FARINHA POUCA, MEU PIRÃO PRIMEIRO

Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria de Lu Dias Carvalho

farinha

Conta-se que antigamente os bandeirantes em suas andanças pelo interior do Brasil, costumavam levar farinha de mandioca para complementar a comida. Era usada principalmente com feijão e no pirão de peixe.  E toda vez que tão importante produto ameaçava acabar, havia sempre os espertos que pensavam com seus botões: Farinha pouca, meu pirão primeiro, ditado que põe às claras o egoísmo do ser humano, principalmente nos tempos de hoje. Primeiro se preocupa em encher o próprio bucho e, se sobrar, dividirá com os outros. Um outro ditado estimula o anterior: “quem parte e reparte e não fica com a melhor parte, ou é tolo ou não tem arte”. Gente que pensa desse modo é certamente imbuída de extremo egoísmo, farinha do mesmo saco.

O ditado Farinha pouca, meu pirão primeiro  perpetuou-se e ainda hoje é falado e posto em prática em várias regiões de nosso país. Os vivaldinos, que existem aos montes nas terras brasileiras, principalmente no seio da política em quaisquer que seja os níveis, pensam primeiro em si mesmos.  Se o quinhão deles estiver garantido, tudo está resolvido, ainda que o Brasil esteja a desmoronar. O resto é que se exploda.

Views: 45

MANTEIGA DERRETIDA

Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria de Lu Dias Carvalho

manre

Existe coisa mais chata do que criança excessivamente mimada, que chora por qualquer coisa? As lágrimas já ficam ali, escondidinhas nos cantos dos olhos, prestes a desabar por uma coisinha de nada. Nem que a vaca tussa aceitam a palavra “não” e pensam que tudo e todos estão ao seu dispor. Os responsáveis não movem uma palha para corrigi-las. Esses anjinhos chorões, parecidos com purgantes, vão amargar um futuro desastroso no contato com o mundo real, enchendo as burras dos terapeutas.

A minha priminha Juju é uma manteiga derretida hors concours. Se cisma que alguém olhou para ela de um jeito meio enviesado, corre para os braços da mãe ou do pai, fazendo o maior berreiro, quando não quebra tudo que encontra pela frente. Até os coleguinhas vêm se afastando dela, cansados de sua denguice, pois afinal ninguém é de ferro para aguentar tanto chilique de uma pirralha mal-educada. Tudo mundo diz que a tal será educada pela vida, levando muita pancada.

Dias desses estava a chatomilda brincando com uma amiguinha, quando começou um berreiro de dar medo. Corremos para o quarto da pequena rainha, pensando que algum armário tivesse desabado sobre ela. A cena era patética. A bruxinha estava deitada no chão, batendo pernas e braços, enquanto a amiguinha, encolhida num cantinho do quarto, trazia o rosto molhado por lágrimas silenciosas. A mãe, com cara de quem comeu e não gostou, tomou a birrenta no colo, querendo saber o que lhe acontecera. Entre berros ela se explicou:

– Eu não quero brincar com a minha boneca, quero a dela, e ela não quer me dar!

Imaginei que fosse uma boa hora para que a genitora ensinasse à filha alguns limites, de modo a respeitar as coisas dos outros. Mas não! Para agradar a chorona, disse-lhe:

– Não chore mais, filha, pois a mamãe vai lhe dar uma boneca igualzinha à dela.

A amiguinha foi embora envergonhada, sem receber uma palavra de atenção da mãe da pirracenta. Indignada, meti a colher no angu, ao abrir o bico:

– Cuidado prima, a gente cria filhos para o mundo e não para nós.

Ao que ela prontamente me respondeu:

– Ela é muito pequena ainda, vai chegar o seu tempo de aprender.

Dias desses fiquei sabendo que a manteiga derretida deu o maior show no aniversário de uma de suas coleguinhas. Queria desesperadamente um pedaço do bolo da aniversariante, antes da hora, sem esperar pelos parabéns. Não sendo atendida, puxou a toalha da mesa, espatifando tudo no chão. Envergonhados, os pais não sabiam onde enfiar a cara, com mil e um pedidos de desculpas. Bem feito! Quem planta urtiga jamais colherá miosótis, diz um dito popular, pois é de pequenino que se torce o pepino!

Já ia me esquecendo de falar sobre a expressão “manteiga derretida”, uai. Trata-se de uma alusão ao chiado da manteiga, quando é levada ao fogo.

Views: 2

ESTAÇÃO DE ÁGUAS EM… (Aula nº 85 D)

Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria de Lu Dias Carvalho

                                               (Cliquem na imagem para ampliá-la.)

