SEM NEM ABANAR O RABO

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Autoria de LuDiasBH

burra

A minha amiga Lacerdina Matavirgem procurou-me hoje, babando de raiva, no intuito de buscar consolo. Relatou-me a revoltosa figura que certa prima, para quem ela desencavara um marido a duras penas, que vivia antes numa deprê do cão e, que agora se encontrava no bem bom, havia passado por ela sem nem abanar o rabo. E declarou mais isso e mais aquilo, desfiando um rosário de desagradecimento, embófia e cavilagem. Se tudo fosse veridicidade, a tal prima era uma desalmada persona, cujo melhor alexetério era manter o apartamento, de preferência, a  dois milhões de anos-luz.

Quando minha amiga se foi, carregando seu fardo de pesadume e enfezamento, eu me pus a pensar: qual seria o propósito que leva um indivíduo a botar os bichos nas malquerenças humanas, sem que ao menos sejam consultados? Por que o rabo entrou nessa história, se humano não tem nem um rabicó, nem mesmo um cotozinho? É fato que esta palavra tem sido creditada a certas figuras que andam dando o meuê-meuê a torto e a direito. Contudo, é sabido que antigamente, a palavra “abanar”, que significa sacudir de um lado para o outro, vascolejar ou balouçar, não se referia ao rabo dos bichos, como termo pejorativo. O caso era bem outro. Eu vou contar para você, meu querido leitor.

No século XIX, nas casas endinheiradas, onde se reuniam muitos convivas, e mesmo na falta desses, durante as refeições, os pobres escravos, uniformizados para mostrar a optimacia da família, ficavam próximos à mesa, sacudindo uma vara flexível, que trazia na extremidade um pedaço de tecido transparente, papel ou palha entrelaçada, para espantar as moscas e refrescar os comensais, uma vez que ainda  existia ventilador e inseticidas. Esse objeto escalafobético recebeu o nome de abano. Os escravos sofriam com tanto abanamento. Era uma abanadura dos diabos.

O “abanar o rabo” de minha amiga, ou da prima dela, sei lá, pois não faço parte da história, no entanto, nada tem a ver com a abanação dos escravos, significa: sem lhe dar importância ou confiança ou, como diria minha santa vozinha, e que Deus a tenha, “A moça ficou metida a biscoito de sebo, agora que arranjou um marido rico.” Ihhh! Biscoito de sebo deve ter um gosto pavoroso.

Eu, particularmente, se não me abanam o rabo, não dou a mínima. Há muito aprendi a deixar de lado minha suscetibilidade e jogar certas figuras no baú do esquecimento.

Coitada da minha amiga Lacerdina Gois da Mata Virgem, ela ainda não compreendeu que “O dia do benefício é véspera de ingratidão.”, e eu também, pois estou sempre a levar lambadas. Mas isto é outra história.

Nota: Imagem copiada de sodeboainformativo.blogspot.com

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