câncer, artrose, demência, etc.). Hoje, veremos quais são os alimentos campeões na atividade antioxidante e, portanto, protetores destas patologias.

Para um melhor entendimento do leitor, os radicais livres são moléculas instáveis, pelo fato de seus átomos possuírem um número ímpar de elétrons. Para atingir a estabilidade, essas moléculas reagem com o que encontram pela frente para “roubar” um elétron e, com isso, causam danos às células. Uma parte do oxigênio que respiramos (cerca de 3%) transforma-se em radicais livres que, até certo ponto, ajudam no combate às infecções e inflamações no corpo. Mas, quando produzidos em excesso, passam a ser prejudiciais. Daí a importância do consumo diário de substâncias antioxidantes como forma de contrabalançar a produção desenfreada destas moléculas reativas.

Normalmente, os antioxidantes são produzidos pelo organismo humano em pouca quantidade e, por isso, é necessário ingerir alimentos ricos em antioxidantes, como as frutas e os vegetais, para evitar o envelhecimento precoce e proteger as células, e o DNA, contra os efeitos deletérios dos radicais livres. Os alimentos com mais antioxidantes, geralmente, são ricos em vitamina C, vitamina E, selênio, carotenoides, entre outros.

Desenvolvido por cientistas do Setor de Pesquisa de Agricultura dos Estados Unidos e pelo Instituto Nacional do Envelhecimento, o Indice Orac (Oxygen Radical Absorbance Capacity) é uma referência na atividade antioxidante de vários alimentos e suplementos alimentares. De forma disparada, o cacau em pó (sem adição de açúcar) é o campeão na atividade antioxidante. Logo em seguida (e que já foi tema nesta mesma coluna) vem todas as “berries” como mirtilo, framboesa, morango, gojiberry, cramberry e açaí, além da romã. A tabela Orac é longa e pode ser acessada em sites especializados da internet.

Hoje em dia, o consumo de substâncias antioxidantes vem aumentando e muitas pessoas podem utilizar este índice para escolher os alimentos com as maiores taxas. O nosso açaí, fruta típica da Amazônia, seria uma escolha sensata para consumo frequente se não fosse bastante calórico. Particularmente, recomendaria os sucos ou chás de romã e/ou de cramberry para consumo diário, pois são saborosos e serão extremamente úteis para a saúde. Para o leitor mais prático, um prato colorido contendo verduras e legumes certamente tem boas concentrações de antioxidantes. Atividades físicas, lazer com amigos e familiares, meditação, oração e boas horas de sono completam as ações que diminuem a formação dos radicais livres, com consequente envelhecimento saudável.

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Pinturicchio – ANUNCIAÇÃO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A Anunciação do pintor italiano e renascentista Pinturicchio é uma das mais complexas, em razão do grande número de detalhes que este belíssimo afresco contém. O artista coloca em segundo lugar a representação dos personagens, que são relativamente pequenos, levando em conta a monumentalidade da arquitetura imaginária do artista e a sua rica decoração feita com ornamentos clássicos.

A cena retrata o encontro entre a Virgem e o anjo mensageiro no interior de um ambiente muito rico. Ela se encontra de pé, em frente a seu genuflexório, onde se vê aberto o seu livro de orações, o que leva o observador a deduzir que ela se encontrava rezando, antes da chegada do anjo. Volta-se para ele, com os olhos cabisbaixos, numa atitude de humildade e submissão. Uma de suas mãos toca o livro, enquanto a outra se encontra em atitude de cumprimento.

O anjo mensageiro, ajoelhado diante de Maria, traz na mão esquerda um ramo de lírios brancos, símbolo da pureza da Virgem, e com a direita cumprimenta-a. Anjo e Virgem possuem as cabeças circundadas por uma auréola, o que legitima a divindade dos mesmos.

À esquerda, na parte superior da composição, vê-se uma nuvem trazendo Deus-Pai com um globo na mão esquerda, tendo uma miríade de anjos a acompanhá-lo. Ele abençoa o encontro entre Maria e seu enviado. Uma pomba branca, representando o Espírito Santo, vinda da nuvem onde se encontra Deus-Pai, aproxima-se de Maria, deixando para trás seu rastro luminoso.

O espaço pictórico onde acontece a cena é imenso. À medida que se aproxima daquilo que parece um terraço, descortina-se uma vista para o jardim e a cidade. À direita, na parte inferior da composição, atrás da Virgem, vê-se na parede o autorretrato do pintor e logo acima dele, um livro aberto. Esta obra é um ponto alto na pintura do Renascimento na Úmbria.  Não foram encontradas suas dimensões.