Começo uma pintura sempre pelo céu. (Sisley)

O pintor francês Alfred Sisley (1839-1899) era filho de pais ingleses. Em Londres ele preferia visitar museus e copiar esboços a estudar comércio, como desejava a sua família. Ao retornar a Paris foi-lhe permitido entrar para o atelier de Gabriel Gleyre, onde travou amizade com Renoir, Bazille e Monet, com os quais pintava ao ar livre. Tinha grande paixão pelas paisagens, tornando-se um dos mais importantes paisagistas do Impressionismo. À medida que progredia em seu trabalho artístico, passava a dar mais atenção à cor do que à forma. Como era um grande observador, tornou-se capaz de captar os matizes mais tênues da luz, como podemos ver em seus quadros sobre as estações dos anos.

A composição Estação de Águas em Marly-le-Roi é uma obra do artista que apresenta uma paisagem invernal, quase toda congelada e coberta de neve. Um sol fraco tenta romper as camadas de nuvens e brilhar na tarde fria. Para criar sua paisagem de inverno, Alfred Sisley usa uma fina camada de tinta e uma paleta com pouquíssimas cores. Ele usou apenas cinco cores, além do preto e do branco nesta tela, criada numa única tarde. 

A estação de água em primeiro plano é o motivo central da obra. Para criar a sensação de profundidade, o artista usou uma longa estrada coberta pela neve que leva até o campo. Pequenas figuras humanas são vistas andando por ali. À direita da composição está a floresta e à esquerda vê-se um aglomerado de casas.

Ficha técnica
Ano: 1898
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 49,5 x 65,4 cm        
Localização: Galeria Nacional, Londres, Grã-Bretanha

Fontes de Pesquisa:
Impressionismo/ Editora Taschen
https://en.wikipedia.org/wiki/Alfred_Sisley

Views: 1

A CASA DA MÃE JOANA

Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria de Lu Dias Carvalhocajon

Joana I, rainha de Nápoles e condessa de Provença, era uma mulher bonita e muito inteligente, sendo sua residência aberta aos intelectuais e artistas da época. Segundo algumas fontes, enquanto reinava na cidade francesa de Avignon, a poderosa e permissiva mulher regulamentou os bordéis da cidade, ordenando que todos teriam uma porta através da qual os interessados adentrariam, ou seja, o local estava aberto a qualquer um que ali quisesse entrar em busca das paixões da carne. Talvez seja por isso que em seu reinado tenha havido tantas colisões com a Igreja Católica da época. Uma das normas de regulamentação dizia:

“O lugar terá uma porta por onde todos possam entrar.”

Quando a expressão de origem francesa ganhou as terras portuguesas, passou a significar “o paço da mãe Joana”, ou seja, “prostíbulo”. Ao atravessar o Atlântico, vindo para as bandas de cá, a palavra “paço”, pouco conhecida de nós brasileiros, foi imediatamente substituída por “casa”. Atualmente a expressão “a casa da mãe Joana” passou a significar “um lugar onde todo mundo entra e sai, local em que todos mandam e cada um faz o que quer”,  conhecida também como “casa da sogra”.

Fontes de pesquisa
Casa da Mãe Joana/ Reinaldo Pimenta
Dicionário de expressões populares/ João Gomes da Silva

Views: 2

A DANÇA (Aula nº 85 C)

Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria de Lu Dias Carvalho

 O primeiro elemento da construção foi o ritmo. O segundo, a vasta superfície azul (alusão ao Mediterrâneo nos meses de agosto). O terceiro foi o verde-escuro (dos pinheiros contra o céu azul). Partindo desses elementos, os personagens poderiam ser vermelhos, para obter uma concordância luminosa. (Matisse)

O que mais me interessa não é a natureza-morta ou a paisagem: é a figura… Os meus modelos são figuras humanas e não simplesmente figurantes de um interior. São o tema principal de meu trabalho… As suas formas não são perfeitas, mas são sempre expressivas. (Matisse)

Esta composição monumental intitulada A Dança, juntamente com outra de nome “Música”, foi encomendada a Matisse pelo colecionador russo Sergei Schukin que tinha predileção pela pintura francesa moderna. Da sua coleção faziam parte obras de Claude Monet, Auguste Renoir, Edgard Degas, Camille Pissarro, Paul Cézanne e em especial Paul Gauguin, de quem detinha 16 obras. Ao conhecer o trabalho de Matisse em 1906 no Salão dos Independentes, Sergei acabou comprando inúmeras obras do artista, sendo o quadro A Dança adquirido em 1910.

Inicialmente Sergei Schukin não gostou do fato de os dançarinos estarem nus, exigindo que fossem vestidos, a que se opôs o pintor. Mas ao receber um esboço em aquarela, o comprador ficou satisfeito com o que viu. Quando esta pintura foi exibida no Salão de Outono de 1910 recebeu críticas ferinas. Um crítico chegou a mencionar que o artista era demente, o que fez com que a encomenda fosse cancelada, deixando Matisse arrasado, contudo, ao refletir por alguns dias, Shchukin resolveu ficar com a obra.

