Almeida Júnior – O VIOLEIRO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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[…] é outra criação soberba de verdade, de sentimento, de colorido exato, e de tonalidade local. (Monteiro Lobato)

A composição O Violeiro, obra do artista brasileiro Almeida Júnior, é outra obra do artista que envolve o universo caipira. Duas figuras humanas fazem parte da pintura: um homem e uma mulher.

A janela de madeira, aberta, incrustada no meio da parede de pau a pique, ocupa a maior parte da tela. A madeira mostra-se envelhecida e cheia de rachões. Na parte de baixo, a pintura da parede já foi toda descascada, deixando visível o adobe e as varas entrecruzadas e amarradas com corda. Vê-se, portanto, que se trata de um ambiente humilde. Não é possível enxergar nada dentro do ambiente interno, a não ser uma parede escura.

O violeiro está assentado no peitoril da janela, recostado no batente esquerdo. Usa calça branca e camisa quadriculada de branco e azul, com mangas que vão até o punho. Traz os olhos fechados, enquanto toca, inebriado pela voz da cantora.

A mulher, encostada ao batente direito, usando uma blusa vermelha de bolinhas brancas e de mangas compridas, uma saia escura e um lenço no pescoço que ela segura com ambas as mãos, canta com o olhar voltado para a viola, como se acompanhasse seus acordes. Segundo pesquisas, a modelo era uma figura conhecida na cidade de Itu e exercia os trabalhos de enfermeira e dançarina de cabaré.

O Violeiro é uma composição realizada no último ano de vida do artista, que morreu assassinado pelo primo. A segunda figura acima é obra do nosso querido Maurício de Souza, numa homenagem ao pintor Almeida Júnior.

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Ficha técnica
Ano: 1898
Dimensões: 145 x 97 cm
Técnica: óleo sobre tela
Localização: Acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brasil

Fonte de pesquisa
Almeida Júnior/ Coleção Folha

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O DEFENSOR DAS BELEZAS DO BRASIL

Autoria de Lu Dias Carvalho

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O homem destrói os mananciais e vai ter, em breve, que guerrear por água. A luta agora é pelo petróleo, mas daqui a apouco será pela água, pelo oxigênio. (Araquém Alcântara)

De onde só se tira e não se põe, um dia tudo mais tem que se acabar. (Frase de um vaqueiro)

O brasileiro Araquém Alcântara tornou-se conhecido em todo o mundo pela beleza de suas fotografias tiradas em solo brasileiro. Já possui mais de 21 livros publicados, dentre eles se encontra a famosa obra Terra Brasil.

Assim como todo fotógrafo comprometido com a natureza, o objetivo do trabalho de Araquém Alcântara é abrir os olhos da humanidade para o fato de que, se o nosso planeta continuar sendo explorado, como vem acontecendo nas últimas décadas, chegará um tempo em que suas belezas não passarão de lembranças vistas apenas em fotografias. Infelizmente, algumas de suas fotos já não passam mais de um pedaço de papel ou de uma imagem virtual. Para ele, a fotografia pode modificar posturas e impedir que os desastres ecológicos continuem acontecendo. E, quanto mais pessoas falarem da beleza do Brasil, celebrando a natureza com seus bichos, sua flora, assim como suas raízes e culturas, mais o brasileiro se conscientizará de suas responsabilidades para com o país, pois o Brasil precisa conhecer o Brasil. E não existe ecologia sem o homem, sem sua interação com o meio ambiente. O fotógrafo está coberto de razão.

Cinema é fotografia, explica Araquém Alcântara e, segundo ele, foi o filme japonês, A Ilha Nua, de Kaneto Shindo, com suas imagens inesquecíveis, que o despertou para a força e para o poder que possui a imagem, pois ela sempre passa uma mensagem, interfere, mexe com a emoção. Conta que a sua primeira máquina foi adquirida em 1979, com o dinheiro recebido pela “foto de uma onça nadando num igarapé de Manaus”. E que há mais de 30 anos vem documentando o Brasil e se sente revoltado com o processo visível de desertificação do patrimônio nacional. Lamenta o crime de lesa-humanidade perpetrado pelos governantes do passado e do presente, que nunca se preocuparam em implantar uma política ambiental em nosso país. Lamenta que tudo esteja sendo destruído: cerrado, Mata Atlântica, Floresta Amazônica, num ritmo alucinante.

