Pieter Bruegel, o Velho – PAISAGEM COM QUEDA DE ÍCARO

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Autoria de LuDiasBH

koo123                                           (Clique na imagem para ampliá-la.)

A composição denominada Paisagem com a Queda de Ícaro é uma obra mitológica do pintor Pieter Bruegel, o Velho, que faz uso de um tema da mitologia grega muito conhecido em sua época, cujo nome é “A Queda de Ícaro”, mostrando o momento exato em que o rapaz afunda no mar, embora o pintor aborde o final da história de uma forma diferente. O artista traz para o observador a sensação de que se encontra sobre uma colina, observando os acontecimentos embaixo. Ele dividiu sua pintura em três planos, assim organizados:

1º – um lavrador com seu arado a lavrar a terra para plantar;
2º – um pastor olhando pro céu, de costas para o mar, enquanto suas ovelhas pastam;
3º – um imenso mar, embarcações, rochedos, uma cidade ao longe e Ícaro.

Embora tenha caído próximo a um barco a velas e a um homem pescando, ninguém testemunha a queda do moço, enquanto o sol põe-se no horizonte. Nem mesmo a perdiz — pousada no galho de uma pequena árvore — voa com o barulho produzido pela queda. Só é possível ver as pernas de Ícaro, na parte inferior da pintura, à direita, enquanto afunda. Tampouco ele foi notado pelo pastor de ovelhas e pelo camponês que faz sulcos na terra para o plantio, e que deixou seu cinturão com a espada na rocha. Nenhum ser vivo esboça qualquer movimento indicativo de que presencia o triste fim do jovem que poderia ser salvo, já que caiu próximo à costa.

O lavrador com seu arado — em primeiro plano — é quem se encontra mais distante de Ícaro e mais próximo do observador. Sua figura é a mais chamativa em razão de sua camisa vermelha. Ele se encontra atento a seu trabalho. Por sua vez o pastor está de costas para o mar, próximo a seu cachorro e rodeado por suas ovelhas. Ele observa o céu. O pescador, assentado no rochedo com o corpo inclinado para baixo, observa atentamente o mexer de seu anzol.

Como era comum o fato de Bruegel repassar ensinamentos morais através de suas pinturas, muitos especulam sobre qual seria a lição referente a esta. Alguns dizem que mostra o quanto é descabido ambicionar coisas inúteis, devendo cada um ficar satisfeito com o que tem. Outros já a interpretam, como se mostrasse que certas pessoas podem ser indiferentes e cegas diante de novas ideias, ou ainda incapazes de prestar solidariedade a outrem. A maioria dos estudiosos do pintor dizem que a obra mostra o sentido da insignificância humana, uma vez que Ícaro não é notado em seu afogamento e tampouco muda alguma coisa no continuar da vida.

Bruegel em sua pintura omite a presença de Dédalos — o pai de Ícaro. Importava-lhe apenas as figuras do agricultor, do pastor e do pescador, mencionadas ligeiramente por Ovídio, poeta romano, em seu livro denominado “Metamorfoses”. Para o pintor eles não eram vistos como heróis, por isso dá mais importância às figuras do lavrador e  do pastor, pois eles prestam um serviço útil, dentro de suas possibilidades. Eles amam a natureza e a paz. O primeiro traz os olhos concentrados no seu trabalho, enquanto o segundo olha para o céu, gesto esse que, segundo a linguagem pictórica tradicional tem relação com a vida depois da morte.

É também interessante notar que o corpo de Ícaro afundando não se mostra como parte central da obra, mesmo sendo ele o personagem principal da história. Isso tanto pode simbolizar a indiferença do ser humano em relação ao sofrimento alheio, como a falta de importância do homem diante da vida, pois tudo é passageiro.

Esta composição de Bruegel encontra-se entre as 50 pinturas mais famosas do mundo. Ela nos repassa a impressão de ter sido feita do alto, tendo o artista uma visão de cima para baixo, como se sobrevoasse o local, mas foi feita em seu estúdio. A enorme paisagem mostra-se tranquila. Conheça a história de Ícaro em Mit. – DÉDALO E ÍCARO AO FUGIR DA ILHA DE CRETA

Ficha técnica
Ano: 1558
Técnica: óleo sobre madeira transferido para tela
Dimensões: 74 x 112 cm
Localização: Musée Rouaux des Beaux-Arts, Bruxelas, Bélgica

Fonte de pesquisa
1000 obras-primas da pintura europeia/ Editora Könemann
Bruegel/ Editora Cosac e Naify

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