Tintoretto – SÃO JORGE E O DRAGÃO

Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria de LuDiasBH

sajeod

A composição São Jorge e o Dragão é uma obra do pintor italiano Jacopo Tintoretto (1518-1594), cujo nome de batismo era Jacopo Robusti. Embora não haja clareza em relação a seus mestres, presume-se que entre eles estejam Ticiano, Andrea Schiavone e Paris Bardone. Além de ser considerado o mais importante pintor do estilo maneirista, Tintoretto também apresenta-se entre os melhores retratistas de sua época.

O pintor representa a cena com São Jorge enfrentando o dragão, para salvar a princesa em meio a uma luxuriante paisagem, cuja beleza sobrepõe-se aos personagens. Uma sucessão de linhas curvas compõem a pintura: o corpo da princesa subindo uma colina; o corpo do morto; o cavaleiro e o dragão formando um arco; os círculos no céu; a encosta, etc.

São Jorge, à beira-mar, é visto em seu cavalo branco, transpassando sua lança na boca do dragão. À esquerda do santo está o corpo de um homem morto pela fera em pose que lembra a de Cristo crucificado. O dragão encontrava-se prestes a devorar a princesa que foge visivelmente aterrorizada, em direção ao observador. Deus Pai, envolto por círculos de luz, aparece entre as nuvens, abençoando São Jorge em sua batalha travada contra o mal.

A narrativa visual da composição tem início na princesa. As cores, azul e rosa de sua vestimenta estão presentes na roupa do morto, nas vestes de São Jorge e nas nuvens. A princesa também forma, com o tronco da árvore inclinada, um V, dando equilíbrio à parte esquerda da pintura. A linha costeira, por sua vez, leva o olho do observador para o alto, rumo a Deus Pai.

Esta pintura de Tintoretto mostra como o artista foi capaz de aumentar a tensão e o exaspero, ao fazer uso da luz sobrenatural e de tonalidades fracionadas. O pintor expõe em sua composição o momento exato em que o drama atinge o seu clímax.  Outro ponto interessante é o fato de ele colocar no fundo da cena o herói da narrativa.

Ficha técnica
Ano: c. 1550
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 157 x 99 cm
Localização: Galeria Nacional, Londres, Grã-Bretanha

Fonte de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
https://www.nationalgallery.org.uk/paintings/jacopo-tintoretto-saint-george-and-the-dragon

4 comentários em “Tintoretto – SÃO JORGE E O DRAGÃO

  1. Antônio Messias

    Lu

    A força emocional valorizada pelas cores e movimentação presente no quadro torna a temática religiosa mais leve. Também chama a atenção a gradação dos planos onde a princesa se destaca diante das demais ações.

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Antônio

      Tintoretto foi outro grande nome presente na arte. O quadro é realmente muito bonito.

      Abraços,

      Lu

      Responder
  2. Adevaldo R. de Souza

    Lu
    Considero a história/lenda de São Jorge uma das mais interessantes da hagiografia cristã.

    O personagem é verdadeiro e chamava “Jorge da Capadócia” ou “Jorge de Lida”, que foi um soldado romano no exército do imperador Diocleciano – sendo encarregado de sua guarda pessoal. Foi elevado a capitão e conde da Província de Nicomédia. Em 303 d.C., Diocleciano publicou um édito que mandava prender todo soldado romano cristão e todos os outros deveriam oferecer sacrifícios aos deuses romanos. Jorge foi ao imperador e declarou-se cristão e ele, não querendo perder um de seus melhores tribunos, tentou dissuadi-lo, oferecendo-lhe terras, dinheiro e escravos. Como Jorge mantinha-se fiel ao cristianismo, o imperador tentou fazê-lo desistir da fé torturando-o de vários modos. E, após cada tortura, era levado perante o imperador, que lhe perguntava se renegaria Jesus para adorar os deuses romanos. Todavia, Jorge reafirmava sua fé, e foi aos poucos, ganhado notoriedade. Muitos romanos, tomaram as dores daquele jovem soldado, inclusive a mulher do imperador que se converteu ao cristianismo. Finalmente, Diocleciano, não tendo êxito, mandou degolá-lo no dia 23 de abril de 303, em Nicomédia, na Ásia Menor.

    São Jorge é um santo padroeiro de países, exércitos, igrejas, castelos, entre outros, em diversas partes mundo e, venerados por várias igrejas e religiões, inclusive no “Candomblé.

    Sobre a obra “São Jorge e o Dragão” chamou minha atenção a tonalidade de luz, que provoca uma sensação de excitação no momento em que a princesa foge, enquanto o herói luta bravamente contra o dragão. Até parece que ela está saindo da tela. Penso que a obra de Rafael Sanzio sobre o mesmo tema pode apresentar maior perfeição técnica e decorativa (bastante reproduzida e presente em vários lares), entretanto a obra de Tintoretto é mais expressiva e mais significativa na representação da lenda.

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Adevaldo

      Foi muito interessante o fato de você nos contar sobre a vida dessa figura lendária “santo padroeiro de vários países, exércitos, igrejas, castelos, entre outros, em diversas partes mundo e, venerados por várias igrejas e religiões…”.

      Seus comentários são sempre muito pertinentes, agregando ao texto novas informações.

      Abraços,

      Lu

      Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *