OS ANIMAIS NÃO FALAM, MAS SENTEM!
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Autoria de Marcela Cristina Chaddad  

            

De tanto brincar, cansamos/ Podemos trocar as bolinhas e os brinquedinhos/ Mas a rotina é pura exaustão.

Falo, a princípio, de gatos domesticados, vivendo em um apartamento, o que também penso ser adequado. Mas que tal falarmos de um tigre-de-bengala, vivendo em jaulas em inúmeros zoológicos que defendem a conservação da espécie (em extinção) em cativeiros? São prisioneiros! Quais crimes cometeram? Ah! Sim! Os crimes da humanidade contra o meio ambiente e os animais. Ficam expostos o tempo todo para visitação, sem privacidade alguma. É tudo muito divertido! Só que não! É só dor. Você se imaginaria na mesma condição? Ou teremos que dialogar de forma cartesiana?

Há muitas alternativas e projetos possíveis. Mas o tráfico de animais (que tem passado batido) alimenta a comercialização e assim caminha a nossa (des) humanidade. Há muitos projetos, muitas possibilidade de defesa à vida. Analise pelo Projeto Tamar, pelo Projeto Peixe-Boi ou o da Baleia-Jubarte. São cativantes e não exploram os animais. São educativos, na medida exata!

O tigre-de-bengala está em risco de extinção. Espécie que habitava quase toda a Índia e que atualmente encontra-se dispersa por Bangladesh, Nepal, Butão e Myanmar. Por que será que está em extinção? É culpa de quem? Da espécie ou do homem? Onde deveriam ser desenvolvidos os projetos de proteção à espécie? O que faz um tigre-de-bengala preso numa jaula de zoológico, fora de seu habitat? Qual o propósito da reprodução em cativeiro, que no caso de muitos zoológicos, da maioria, diga-se de passagem, nem existe! Sabemos e acompanhamos pela mídia e por diversas redes sociais e sites de proteção ambiental que muitos zoológicos promovem a reprodução em cativeiro e após um período fazem a eutanásia dos filhotes, justificada por questões genéticas. Um absurdo! Um descaso pela vida! Isso é fato! E contra fatos não há argumentos! Onde queremos chegar com tudo isso?

 Vamos continuar aplaudindo os trabalhos dos zoológicos ou apoiaremos os projetos que de fato não só recuperam as espécies, como promovem a educação ambiental para preservação da natureza? Mas é tão confortável visitar um zoológico!? Os lugares são sempre “bacanas”, há espaço para caminhar, muitas árvores, lanchonetes com comidas “atrativas”: cachorro quente! Olha só! Cachorro quente! Matamos e comemos os nossos irmãos não humanos e ainda festejamos. Tem pipoca e sorvete para a criançada! E não precisamos dispensar muitos esforços físicos, nem fazer treinamento algum. Nós estamos livres e eles presos, vivendo 24 horas por dia de pura tortura. É bem a cara da política do pão e circo.  Tão pouco há aulas de educação ambiental e sobre a vida de cada irmãozinho não humano que segue no eterno confinamento.

 Visitar um Parque Aquático! Eu mesma já fui. Até abracei um golfinho. Só que o tempo é REI! Traz sabedoria e amadurecimento para distinguirmos que nem tudo que nos dá felicidade momentânea, conforto e satisfação é moral, justo e humano. Os animais não falam, mas sentem. E nós podemos falar por eles. Pensem com o coração: Quem gostaria de pagar por um crime que não cometeu? Eles pagam pena de vida! Querem ver animais? Vão mergulhar, façam safáris ecológicos, aventurem-se pelas cachoeiras, rios e mares. Visitem projetos, áreas e parques de preservação ambiental. Chega de covardia e sofrimento! O concreto não me satisfaz! E, no auge da minha depressão, algo ainda faz pulsar o meu coração, que é o amor pela natureza e o resgate da minha fé na humanidade. Algo ainda me acena que vale a pena continuar. Ainda há tempo para salvamentos.

