A GRANDE ONDA DE KANAGAWA

Autoria de LuDiasBH bio12

A Grande Onda de Kanagawa, também conhecida apenas como A Onda, criada pelo artista japonês Katsushika Hokusai (1760 – 1849), é uma das mais conhecidas imagens da arte japonesa no mundo e a mais famosa no gênero. Ela é a primeira da série do artista, denominada “Trinta e seis vistas do monte Fuji”. De seu molde foram feitas milhares de cópias, que estão hoje espalhadas pelo mundo, principalmente no acervo de colecionadores europeus.

A Grande Onda de Kanagawa é uma xilogravura feita no início do século XIX, que tem a natureza como personagem principal da obra. Três barcos estão à deriva, um deles na base da onda colossal. As pessoas parecem desesperadas diante do perigo iminente. Os elementos humanos, figuras diminutas, são secundários, dentro de seus barcos que parecem prestes a serem engolidos pela onda gigantesca.

Ao fundo, na parte direita da composição, vê-se o monte Fuji coberto de neve, mas tranquilo. Atrás dele, um céu cinza mostra que a natureza encontra-se enraivecida. À esquerda, na parte superior da composição, está a assinatura do artista.

A onda gigantesca e ameaçadora, cuja crista encontra-se congelada, parece prestes a desabar, engolindo tudo. Sua espuma tem o formato de garras afiadas, como se quisesse mostrar a agressividade que a natureza possui, ainda que nem sempre a mostre. Portanto, a obra de Katsushika Hokusai demonstra o quão frágil é o homem diante da força que a natureza detém.

Dados técnicos:
Autor: Katsushika Hokusai
Data: entre 1830 e 1833
Dimensões: 26 x 38 cm
Localização: Metropolitan Museum of Art, Nova York, EUA

Fonte de pesquisa:
Tudo Sobre Arte/Editora Sextante

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A ORTOREXIA E SEUS PERIGOS

Autoria do Dr. Telmo Diniz

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O termo ortorexia é de origem grega – “orthós” significa correto e “orexsis”, fome – e foi criado pelo médico americano Steven Bratman, autor do livro “Health Food Junkies” (Viciados em Comida Saudável, em tradução livre). Segundo ele, quem apresenta o problema possui uma fixação por alimentação saudável e chega a gastar horas pensando no assunto. Apesar de a ortorexia ser reconhecida por um grupo de profissionais de saúde como um distúrbio do comportamento alimentar, o termo ainda não é usado como diagnóstico no DSM-IV. Não é um transtorno alimentar reconhecido oficialmente, mas é semelhante a outros distúrbios alimentares como a anorexia nervosa e a bulimia. Os anoréxicos e bulímicos mostram obsessão por peso e calorias e os ortoréxicos são obcecados pelos alimentos saudáveis.

Para conseguir manter uma dieta que considera correta, o ortoréxico inicia uma busca obsessiva por regras alimentares. Qualquer item considerado como “não saudável” (como aqueles que contêm corantes, conservantes, pesticidas, gorduras trans, excesso de sal ou açúcar e outros componentes) é excluído da alimentação. Na maioria das vezes, até a forma de preparo e os utensílios usados fazem parte das preocupações de quem tem ortorexia. A rigidez é a marca deste novo estilo de alimentação. Cada dia se torna uma oportunidade para “comer corretamente apenas alimentos considerados saudáveis”.

Há algumas pessoas que, quando não conseguem atingir os objetivos propostos, praticam autopunições que vão desde jejuns, restrição alimentar até excesso de exercícios físicos. A autoestima é baseada na pureza dos alimentos consumidos e essas pessoas se sentem superiores aos outros no que diz respeito à ingestão alimentar.

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Eventualmente, as escolhas alimentares se tornam tão restritas em variedade e calorias que podem comprometer a saúde do ortoréxico. A obsessão com a alimentação saudável atrapalha outras atividades e interesses, prejudica as relações afetivas e se torna física e psicologicamente perigosa. Os conceitos usados pelos ortoréxicos são, na maioria das vezes, baseados em informações verdadeiras. Não é errado, por exemplo, pensar que o uso exagerado de sal faz mal à saúde. O problema é que aplicam esses conhecimentos de forma exagerada, fazendo com que a dieta tome conta de sua vida.

Quando estão fora de casa, por exemplo, muitos indivíduos preferem ficar em jejum a ingerir algum alimento considerado impuro. O isolamento social é uma tônica na vida do ortoréxico.

Mesmo a ortorexia não sendo uma doença que um médico vai diagnosticar, por não estar reconhecida oficialmente, discutir essas questões com um psiquiatra, psicólogo e nutricionista pode ser de grande ajuda. O primeiro passo é admitir o problema, o que pode ser extremamente difícil de ser notado pela pessoa com esta condição, que normalmente é observado pelas pessoas mais próximas. Os especialistas concordam que a solução do problema passa por um acompanhamento psicológico e uma reeducação nutricional para:

  • equilibrar a alimentação,
  • desestimular práticas excessivas desses comportamentos alimentares
  • e prevenir as recaídas desta conduta.

O equilíbrio na alimentação é a chave para o sucesso de uma boa saúde.

Nota: Imagem copiada de www.infohoje.com.br

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Almeida Júnior – CAIPIRA PICANDO FUMO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição denominada Caipira Picando Fumo é uma das obras marcantes do pintor brasileiro Almeida Júnior, que, segundo alguns, foi o responsável por introduzir, pela primeira vez, o homem brasileiro na pintura. Em razão disso, sua obra está repleta de tipos que nos são bastante comuns.

O caipira é a única figura humana a fazer parte do quadro. Ele é um homem de meia idade, forte, de rosto marcado pela dureza da vida, que usa uma camisa branca de mangas compridas que vão até o punho, com uma abertura em forma de V no peito, e uma calça amarronzada, gasta, com a barra dobrada quase no meio da perna. Chama a atenção a parte visível da ceroula, comum àquela época, ultrapassando a perna esquerda da calça.

O homem encontra-se calmamente sentando sobre toras, em frente ao paiol feito de taipa, absorto, picando seu pedaço de fumo com uma enorme faca, em diagonal, usada para os mais diferentes serviços. Ele já preparou a palha de milho, que se encontra atrás de sua orelha esquerda, para receber o fumo picado. No chão, em volta dele, é possível ver um monte de palhas espalhadas.

O pintor destaca com grande realismo as mãos ásperas e os pés toscos do caipira, com as unhas sujas de barro, assim como a calça, assinalando a vida dura que leva no trato com a terra. Atrás dele vê-se uma porta entreaberta, sombreada, e, à frente, uma árvore reflete sua sombra no chão. Parece ser este um momento de grande prazer para o homem da terra, tipo popular em Itu, apelidado de “Quatro Paus”.

Ficha técnica
Ano: 1893
Dimensões: 202 x 141 cm
Técnica: óleo sobre tela
Localização: Acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brasil

Fonte de pesquisa
Almeida Júnior/ Coleção Folha

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Almeida Júnior – MOÇA COM LIVRO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição Moça com Livro é uma das obras mais admiradas do artista brasileiro Almeida Júnior, mas infelizmente não se sabe a data em que foi feita.

A modelo encontra-se, em primeiro plano, deitada sobre o relvado, pintada de frente, em meio-corpo, tendo ao fundo uma densa mata. Tem um livro entreaberto à sua frente, possivelmente um romance, do qual retém algumas páginas na mão esquerda. Usa uma veste branca, com um longo decote, que deixa seu ombro esquerdo a descoberto. Dela emana, ao mesmo tempo, sensualidade e pureza.

Numa atitude devaneadora, com a mão direita próxima ao queixo, como se segurasse o rosto, a moça não olha para o livro que tem diante de si. Seu rosto possui tez branca, bochechas rosadas, sobrancelhas negras e arqueadas, olhos escuros semelhantes à cor dos cabelos, nariz bem feito e boca sensual, entreaberta. A sua pele clara e a cor branca do livro e da blusa iluminam-na.

A moça, com o rosto voltado para cima e olhos olhos sonhadores, parece indagar sobre alguma coisa ou cismar sobre aquilo que acabara de ler, possivelmente um trecho de um romance.

Ficha técnica
Ano: sem data
Dimensões: 50 x 61 cm
Técnica: óleo sobre tela
Localização: Acervo do MASP, Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, Brasil

Fonte de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
Almeida Júnior/ Coleção Folha

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A IMPORTÂNCIA DA IGREJA CRISTÃ NA ARTE

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A pintura pode fazer pelos analfabetos o que a escrita faz pelos que sabem ler. (Gregório Magno)

No ano 311 d.C., o imperador Constantino convencionou que a Igreja Cristã seria um poder no Estado. E, para isso, tornou-se necessário construir enormes espaços públicos para os cultos, diferentes dos templos pagãos. Foram erguidas as chamadas “basílicas”.

A maneira como as basílicas deveriam ser decoradas tornou-se um grande problema entre os cristãos que tinham diferentes pontos de vistas em relação às imagens. Alguns eram da opinião de que não deveria haver estátuas nos templos, pois essas poderiam ser confundidas com as dos ídolos pagãos que adornavam os antigos templos. Outros consideravam que as imagens eram importantes, pois, além de ajudarem no ensinamento dos temas bíblicos, uma vez que a imensa maioria dos cristãos não sabia ler e nem escrever, ainda mantinham vivos na memória dessa gente iletrada os episódios bíblicos, sendo de grande relevância para ensinar-lhes a nova fé.

O fato é que permaneceu a segunda alternativa, principalmente na parte ocidental do Império Romano. Decisão de suma importância para a Arte. Mas não pense o leitor que estava tudo liberado, podendo o artista fazer uso de sua liberdade criativa. De jeito nenhum. Existiam regras severas a serem obedecidas. A história religiosa deveria ser representada com simplicidade e clareza, sem nada que pudesse desviar a atenção do sagrado. O artista deveria se pautar unicamente pelas regras preestabelecidas pela então poderosa Igreja. A criatividade era de somenos importância. O objetivo era ensinar a religião e ponto final. Quanta diferença da época das catacumbas!

