Arquivo da categoria: Livros

Assuntos diversos

Livro – MEU IRMÃO, MEU AMIGO

Autoria de LuDiasBH

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O escritor Francisco Paiva Carvalho nasceu na cidade mineira de Pará de Minas, em 1955. É bacharel em Direito, casado e pai de dois filhos. Desde muito cedo descobriu seu talento para a literatura. Possui poemas, contos adultos e infantis publicados em livros e jornais. Foi vencedor de concursos promovidos pela Prefeitura de Pará de Minas, pelo Movimento Pitanguiense de Ação Cultural e pela Universidade de Itaúna. Recebeu menção honrosa em concursos literários promovidos pelas Academias de Letras das cidades mineiras de Divinópolis e Araguari e também da cidade de Cachoeiro do Itapemirim, no Espírito Santo. Publicou em 2010, pela Editora Novaterra, o livro Lua Crescente (http://migre.me/twplt),  em coautoria com o ilustrador Fernando Reis.

 A vontade de escrever o livro “Meu Irmão, Meu Amigo” surgiu há bastante tempo,  quando Francisco Paiva Carvalho percebeu que havia escassez de textos infanto-juvenis com temática relativa à morte. A partir daí nasceu a ideia de escrever uma história de ficção que pudesse entreter e, também, ajudar as crianças a compreenderem um pouco do que seja essa partida, muitas vezes inesperada, pois muitas delas passam pela experiência de perder um ente querido, sem jamais terem lido algo sobre o assunto, o que torna o choque muito grande, deixando às vezes profundas sequelas. O público alvo desse trabalho é dirigido à faixa etária de 7 a 12 anos de idade. 

Sinopse

O livro “Meu Irmão, Meu Amigo” narra a comovente história de dois irmãos, José Maria e Joaquim, que sempre tiveram uma ligação muito forte entre si. Mais do que irmãos, eles eram, sobretudo, dois grandes amigos, companheiros inseparáveis. O amor que os unia era feito de admiração e de muito cuidado de um com o outro. Faziam as tarefas escolares juntos, viam televisão, dormiam no mesmo quarto e até sonhavam, muitas vezes, os mesmos sonhos. O mais novo deles até desejava que o mais velho fosse reprovado na escola, para que pudessem frequentar a mesma sala. Mas como a vida tem os seus reveses, um trágico acidente aconteceu na vida desses dois garotos, obrigando-os a separem-se para sempre. Diante da intensidade da dor, José Maria acabou criando uma estratégia, de modo a preservar o irmão do sofrimento incontido, que parecia inevitável.

Fica portanto o convite aos pais, com filhos entre 7 e 12 anos, para que os façam conhecer a história comovente desses dois irmãos, em que o amor e a  lealdade falam mais alto e, para que também possam ir compreendendo que a vida humana é finita. Não há como não se emocionar diante de “Meu Irmão, Meu Amigo”.

Nota: o livro foi lançado em e-book, bastando acessar a página abaixo:
http://digitalizabrasil.com.br/e-books/meu-irmao-meu-amigo

MEMÓRIA E TRADIÇÕES POPULARES

Autoria de Luiz Cruz

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Em Tiradentes, a maioria das manifestações culturais sempre esteve ligada às devoções religiosas. Elas se entrelaçaram  abrigando todas as camadas sociais, as habilidades e ofícios a serviço da beleza e do brilho das cerimônias, da história, da vivência e da memória. Algumas dessas manifestações foram passadas através das gerações, como um legado devocional e cultural, adotadas e assumidas por famílias que integraram essas atividades. Em muitos casos, promoveram a união e o diálogo entre seus membros, tornando-se um motivo de orgulho para os jovens herdar a honra e a responsabilidade de participar dessas atividades, na falta dos mais velhos.

Outras manifestações culturais perderam sua força ao longo do tempo, seja pelas dificuldades financeiras e a falta de apoio em geral, ou perda das lideranças que as mantinham ativas. O interesse e o gosto em lutar por sua continuidade cederam lugar aos apelos de novas ocupações e de seitas religiosas, algumas a impor limites e condenações à alegria presentes nas manifestações de ordem cultural. Algumas tradições encontram-se ainda ameaçadas pela influência da cultura de massa, muitas vezes destituída de conteúdo e sentido, presente nas expressões culturais contemporâneas.