Muitas das árvores da Floresta Amazônica possuem até 300 anos, revela o fotógrafo, e estão sendo retiradas para darem lugar ao pasto e ao plantio de soja, deixando um solo pobre, que não tardará em virar deserto, enquanto em outras regiões do país, as árvores estão sendo retiradas para darem lugar ao plantio de eucalipto. As madeireiras agem inescrupulosamente, na calada da noite, quando não há fiscalização da polícia federal. Os caminhões saem abarrotados de toras, também à noite, ou levam guias falsas. O mogno é a madeira mais cobiçada. Até madeireiras do exterior existem por aqui.

O trabalho de Araquém Alcântara merece todo o nosso aplauso. Aguardemos seus novos trabalhos, pois, segundo ele, possui material para trabalhar durante “muitas vidas”.

Fonte de pesquisa:
Pancron News

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A MELATONINA E O MAL DE ALZHEIMER

Autoria do Dr. Telmo Diniz

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Há algumas semanas, falei sobre o uso da melatonina no diabetes mellitus. De forma semelhante, já estão, a cada ano, saindo várias pesquisas da utilização da melatonina na Doença de Alzheimer (DA), que é a desordem neurodegenerativa mais prevalente e a principal causa de demência após os 60 anos, caracterizando-se por um crescente declínio na função mental e na memória da pessoa. O aumento da longevidade da população tem como consequência direta uma maior prevalência de doenças neurodegenerativas, em especial a DA. E a melatonina tem demonstrado grande potencial na neuroproteção. Qualquer ajuda é bem-vinda.

Em uma pesquisa divulgada na “Clinical Interventions in Aging”, foi estudada uma amostra de 80 pacientes, com idade média de 75 anos (variando de 52 a 85 anos), com diagnóstico de DA de leve a moderada, com e sem insônia, e recebendo terapia padrão (inibidores da acetilcolinesterase). Uma parte dos pacientes foi tratada com placebo e outra recebeu 2 mg de melatonina de liberação prolongada, a cada noite, durante 24 semanas. Os doentes tratados com melatonina tiveram melhora cognitiva significativa em relação aos tratados com placebo. A eficiência do sono também foi melhor com melatonina. No subgrupo com insônia, o tratamento com melatonina de liberação prolongada produziu efeitos clinicamente significativos em comparação com o placebo.

Em outro estudo, publicado em julho de 2013, na revista “International Journal of Molecular Sciences”, concluiu-se que a melatonina protege as células neuronais da toxicidade mediada pelas placas Beta-amilóide. Assim, não é surpreendente que a melatonina seja protetora em numerosos sistemas experimentais e tenha sido proposta para o tratamento de Alzheimer.
Experimentos com ratos mostraram ganhos na instituição precoce do fármaco, impedindo a formação das placas de amilóide, mas não mostraram vantagens após o início da formação dessas placas. Esse experimento joga luz para a possibilidade de que a melatonina funcione na prevenção de Alzheimer, mas não no seu tratamento, uma vez que a doença já esteja instalada.

Pesquisa da Universidade de Barcelona, feita em cobaias, mostrou que uma dose diária do hormônio, combinada a exercícios físicos, retardou a progressão da enfermidade. A melatonina é um poderoso agente antioxidante, e evidências mostraram seu efeito benéfico contra os danos induzidos pelo estresse oxidativo.

Enfim, os dados da literatura falam a favor do uso benéfico da melatonina como tratamento coadjuvante para doenças neurodegenerativas, incluindo-se a DA. Se ainda estamos longe da cura, ao menos a melatonina poderia ajudar a reduzir os efeitos danosos dos radicais livres no tecido cerebral e, de quebra, melhorar a qualidade do sono nos portadores da DA, tão prejudicado nesta fase da vida.