Supõe-se que a ideia do artista, ao criar esta composição, tenha nascido ao observar pescadores e camponeses realizando uma dança de roda (sardana) numa praia do sul da França. O desenho é muito simples e contém apenas três elementos básicos: dançarinos, uma vastidão vazia de verde e outra de azul. No quadro a cor é o elemento principal da linguagem plástica. O azul representa o céu, o verde as colinas e o vermelho os corpos, cujos braços dão origem a um ritmo ondulado por toda a tela.

Não há limites traçados entre os campos de cores azul e verde, como comprova os pés de alguns dos bailarinos que se encontram nos dois campos de cores. O artista tomou como inspiração na escolha das cores desta obra as miniaturas persas e as cerâmicas do século XIII em que verdes, vermelhos e azuis puros foram usados em suas superfícies ornamentais. Um campo verde e azul recebe as figuras pintadas em vermelho, cuja anatomia simplificada, pintada em marrom avermelhado, amplifica o impacto da composição.

São cinco os personagens da composição, todos de mãos dadas, dispostos em um círculo oval inclinado para a direita e que não se fecha totalmente, pois alguns deles não possuem as mãos unidas, embora se mostrem bem encostadas umas nas outras. O grupo parece dançar num movimento frenético que sugere o sentido dos ponteiros de um relógio. Os corpos retorcidos repassam a sensação de uma grande energia contida neles.

O ritmo é o responsável pela união dos corpos, enquanto esses são transportados através dos movimentos da dança como em êxtase, adquirindo cada figura uma postura diferente, mas una no conjunto. Há um pequeno espaço entre duas figuras, espaço esse que é fechado com a curvatura do personagem para a frente, na tentativa de alcançar a mão do companheiro que, por sua vez, faz o mesmo ao inclinar o corpo para trás e esticar a mão que se soltara. O pequeno espaço que permanece entre os dois é fechado pelo observador. Em razão da velocidade rítmica os rostos estão ocultos, excetuando o de um dos bailarinos, o que vem a se transformar no rosto de todos eles, ou seja, como se todos tivessem o mesmíssimo rosto.

Os críticos do Salão de Outono ridicularizaram a obra, denominando-a de “cacofonia demoníaca”, mas se trata de uma das principais obras do catálogo do pintor, vista hoje em inúmeras reproduções, ornamentando casas e escritórios. Além de propagar força, dinamismo e movimento, a composição A Dança coloca em evidência a liberdade e a alegria de viver.

Ficha técnica
Ano: 19091910
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 260 x 391 cm
Localização: Museu Hermitage, São Petersburgo, Rússia

Fontes de pesquisa
Matisse/ Taschen
Matisse/ Abril Coleções
Matisse/ Coleção Folha
Tudo sobre arte/ Editora Sextante

Views: 2

A EMENDA FOI PIOR QUE O SONETO

Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria de Lu Dias Carvalho

bocage

Nós humanos — excetuando os santos, se os há — já perdemos as rédeas do bom senso, ignorando a sabedoria popular que reza que “o melhor caminho é o do meio”, ou seja, o do equilíbrio. Muitas vezes acabamos falando mais do que devíamos, ou cometemos uma ação impensada, vindo depois aquele peso na consciência. Sentimos que é preciso consertar o malfeito. Contudo, é preciso muito cuidado no agir, pois uma emenda esfarrapada deixa-nos numa posição ainda pior, pois, como dizia Sá Jovena “a merda, quanto mais se mexe nela, mais fede”.

A expressão “A emenda saiu pior do que o soneto” nasceu, contam alguns, quando o poeta português Manuel Maria Barbosa de Bocage recebeu um soneto de um jovem que lhe pediu que marcasse seus erros com cruzes. Contudo, havia tantas incorreções na escrita do mancebo que o poeta, depois de ler o soneto, devolveu-o tal e qual o recebera, ou seja, sem nenhuma cruzinha a enfeitar-lhe a página. Incrédulo, imaginando-se o suprassumo da última flor do Lácio, o moço questionou o velho poeta sobre o porquê, pois queria ser incensado com suas palavras. Como não se deve cutucar a fera com vara curta,  não tardou  a receber a justificativa de que as cruzes seriam tantas, se ali postadas, que “a emenda ficaria pior do que o soneto”.

Manuel Maria Barbosa de Bocage era um exímio sonetista e fazia-os como ninguém, o que o tornou muito popular, principalmente quando usava sua veia satírica e espirituosa, daí a sua exigência para com o soneto do frustrado lusitano. O fato é que a expressão “a emenda ficaria pior do que o soneto” viajou no tempo, caiu na boca do mundo, chegando aos dias de hoje com força total. Chama-nos a atenção para o fato de que muitas vezes é preciso não tentar remediar certas situações, pois o remendo pode acabar ficando ainda pior, uma vez que a desculpa esfarrapada só faz piorar a situação. O melhor mesmo é tomar coragem e munir-se de um pedido sincero de desculpas.

 

Views: 37