Há muitos zoológicos com trabalhos bacanas, buscando a preservação de espécies. Mas eles (digo sobre os trabalhadores que acreditam nessas causas) não entenderam muito bem a direção e os fundamentos do sistema! Não podemos e nem devemos responsabilizá-los pelo trabalho que fazem. Fazem acreditando num bem maior! Entretanto, podemos dar uma boa mexida crítica nisso tudo. Sei e reconheço que os trabalhadores são dedicados, cuidam e prestam de alma e coração os cuidados aos animais. Mas o negócio é mais em cima. É o Sistema! O maldito Capital, que promove a exploração humana e a dos animais pelos homens. Todos, enfim, no mesmo barco. Mas o especismo (ponto de vista de que uma espécie, no caso a humana, tem todo o direito de explorar, escravizar e matar as demais espécies, que está intrinsecamente, ligado à relação capital/trabalho) não nos permite compreender que navegamos na mesma direção: para o caos.

 Para simplificar, uma primeira alternativa: e se cada região cuidasse da preservação de sua fauna, sem deslocar, comercializar e transportar animais de um continente para outro, não seria mais apropriado, justo, ecológico e sensato? Mas como ficaria a moeda de troca do Capital?! Seguimos pagando o preço pela tortura e sofrimento dos nossos irmãos não humanos. Aliás, quem não se comoveu com a girafa morta no zoológico dinamarquês e depois com o sacrifício de outros quatros leões? Tudo por uma questão de genética! Olha que beleza! O quanto vale uma vida! Não? Não se importaram? Por favor,

 “Saia do meu caminho/ Eu prefiro andar sozinho/ Deixem que eu decida/ A minha vida/ Han! Han!/ Não preciso que me digam/ De que lado nasce o sol/ Porque bate lá meu coração”  (Belchior).

14 comentários sobre “OS ANIMAIS NÃO FALAM, MAS SENTEM!

  1. Celina Telma Hohmann

    Marcela

    Você realmente olha para o que há que ser olhado! Seu texto, cheio de inconformismo justo é um desabafo que muitos deveriam tomar como norte para que a vida permaneça seguindo seu ritmo perfeito, lindo e tão natural, mas, como você cita, seres desumanos, em busca do dinheiro, fazem dos animais moeda de troca. Zoológicos parecem um parque de diversões, por vezes bem cuidados, mas cadê a liberdade do animal? Foi-se embora e ele, sem entender, submete-se e aplaudimos – não é o meu caso,tampouco o seu – mas é assim que funciona. Como nos sentiríamos se fôssemos enviados a um outro mundo, onde aquilo que nos é permitido fosse tolhido? Seríamos prisioneiros, com a vantagem de poder esbravejar, xingar, julgar injusto e buscar justiça, o que não é dado aos animais que o homem, como soberano e dono absoluto de tudo, maltrata, ultraja, muda de condição e ainda considera-se vitorioso…

    Nosso não conformismo com casos assim são esparsos.Mais pessoas deveriam ter essa percepção e bater a mão no peito, fortemente, dizendo: chega! Seria um bom começo, mas o que assusta é que instituições, que lutam pela causa, são tidas como tolas. Já fui xingada por um senhor do Amazonas, com ameaças, inclusive, quando, escrevendo sobre o que penso e julgo correto nessa situação dos bichos, tomou-me por imbecil, chamando aos demais de “playboys”, que ele e sua turma bota a correr no Estado em que mora. Fez avisos nada agradáveis de que estava metendo-me onde não devia e por aí foi. Não me colocou medo, mas aquela sensação desagradável de que o homem ainda continua sendo o terrível bicho que se salvou da Arca!

    Unidas pela causa! Mais que apoio e se juntarmos forças, ah, as coisas andam, mesmo que lentamente, mas vão!

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  2. Maria Lúcia S. Capeli

    Marcela, linda, sua preocupação com esses seres, que amamos muito! Sendo filha desse casal querido, que tem a casa aberta aos nossos bichinhos, não poderia ser diferente. Fica chocada vendo os coitadinhos presos, num cativeiro, fora do habitat natural. Bom seria se pudessem ser livres, bem tratados, respeitados! Vamos sonhar com um futuro melhor para eles. Seria bom se existissem mais Marcelas no mundo!