O patrimônio imaterial, contido nessas manifestações, é fundamental para manter  a identidade local. Seus registros aqui em Tiradentes e em seu entorno vêm valorizar essa memória para que a Educação abra espaço para melhor conhecê-la e preservá-la. Desejamos que o reconhecimento do legado da tradição seja a comunhão dos cantos, das danças, das cores, da fé e da alegria, para agradecer e celebrar a vida.

O livro Memória e Tradições Populares registrou todos eventos ao longo do ano – as festas populares, as festas cívicas, as festas religiosas, os costumes, os usos e as tradições de Tiradentes.  Trata-se da última publicação do Projeto Educação Patrimonial, tendo o Instituto Histórico e Geográfico de Tiradentes como proponente e o BNDES como apoiador financeiro.

Memória e Tradições Populares, fruto de ampla pesquisa das tradições, da memória e da história de nossa gente, é um importante registro das festas populares, cívicas, religiosas, de costumes e usos e das tradições de Tiradentes e região. É uma viagem no tempo, um resgate da cultura popular passada através das gerações, reconhecida nas ações do cotidiano, onde a manutenção das tradições culturais são respeitadas e valorizadas, favorecendo o autoconhecimento e a qualidade de vida. E é com grande orgulho que entregamos para Tiradentes e região, para pesquisadores e interessados nesses temas em nosso Estado, no país e no mundo, esse registro que contribuirá para o resguardo dessas manifestações tão importantes que constituem nossa identidade.

O Projeto de Educação Patrimonial está sediado no Espaço Educativo do Museu da Liturgia, Rua Jogo de Bola, nº 15, centro histórico de Tiradentes.

O lançamento do livro Memória e Tradições Populares  será no próximo dia 08, às 17h, no Centro Cultural Yves Alves, Rua Direita, 168, centro histórico de Tiradentes.

Contatos:
Museu da Liturgia:   (32) 3355-1552
Luiz Cruz –   (32) 3355-1272
Maria José Boaventura –   (32) 3355-1272

Fotografias: Congado de São Benedito e Carnaval – Bloco Ver-te-cana.
Fotos: Luiz Cruz

QUE NINGUÉM NOS OUÇA

Autoria de Raquel Araújo

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Tive o prazer de ir ao lançamento do livro “Que Ninguém Nos Ouça: Terapia Virtual Entre duas Mulheres”, obra das escritoras Leila Ferreira e Cris Guerra. A noite foi de um bate papo gostoso. A química entre o palco e a plateia era contagiante. Grande Teatro lotado, pessoas vidradas absorvendo cada palavra. Respeito – raro em eventos, ainda mais nos gratuitos – e risos compartilhados. Amei!

Eu não conhecia a Cris Guerra. Ouvi algo sobre ela há algum tempo, mas nunca me interessei pelos seus escritos. E foi uma ótima surpresa. Trata-se de uma mulher incrível: intensa, com humor refinado e raciocínio rápido. Encantadora. E fez um par imbatível com a Leila Ferreira, que é uma ouvinte extraordinária e tem sempre um toque de delicadeza para tratar de tudo, suavizando e, ao mesmo tempo, extraindo aprendizado profundo até dos assuntos mais doloridos ou mais banais.

Essas mulheres, que aparentemente não têm nada em comum, mostraram uma amizade tão gostosa, daquelas com sintonia, de gente que ri e chora junto. Dá pra ver que não é “fake”, que não era manipulação para vender livros. Essas duas mulheres são transparentes. Também não há desejo reprimido. Pode-se ler tranquilamente o livro, sem medo de ter uma declaração de amor ou um convite picante no próximo parágrafo. Sem segundas intenções, trata-se uma amizade verdadeira entre duas mulheres. Uma, de 45 anos, toda tatuada, mãe de um filho – cujo pai morreu no sétimo mês de gravidez – solteira, tendo sido casada por 4 vezes. A outra, uma mineira do interior, mas que ganhou o mundo, agraciada por uma trajetória profissional incrível que lhe permitiu conhecer tantas pessoas e lugares, mas que sempre lutou contra depressão.