Ficha técnica
Ano: 1501
Técnica: afresco
Dimensões: [?]
Localização: Cappella Baglioni, Santa Maria Maggiore, Spello, Itália

Fonte de pesquisa
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

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Pinturicchio – DISCUSSÃO DE S. CATARINA DE ALEXANDRIA…

Autoria de Lu Dias Carvalho

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O afresco do pintor italiano Pinturicchio, denominado Discussão de Santa Catarina de Alexandria com os Filósofos Pagãos em frente ao Imperador Maxentius, foi feito sob encomenda do papa Alexandre VI. Localiza-se na Sala dos Santos, Aposentos dos Bórgias. O touro sobre um fascinante arco do triunfo era o emblema da família Bórgia. O artista, neste afresco, demonstra seu gosto pela composição teatral.

O pintor baseou-se numa lenda muito conhecida que narra a discussão de Santa Catarina de Alexandria com os filósofos pagãos da época. Ela era filha do rei e havia se convertido ao cristianismo. Segundo a lenda, Catarina era uma princesa intelectual, nascida em Chipre, que foi decapitada em Alexandria, por ter abraçado a religião cristã, ou seja, por ter tomado Jesus Cristo como seu marido espiritual. À época, a cidade de Alexandria, com sua vasta biblioteca, era tida como o centro cultural mais importante do Império Romano.

No afresco, diversos filósofos orientais, contrários ao cristianismo, estão reunidos numa praça, vindo eles dos mais variados lugares, discutindo com a jovem Catarina sobre a fé cristã. Ela se encontra de pé e de frente para o trono do Imperador Maximino, que preside o debate. A santa usa os dedos para contar os principais pontos de seu argumento, sendo que uma multidão indistinta , que é controlada pelo cavaleiro armado, montado num cavalo branco, acompanha a altercação.

Inúmeros personagens acompanham a discussão, enquanto outros grupos conversam entre si, em diferentes cenas. Também estão presentes crianças e animais. Segundo a lenda, com a sua inteligência, ela acabou vencendo todos os filósofos, mas ainda assim, acabou sendo sacrificada. Na pintura chama a atençaõ a figura do filósofo com um turbante branco, usando uma túnica com fundo branco e bordados, e uma capa marrom sobre a mesma. Ele traz as mãos na cintura e posiciona-se de frente para o observador, sem fazer contato visual com a santa.

O cenário apresenta um céu azul, com nuvens brancas, montanhas, aves e muitas árvores. As pessoas estão vestidas de acordo com a época. Um enorme arco dourado, como se fosse um portal, cinge a cena. Nele desenrolam-se outros cenários, pintados por Pinturicchio.

Ficha técnica
Ano: 1492-1494
Técnica: afresco
Dimensões: 422 x 792 cm
Localização: Museus do Vaticano, Roma, Itália

Fonte de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

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Mit. – A VINGANÇA DE JUNO CONTRA IO

Recontado por Lu Dias Carvalho
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O poderoso deus Júpiter (Zeus) nunca foi flor que se cheire em se tratando de um rabo de túnica. Estava sempre a trair sua esposa Juno (Hera), que não era boba coisíssima nenhuma, como nos prova a história a seguir.

De uma feita, Juno percebeu que o dia, que amanhecera luminoso, escurecera num piscar de olhos. Logo desconfiou que Júpiter estivesse a tramar uma das suas. Aquela nuvem escura que toldara o céu repentinamente estaria a esconder um de seus malfeitos, certamente. Ela então arredou a nuvem. E o que viu? Ninguém mais ou ninguém menos que o dito cujo, à margem de um riacho de águas límpidas, ao lado de uma bela novilha. Desconfiada, como toda mulher que já foi traída, fortes pensamentos alertaram-na de que a aparência de uma novilha não passava de um disfarce para uma ninfa de linhagem mortal, amante de seu infiel marido. Ela iria tirar aquilo a limpo, custasse o que custasse.

Juno desceu até onde se encontrava Júpiter e mostrou-se maravilhada com a beleza da novilha, querendo saber de que rebanho viera. Pediu-lhe aquele animal maravilhoso como presente. Sem encontrar nenhuma saída para tamanho apuro, só restou ao deus presentear sua esposa com a novilha, que na verdade era Io, filha do rio-deus Ínaco. Ele fora obrigado dar-lhe aquela forma, ao notar a aproximação da esposa. Mas Juno queria ter certeza absoluta da verdade. Assim, confiou a Argos Panoptes, um gigante de 100 olhos, seu servo fidelíssimo, que mantivesse a ovelha sempre à vista, até que ela tivesse o veredito.