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    1. marcela

      Lúcia, você é uma querida. Fico muito feliz com suas palavras.

      “É preciso ter sonho sempre/ Quem traz na pele essa marca/Possui a estranha mania/ De ter fé na vida”
      (Milton Nascimento)

      Um grande beijo!

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    2. Edward Chaddad

      Caríssima Lúcia

      Realmente, temos muitos animais em casa. Confesso que é aquele amor que mora dentro do coração da Cidinha. Eu também adoro animais, mas não como ela. Agradeço muito sua palavras comentando o texto de minha filha.

      Um forte abraço.

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  3. Edward Chaddad

    Querida filha.

    Adorei seu texto. Fez-me refletir no fato de que os valores humanos estão, paradoxalmente, cada vez mais desumanos e, ainda, principalmente, sobre os zoológicos, que você analisou com maestria. Sobre eles, embora deixe claro que há zoológicos que buscam a preservação das espécies, porém, como você deixou claro:

    “O que faz um tigre-de-bengala preso numa jaula de zoológico, fora de seu habitat? Qual o propósito da reprodução em cativeiro, que no caso de muitos zoológicos, da maioria, diga-se de passagem, nem existe! Sabemos e acompanhamos pela mídia e por diversas redes sociais e sites de proteção ambiental que muitos zoológicos promovem a reprodução em cativeiro e após um período fazem a eutanásia dos filhotes, justificada por questões genéticas. Um absurdo! Um descaso pela vida! Isso é fato! E contra fatos não há argumentos! Onde queremos chegar com tudo isso?”. E disse mais: “…o tráfico de animais (que tem passado batido) alimenta a comercialização e assim caminha a nossa (des) humanidade.”

    Este ponto que você objetiva, a exploração dos animais pelos seres humanos, caminha junto com a do nosso próximo e o da natureza. Quanta tragédia em nosso cotidiano!

    Já mencionei em um artigo que escrevi neste blog que ”lembro-me de ter assistido a um filme, relativo à vida de Noé, onde ele chama a atenção de seu filho, ainda menino, que estava arrancando flores em um campo. Ele lhe perguntou sobre o que faria com as flores, sabendo que as iria jogar fora. E aí emendou: Sirva-se da natureza apenas para as suas necessidades. As flores são vida. Elas irão se espalhar por todo o mundo. Quem ama a vida, ama a natureza. Como parte do mundo – criação divina – ela deve ser venerada e, certamente, defendida com unhas e dentes. E é claro que os esforços de todos nós, unidos, tendo como suporte o amor, podem fazer a diferença em prol de uma humanidade muito mais feliz”.

    Para os amantes do materialismo e do consumo doentio, frutos do capitalismo, não é obstáculo algum viver com a consciência tranquila, pois esta é a ética dos novos tempos. Na verdade, o capitalismo é devorador. A sede de lucros é incontrolável. Nada detém a ambição e o desejo de consumir e de gozar a vida de certas pessoas, mesmo que seja com o sofrimento dos seres humanos e dos animais. Nelas parece haver um prazer incomensurável com o dinheiro ganho, mesmo ilicitamente, explorando seu próximo, os animais e exterminando a natureza – a vida. E há quem os defenda, pois, pensam: o que vale é a riqueza. Isso é o poder!

    Há um quadro de insensibilidade diante dos animais enjaulados, da natureza destruída e devastada, dia a dia. É o mundo capitalista que se centra no consumo, eliminando até o prazer de uma alegria construída e fantasiosa, que o dinheiro pode oferecer a ele, o consumidor.

