O QUE É FELICIDADE?

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Autoria do Dr. Telmo Diniz

 feliz (*)

Ser feliz é encontrar força no perdão, esperanças nas batalhas, segurança no palco do medo, amor nos desencontros. É agradecer a Deus a cada minuto pelo milagre da vida. (Fernando Pessoa) 

Quem em sã consciência não deseja a felicidade de forma contínua? Desde os mais remotos tempos, as pessoas vêm na busca incessante deste “estado de espírito”. Conceitualmente, felicidade é um estado durável de plenitude, satisfação e equilíbrio físico e psíquico, em que o sofrimento e a inquietude estão ausentes. Abrange uma gama de emoções ou sentimentos que vai desde o contentamento até a alegria intensa. A felicidade tem, ainda, o significado de bem-estar espiritual ou de paz. Há quem diga que a felicidade não existe ou que ela é fugaz. Seria como se nós estivéssemos com uma vara de pescar amarrada ao corpo, e em sua ponta estaria uma cenoura. Às vezes, conseguimos dar uma mordidinha, mas ela continua lá adiante, apetitosa. Então, continuamos correndo, de forma incessante, atrás dela. Seria isso a felicidade? Pequenos momentos de prazer? Ficar rico ganhando na loteria? Passar em um concurso? Ganhar em uma competição? No meu entendimento, a felicidade não pode estar restrita a momentos pontuais como estes.

Vários estudos têm sido realizados nas últimas décadas com o intuito de mensurar a felicidade. Estudaram pessoas que se casaram e experimentam um aumento da felicidade logo após o matrimônio, mas, após dois anos, os índices de felicidade retornam ao nível do início do casamento. Algo semelhante parece acontecer com os ganhadores de loterias, que experimentam picos de felicidade logo após serem sorteados, porém, estes níveis retornam ao patamar anterior alguns meses depois. O equivalente inverso com uma pessoa que experimenta a infelicidade de ficar paraplégica após um acidente, retorna a níveis até mais altos após algum tempo do acontecimento.

Alguns padrões têm sido encontrados nas pessoas que se consideram felizes, como a capacidade de se adaptar a novas situações, buscar objetivos de acordo com suas características pessoais, riqueza em relacionamentos humanos, ser competente naquilo que se propõe a fazer, enfrentar problemas com a ajuda de outras pessoas, receber apoio de pais, parentes e amigos, ser agradável e gentil no relacionamento com outras pessoas, não superdimensionar suas falhas e defeitos, gostar daquilo que tem, ser autoconfiante, pertencer a um grupo.

A busca da felicidade é o combustível que move a humanidade. É ela que nos força a estudar, trabalhar, ter fé, construir casas, realizar coisas, juntar e gastar dinheiro, fazer amigos, brigar, casar, separar, ter filhos, etc. Ela nos convence de que cada uma dessas conquistas é a coisa mais importante do mundo e nos dá disposição para lutar por elas. É a cenoura na ponta da vara. A cada mordida, surge uma nova necessidade. Vivemos uma época em que ser feliz é uma obrigação. Pessoas tristes são indesejadas, vistas como fracassadas. A doença do momento é a depressão. Ser ou estar feliz está virando um peso, uma fonte terrível de ansiedade e de angústia. Parece que a felicidade não tem nada a ver com conseguir. Consiste em satisfazer-nos com o que temos e com o que não temos. Pessoas que têm desejos mais simples são mais felizes. Mas volto a afirmar que a felicidade não pode estar restrita a desejos. Tem mais coisa por aí.

Divagando sobre a incessante busca para ficarmos mais felizes, pesquisei alguns autores e suas conclusões. Um, especificamente, me chamou a atenção. O psicólogo americano Martin Seligman, da Universidade da Pensilvânia, coloca de forma mais didática que a felicidade é o conjunto de três pontos, ou seja, é um tripé constituído por:

  • desejos,
  • engajamento
  • significado

Prazer

As pessoas tendem a buscar a felicidade somente em um desses pontos, no prazer, que são bons momentos de satisfação, porém, fugazes e passageiros. Então, é necessário os outros dois pilares para que busquemos ser felizes de forma mais objetiva e contundente. O prazer trata daquelas sensações que costumam tomar conta de nossos corpos quando dançamos uma música boa, ouvimos uma piada engraçada, conversamos com um bom amigo, fazemos sexo ou apreciamos uma boa comida. Um jeito fácil de reconhecer se alguém está tendo prazer é procurar em seu rosto por um sorriso e brilho nos olhos. Pessoas infelizes têm cara amarrada ou estão sempre reclamando de algo.

Engajamento

Já o engajamento é a profundidade de envolvimento entre a pessoa e sua vida. Um sujeito engajado é aquele que está absorvido pelo que faz, que participa ativamente da vida. Algumas pessoas são capazes de se engajar em tudo: entram de cabeça nos romances, doam-se ao trabalho, dão tudo de si a todo o momento. Claro que isso precisa de uma dosagem. O engajamento extremado faz com que a pessoa perca no prazer. Por isso, tudo deve ser ou estar em equilíbrio.

Significado

Quanto ao significado, existem duas formas para conquistá-lo. A primeira é via religião. Pesquisas mostram que as pessoas religiosas consideram-se, na média, mais felizes que as não religiosas. Elas também têm menos depressão, menos ansiedade, drogam-se e suicidam-se menos. A segunda forma de dar mais significado a vida é através da caridade, como visitar uma casa de repouso para idosos, ajudar crianças carentes, ou qualquer outra forma de ajuda desprendida aos nossos semelhantes. Pesquisas apontam que ajudar o próximo melhora de forma substancial a felicidade de quem a pratica. Quem já fez sabe bem como é o retorno.

Então, estamos com os ingredientes da felicidade à mão. Colocamos em nossa vida o prazer, engajamos ao máximo e passamos a dar um significado à nossa vida. Basta buscá-los que tudo ficará “um mar de rosas”. Não é bem assim! Como um dos pilares da felicidade é o engajamento, necessitamos de estar sempre conquistando algo. Daí, surgem as contrariedades, dificuldades e desilusões. Pessoalmente, acho que pessoas mais felizes são aquelas que têm desejos mais simples e têm maior facilidade de lidar com os fatores de estresse do dia a dia. Somos diferentes e, portanto, temos necessidades diferentes. A felicidade está nas coisas mais simples. Se tivermos algo a fazer, um bem a realizar, estaremos felizes. Na fala de Fernando

(*) Imagem copiada de espelhooculto.blogspot.com

4 comentários sobre “O QUE É FELICIDADE?

  1. Cristine Martin

    Oi Lu!
    Excelente artigo do Dr Telmo, gostei!
    Aproveito para recomendar um ótimo livro do Dalai Lama e do Dr. Howard Cutler, chamado “A Arte da Felicidade”. Vale a pena ler!

    Beijos!

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Cris

      O Dr. Telmo tem nos brindado com textos excelentes, relativos ao dia a dia.
      Tem sido muito buscado pelos leitores.

      Quanto ao livro A ARTE DA FELICIDADE, eu já o li.
      Achei-o excelente.
      É uma boa dica para os leitores.

      Acaba de chegar ao mercado um novo livro do Delai Lama.
      Esqueci-me do nome, agora.

      Beijos,

      Lu

      Responder

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