Mesmo quando dormia, Argos deixava a metade de seus olhos abertos, estando Io constantemente na sua mira. Ainda que não tivesse perdido a sua consciência de gente, a bela ninfa não tinha voz. Tentava usar os braços para pedir piedade, mas não os tinha mais. E seu bramido amedrontava até ela própria. Nem mesmo sua família, ao aproximar-se dela, foi capaz de compreender quem era, ainda que roçasse as mãos de seu pai. Subitamente lembrou-se de que poderia escrever seu nome no chão, usando o casco. Ao fazê-lo, foi reconhecida pelo pai, que lamentou a má sorte da filha. Por sua vez,  Júpiter, com a consciência intranquila, encarregou o deus Mercúrio de matar Argos.

Mercúrio sabia que aquela tarefa não era das mais fáceis. Tinha que ser muito bem elaborada. Usou suas sandálias aladas para descer à Terra, levando consigo seu barrete, gaita e a vara de condão que fazia dormir. Sentou-se perto de Argos, debaixo de uma frondosa sombra, como se fosse um pastor de ovelhas. Contava histórias e também tocava a gaita, deixando o gigante maravilhado. Relutando a princípio, Argos acabou fechando todos os olhos, e caindo num sono profundo. Então Mercúrio, com um só golpe, decepou-lhe a cabeça. Inconformada com o acontecido ao amigo, Juno retirou seus olhos e, delicadamente, colocou-os na cauda do pavão, como podemos ver até hoje.

Juno não se deu por vencida em sua vingança. Colocou uma mosca da madeira no encalço de Io, a persegui-la por onde quer que fosse. Ao chegar às margens do rio Nilo, a coitadinha já não tinha mais para onde fugir. Júpiter, condoído, intercedeu a Juno por ela, prometendo-lhe nunca mais traí-la, se ela devolvesse à ninfa a sua antiga aparência. E assim foi feito, retornando Io à sua família. Quanto à promessa de Júpiter…

Nota: Juno Descobre Júpiter com Io, obra de Pieter Lastman (1618)

Fontes de Pesquisa
Mitologia/ Thomas Bulfinch
Mitologia/ LM

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Mestres da Pintura – PINTURICCHIO

Autoria de Lu Dias Carvalho

O artista italiano Bernardino di Betto Biago (c.1454 – 1513) recebeu o apelido carinhoso de “Il Pinturicchio” que significava “O Pintorzinho”, pois ele era muito baixinho, além de ter trabalhado com miniaturas no início de sua carreira. Seu aprendizado teve origem na oficina de Fiorenzo di Lorenzo, mas também recbeu grande influência do pintor Perugino, quando com ele trabalhou entre 1481 a 1483, como ajudante, na execução da decoração da Capela Sistina, na cidade de Roma. Suas obras eram bem sucedidas, tendo ele decorado no Vaticano os quartos particulares do papa Alexandre VI, pertencente à família Borgia.

Depois de passar por diferentes cidades, Pinturicchio acabou se fixando em Siena, onde fez um enorme afresco, dividido em dez partes, mostrando cenas da vida do papa Pio II. Ali também decorou a Biblioteca Piccolomini. Ele nutria grande interesse pelos afrescos, embora também trabalhasse com retratos e pinturas narrativas religiosas.  Seu estilo narrativo chamava a atenção pelos efeitos decorativos, mas sem alusão à dramaticidade. Gostava de cores luminosas. Foi o primeiro pintor do Renascimento italiano a trabalhar com a ornamentação grotesca, advinda da Antiguidade.

O artista não renovou o seu estilo, tendo permanecido fiel aos princípios estéticos do Quatrocentos, no qual se formara, apesar de ter sido um pintor prolífico, favorito dos papas e dos cardeais. Teve muita afinidade com Benozzo Gozzoli, Sandro Boticelli e Domenico Ghirlandajo, seus antecessores.  Pinturicchio nasceu em Perúgia e morreu na cidade de Siena com cerca de 59 anos de idade.

As obras de Pinturicchio são muitas vezes confundidas com as de Perugino, Lo Spagna e Rafael, pois, quando os trabalhos eram muito volumosos, os assistentes acabavam finalizando as obras iniciadas pelos mestres pintores, o que traz dificuldade para a indentificação do verdadeiro autor, ao confundir os estilos.

Fontes de pesquisa
Los secretos de las obras de arte/ Taschen
Galleria Borghese/ Os Tesouros do Cardeal
1000 obras-primas da pintura europeia/ Köneman

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