    Há um indiferença diante da desgraça que paira no mundo, a destruição da flora e da fauna e da própria humanidade, como se tudo fosse normal. Aceitável. Certo. Do jeito que deve ser, sem sequer direito à vida. Hoje vale mais um carro zero na garagem do que a verdade, a solidariedade, a compaixão, a dignidade, o trabalho, a honra, o sentimento de justiça, a honestidade, o louvor ao trabalho, o respeito ao próximo e à lei, o direito à igualdade. Ainda, desaparecendo, o amor ao próximo, à flora e a fauna, à vida, enfim todos os valores humanos e éticos, que devemos guardar em nossos corações e, perenemente, em nossos espíritos.

    Felizmente, há pessoas que ainda se sensibilizam com o drama e a dor do seu semelhante e dos animais, que se sensibilizam com a flora e a fauna e, com sabedoria, buscam auxiliar, com maravilhosos projetos, na defesa da vida, como aqueles que você mencionou:

    “Há muitos projetos, muitas possibilidade de defesa à vida. Analise pelo Projeto Tamar, pelo Projeto Peixe-Boi ou o da Baleia-Jubarte. São cativantes e não exploram os animais. São educativos, na medida exata!”

    Nas pessoas idealistas e sábias é que ainda deposito minha fé e esperança no dia de amanhã. É uma luta difícil e repleta de empecilhos, mas que devem ser apoiadas e, sobretudo, servirem de exemplos. Não vejo nelas D. Quixote. Vejo, sim, luz, espiritualidade e ideal voltados aos sentimentos mais nobre que os seres humanos possuem: a solidariedade, a compaixão, o amor ao próximo, à fauna, à flora, à natureza, enfim à vida! Deixando os sentimentos do lado, a própria racionalidade é um argumento poderoso na sabedoria da defesa da natureza. Já escrevi que:

    “No pensamento do filósofo Martin Heidegger é importante refletirmos que não é muito claro o entendimento que coloca o homem como sujeito e a natureza como objeto. Se compreendermos que todos nós somos frutos da natureza, portanto, parte integrante dela, não podemos levar o mundo ao desequilíbrio. É a nossa racionalidade que deve buscar manter a fusão entre a natureza e nós, seres humanos. Se ela não existir, todos iremos perecer. Temos que preservá-la, mantendo equilibradas a vida vegetal e animal, para que possamos tornar a vida possível, usando corretamente os recursos de nosso planeta”.

    Seu artigo, querida filha, é maravilhoso. Fiquei muito orgulhoso pela sua sabedoria e por ter guardado, em seu coração, sentimentos tão nobres.

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  4. Francimeire Leme

    Marcela,

    Concordo muito com você. Teu texto reflete bem toda a crise que vivemos nesta sociedade falida. Não dá mais pra aguentar calados toda a opressão que vemos e sentimos. Um basta precisa vir, surgir, brotar. Seja dos impulsos mais impulsivos que transbordarem da nossa existência. Agradeço tuas palavras reflexivas, é hora de repensarmos sobre todos os valores cristalizados de geração a geração e questionar essa objetificação animal e humana.

    Grande abraço a ti,

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  5. LuDiasBH Autor do post

    Marcela

    Em seu tocante texto, você nos chama para tomarmos posição no que diz respeito aos nossos irmãozinhos de planeta. Felizmente, uma minoria iluminada tem feito a diferença nessa nossa luta que deve ser sem tréguas, pois nós, os comprometidos, temos uma grande responsabilidade. Nada mais verdadeiro do que suas palavras:

    “Só que o tempo é REI! Traz sabedoria e amadurecimento para distinguirmos que nem tudo que nos dá felicidade momentânea, conforto e satisfação é moral, justo e humano.”.

    Você é um ser humano muito especial, saiba disso!

    Abraços,

    Lu

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    1. Mario Mendonça

      Prezada Marcela

      Basta o entendimento da palavra capital (99,9% dos terráqueos não conseguem), para resumir a dor neste seu ótimo artigo, mas infelizmente não possuímos evolução para discernir o prazer individual do coletivo! Somos, por natureza, moralistas seletivos!

      Abração

      Mário Mendonça

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    2. Marcela

      Lu,

      Gratidão pelas palavras. Você sempre me cativa com suas colocações, poemas e contos. Obrigada!

      Saudações fraternas

      Marcela

      Responder

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