Mestres da Pintura – GUSTAV KLIMT

Autoria de LuDiasBH

GUSKLIM

Não estou interessado em mim como objeto de um quadro. Quanto a isso, interesso-me mais pelas outras pessoas, em particular pelas mulheres, e ainda mais por outras aparências. Estou convencido de que, como pessoa, não sou particularmente interessante. Se olharem para mim, não veem nada de especial. Sou um pintor que pinta dia após dia, da manhã à noite. Pinto figuras e paisagens, raramente retratos. (Gustav Klimt)

O artista Gustav Klimt (1862-1918) nasceu em Viena, Áustria, numa humilde e numerosa família de sete irmãos, na qual era o segundo. Seus pais, Ernst Klimt e Anna Finster, já traziam a arte na bagagem. Ele era um meticuloso ourives e ela desejava ser cantora de operetas, desejo não realizado, em razão da difícil situação financeira da família. Além deles, os três filhos homens mostravam grande talento para a arte.

Aos 14 anos de idade, o jovem Gustav foi estudar na Escola de Artes Aplicadas de Viena, obtendo uma bolsa de estudos, onde, mais tarde, também estudariam seus irmãos Ernst e Georg. Ali, recebeu uma educação não apenas artística tradicional, mas também técnica (arquitetura, decoração, cenografia, artes gráficas, ourivesaria e desenho industrial). Foi no desenho que ele mais se destacou, chamando a atenção de seus professores. Acabou ganhando outra bolsa de estudos, indo estudar no departamento de pintura, sob a direção de Ferdinand Laufberger, um grande admirador dos mestres renascentistas e barrocos italianos, e por quem Gustav nutria grande admiração, pensando, inclusive, em ser seu sucessor. Fez amizade com o colega Franz Matsch, também apreciado pelos professores, tendo feito juntos inúmeros trabalhos menores, que o ajudaram no sustento de sua família. Mais tarde, Ernest, o irmão mais novo de Gustav, juntou-se aos dois, sendo recomendados, anos depois, por Laufberber, a um gabinete vienense de arquitetos especializados, o que lhes proporcionou inúmeros trabalhos.

Gustav Klimt, Franz Matsch e Ernest Klimt criaram a Companhia de Artistas, buscando o apoio de pessoas que pudessem inseri-los no meio artístico de Viena, onde a arquitetura encontrava-se em evidência. O trio foi contratado pelo arquiteto Karl von Hasenauer que lhes ofereceu importantes trabalhos de decoração, um deles, a decoração do Burgtheater, que os levou a receber um importante prêmio estatal: a Cruz de Ouro ao Mérito. Outra encomenda importante foi a decoração do hall do Museu de História da Arte, com 40 espaços entre as colunas, onde seria representada a história da arte, do Antigo Egito ao Renascimento. Klimt pintou onze espaços correspondentes ao Egito, à Grécia e ao Renascimento italiano. Foi a partir daí que sua pintura passou a ter um estilo próprio, em que ele agregava elementos contemporâneos.

Klimt foi contemplado, em 1890, com o Prêmio do Imperador, pela obra que fez no Burgtheater, prêmio que o transformou num grande nome dentro da sociedade vienense. A partir daí, também passou a pintar retratos. Mas dois anos depois, o artista perdeu o pai e o irmão Ernst, fatos que o deixaram muito abalado. Ele se afastou da atividade pictórica e, depois de uma intensa reflexão, modificou seu estilo artístico. Outros motivos levaram o artista a se afastar da pintura pictórica, como o conhecimento das obras de Fernand Knhopff, Franz von Stuck, Max Liebermann, Max Klinger, entre outros. Ao final, acabou desmanchando a sociedade com o amigo Matsch e dissolvendo a Companhia de Artistas.

Ao voltar ao trabalho, Klimt trazia um novo estilo. Suas obras estavam imbuídas da estética simbolista: figuras femininas de olhar grave, formas planas e naturalísticas, muitos elementos decorativos e emprego do dourado. Klimt foi também responsável por criar a Secessão Vienense, levando a arte para um caminho inusitado, com seus quadros decorativos, misteriosos, de onde a mulher emergia como uma “feme fatale”

Apesar de suas relações com muitas modelos profissionais e com certas damas da sociedade, que posaram para ele, Klimt nunca se casou, embora tenha mantido uma intrincada relação com a cunhada de seu irmão Ernst, passando juntos muitas temporadas. Era muito ligado à mãe e às três irmãs solteiras, e levava uma vida extremamente comedida. Além disso, era introvertido e não afeito às obrigações sociais. A morte da primeira afetou até sua pintura, tornando mais embaciado o cromatismo de suas obras mais íntimas, levando-o ao tema da morte.

Em sua arte, Klimt tinha predileção pelos temas eróticos e pelas mulheres nuas, em atitudes provocativas, convivendo lado a lado com motivos ornamentais, mas sem jamais vulgarizar sua obra. Morreu aos 55 anos, vitimado por uma pneumonia, quando se encontrava hospitalizando, recuperando-se de um acidente vascular que lhe paralizara o lado direito do corpo.

Nos próximos textos serão estudados vários quadros do pintor.

Fonte de pesquisa
Gustav Klimt/ Coleção Folha
Arte do século XX/ Taschen
Arte/ Publifolha

Nota: Gustav Klimt por Tekkamaki

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