Nota: imagem copiada de hardcoreladies.com.br

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CIRURGIÃO DISTRAÍDO

Autoria de Suedro Potiele

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Encontrava-se no hospital
Sobre a mesa de operação,
Um português cuja perna
Atacada de infecção
Iria, por conseguinte,
Sofrer uma amputação.

Alguns minutos depois
Da anestesia aplicada,
A intervenção cirúrgica
Foi logo iniciada,
E o português desde então
Ficou dando risada.

Assim que a perna dele
Acabou de ser amputada,
O médico lhe perguntou
Por que ele dava risada.
O português respondeu:
– Por causa da sua mancada.
O senhor ficou distraído
E cortou minha perna errada.

Nota: ilustração do autor
Extraído do livro: Cordel Engraçado
Contato com o autor:
Celular: 8711-3714

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Almeida Júnior – ESTUDO DE NU MASCULINO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Ao contrário do estudo de nus à época, essencial para que o artista aperfeiçoasse-se no desenho da anatomia humana assim como no manejo da disposição de luzes e sombras, quando se procurava como modelos corpos esculturais, o mais próximo possível da excelência das estátuas antigas, o pintor brasileiro Almeida Júnior escolheu um corpo já decadente pelos anos vividos. Contudo, não abriu mão da observação da anatomia e da luz e sombra na sua composição realista denominada Estudo de Nu Masculino.

O modelo é um homem bastante idoso, totalmente nu, um pouco curvado para a frente, assentado sobre um banco de madeira, com o corpo de frente para o observador, mas com o rosto de perfil, olhando à sua esquerda. O braço direito está pendurado no joelho e o esquerdo caído à esquerda do corpo. Sua mão direita encobre a genitália.

A luz converge para o corpo do homem, sendo possível observar em detalhes as rugas que se formam na sua barriga, acima do umbigo. Seu corpo é magro, mais ainda assim é possível notar a musculatura dos braços. Sua testa está vincada pelas rugas, o nariz é alongado e uma espessa barba branca desce sobre seu peito.

A coluna clássica que se ergue atrás do modelo alude às pinturas antigas. O fundo escuro da pintura intensifica a luz que emana do corpo, deixando-o dourado. Apesar da idade, o corpo continua belo.

Ficha técnica
Ano: 1873
Dimensões: 80 x 65 cm
Técnica: óleo sobre tela
Localização: Acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brasil

Fonte de pesquisa
Almeida Júnior/ Coleção Folha

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Almeida Júnior – RETRATO DE D. PEDRO II

Autoria de Lu Dias Carvalho

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O imperador dom Pedro II foi retratado no Brasil em diferentes trajes e por diferentes pintores. As encomendas, em sua maioria, destinavam-se às províncias do país, com o objetivo de difundir a imagem do imperador brasileiro. Dentre os pintores estava Almeida Júnior, a quem o imperador ofereceu uma bolsa de estudos na Europa.

Na composição Retrato de D. Pedro II, o imperador é apresentado elegantemente vestido, a meio-corpo, usando uma farda de almirante. O polegar da mão esquerda, assentado no botão do colete branco, demonstra que o retratado está usando luvas brancas. Traz várias insígnias no peito e uma faixa azul sob a farda, de alguma Ordem. O rosto iluminado do imperador põe em evidência as rugas da testa e em volta dos olhos. Seus cabelos mostram-se dourados e a barba muito branca e bem aparada.

O retrato porém não agradou a Affonso de Taunay, que, em 1939, na inauguração da Galeria Almeida Júnior do Museu Paulista, da qual era o diretor, disse em discurso que considerava o retrato “menos feliz” que os outros feitos pelo artista, além de ter sido “feito provavelmente sobre modelo fotográfico”. É sabido que o artista abria mão das poses cansativas para executar seus retratos pela observação da fotografia, atraindo muitas críticas à época. Mas essa prática não era apenas usada por ele, pois foi desenvolvida por grande parte dos pintores a partir da metade do século XIX, sendo considerada uma arte menor.

Ficha técnica
Ano: 1889
Dimensões: 96 x 75,5 cm
Técnica: óleo sobre tela
Localização: Acervo do Museu Paulista da Universidade de São Paulo, Brasil

Fonte de pesquisa
Almeida Júnior/ Coleção Folha

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