A obra acima representada encontra-se inteiramente dentro dos princípios estipulados pelos mandatários do poder religioso cristão à época. Ela  ilustra um dos Evangelhos que tem como tema a multiplicação dos pães e dos peixes, para alimentar uma grande multidão que ouvia Jesus. Eram cinco pães e cinco peixes que, milagrosamente, alimentariam cinco mil pessoas.

Estudo da composição:

  • Trata-se de um mosaico em que cubos de pedra ou vidro foram reunidos pacientemente. O fundo da composição é elaborado com pequenos pedaços de vidro dourado, o que dá ao cenário um aspecto de esplendor e riqueza.
  • Jesus é representado por uma figura pálida, serena e imóvel, usando cabelos compridos e vestindo um manto de púrpura com faixas douradas, trazendo os braços abertos em postura de bênção, na parte central da composição, num lugar de destaque. Embora seu manto seja diferenciado dos usados pelos apóstolos, as sandálias são exatamente iguais. Jesus era assim imaginado pelos primeiros cristãos.
  • À direita e à esquerda do Mestre encontram-se dois apóstolos que lhe ofertam os pães e os peixes que serão usados no milagre da multiplicação. Os apóstolos trazem as mãos cobertas, embora segurem as dádivas, comportamento semelhante aos súditos da época, quando entregavam a seus senhores os impostos exigidos.

Embora a composição possa parecer desprovida de emoção, com suas figuras rígidas e sem expressão, em severa vista frontal, existem aspectos que comprovam o conhecimento do artista sobre a arte grega:

  1. o modo como envolve um manto em volta do corpo, dando visibilidade às principais articulações por debaixo das pregas;
  2. a mistura de pedras de diferentes tons no mosaico, reproduzindo as cores da carne ou da rocha;
  3. a presença no chão das sombras dos personagens;
  4. o escorço representado com facilidade (1. Art. Plást. desenho ou pintura que representa objeto de três dimensões em forma reduzida ou encurtada, segundo as regras da perspectiva).

Ficha técnica
Obra: O Milagre dos Pães e dos Peixes
Artista: desconhecido
Ano: c. 520 d.C.
Técnica: Mosaico
Localização: Basílica de Santo Apolinário, o Novo, Ravena

Fonte de pesquisa:
E. H. Gombrich

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RELIGIÃO ISLÂMICA – A ARTE DOS ARABESCOS

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Um arabesco é uma elaborada combinação de formas geométricas frequentemente semelhantes às formas de plantas. Os arabescos são elementos da arte islâmica, normalmente usados para enfeitar as paredes das mesquitas. A escolha das formas geométricas e a maneira como devem ser usadas e formatadas é fruto da visão islâmica do mundo. Para os muçulmanos, essas formas em conjunto, constituem um padrão infinito que se estende para além do mundo visível e material. Para muitos no mundo islâmico, tais formas simbolizam o infinito e, por conseguinte, a natureza abrangente da criação do Deus único (Alá). O artista de Arabescos Islâmicos consegue então uma forte espiritualidade sem a iconografia de outras religiões. (Wikipédia)

A religião dos conquistadores islâmicos era rigorosa quanto ao uso de imagens em suas mesquitas e na vida em geral. Seres humanos não podiam ser representados de jeito algum. Mas os artistas precisavam se expressar de alguma forma, encontrar outros caminhos para liberar-lhes a criatividade. Então, deixaram que a imaginação trabalhasse com cores e formas. E, assim, nasceram os famosos tapetes orientais com seus maravilhosos padrões decorativos.

Quem nunca viu um tapete oriental com seus padrões delicados e esquemas cromáticos incomparáveis? Se Maomé impediu a representação do mundo real, acabou por induzir os artistas islâmicos a criar um mundo fantástico de padrões abstratos que acabou se espalhando por todo o planeta. Observem acima as diferentes partes de um tapete persa.

Posteriormente, algumas correntes islâmicas, menos rigorosas entre os muçulmanos, permitiram que os seus artistas fizessem a reprodução de figuras e ilustrações, mas com a condição de que essas não carregassem qualquer sentido religioso, bem ao contrário do cristianismo que exigia que o motivo fosse unicamente religioso.

Um dos maiores problemas enfrentados hoje pelos produtores de tapetes orientais, principalmente persas e turcos, é a falsificação chinesa que vem atulhando o mundo com peças bem parecidas com as originais. O mais engraçado nesta história é que, no intuito de ganhar dinheiro fácil, turcos e iranianos, no passado, repassaram aos chineses as técnicas de sua arte, quando lhes encomendaram cópias para serem vendidas, de modo que o feitiço acabou voltando contra o feiticeiro. E agora se veem obrigados a brigar com a concorrência chinesa que vende tapetes orientais bem semelhantes aos originais, com preços bem mais baratos. A semelhança é tanta que se torna difícil a identificação, de modo que muita gente acaba comprando gato por lebre.

Fontes de Pesquisa:
A História da Arte/ E.H. Gombrich

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