Chorei duas vezes. Ri em incontáveis momentos. O que mais me marcou nessa noite foi a lição de ter encantamento com a vida, apesar de sofrida, complicada, incerta. Permitir-se ficar triste e permitir-se ser consolada. Aprender a relativizar os acontecimentos, a ver a vida de outros ângulos por meio dos olhos generosos da amizade. Foi falado que nós, mulheres, valorizamos muito o relacionamento amoroso, que nos fechamos nele. Mas devemos aprender que o mais importante relacionamento do mundo é a amizade. É ele que nos sustenta.

Leila me tocou especialmente falando do seu arrependimento de não ter tido filhos. Que essa é uma ferida que dói, um vazio que incomoda. Que ela sente que o carinho do público é uma compensação. Fiquei pensando se eu terei algum arrependimento no futuro. Hoje não quero. Mas e depois, quando eu tiver 62 anos? Ao final, Leila fez um convite que me fez sentir uma visitante na casa dela, num domingo de tarde. Tinha pão de queijo com café no saguão, enquanto davam autógrafos. Mas achei que a muvuca de mais de 800 pessoas não combinava com o meu estado interno de querer revolver as palavras, de pensar na vida. Saí com água na boca – mais pela dedicatória que pelo cafezinho.

Convido os leitores do blog Vírus da Arte & Cia a lerem o livro em questão. Tenho a certeza de que irão apreciá-lo muito. Vejam o prefácio de Martha Medeiros:

Doçura, inteligência, graça, suavidade – lembra? Também imaginei que estivessem em extinção, mas descobri que seguem vivos nas páginas de “Que ninguém nos ouça”. Não que seja uma literatura para mocinhas inocentes: o assunto muitas vezes é barra. Nem Leila, nem Cris saltaram de um conto de fadas. Porém, mesmo quando confidenciam a parte “trash” de suas trajetórias, a delicadeza continua mantendo o tom. Amargas? Nem que quisessem. Nem que tentassem. É o único talento que elas não têm.

Duas mulheres incomuns e com experiências singulares: só pelo voyeurismo consentido, já valeria dar uma espiada nessa troca de e-mails entre as duas. Porém, basta abrir a primeira página para perdermos a ilusão de que teremos algum controle sobre a leitura. É a Leila e a Cris que seguram o leitor nas mãos: fisgado e rendido, ele ficará preso até a última linha, quando então retornará à vida acreditando novamente na espécie humana.

Ficha técnica
Título: Que Ninguém nos Ouça: Terapia Virtual Entre duas Mulheres
Editora: Planeta do Brasil, 2016

Nina Pandolfo – NINA

Autoria de LuDiasBH

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A artista paulista Nina é a filha mais nova de uma família com cinco mocinhas, o que deixa ao leitor uma pista de como deve ter sido a sua infância, ao lado de quatro irmãs bisbilhotando o universo feminino com seus olhos enormes, e também o porquê desse mundo fantástico ser povoado por tantas menininhas fofas, adejando pelo bairro paulista do Cambuci e por várias partes do mundo (Alemanha, Cuba, Espanha, Grécia, Estados Unidos, Índia, etc), com suas flores, gatos e vagalumes.

Nina busca na infância e na natureza inspiração para seu trabalho, sendo essa temática a mais comum em sua obra. Suas menininhas, com olhos traquinas de jabuticaba, despertam uma vontade danada de a gente entrar através deles, até chegar ao castelo encantado da alma, e ali descobrir todos os seus arrebatadores mistérios. A artista também enfoca, nos seus murais e pinturas, os animais, com predileção pelos insetos.

Nina Pandolfo já tem no mercado um livro chamado “Nina”, Editora, Master Books, onde relata a sua trajetória pessoal e artística, contada através de textos, fotos e trabalhos da autora. Trata-se de um livro de arte com uma qualidade excepcional. Um belo presente para quem o recebe. Está aí uma dica para presentes. Vamos valorizar os nossos artistas. Mas rata que sou dos “stands” de arte, confesso que nunca vi o livro da Nina, em meio a tantos estrangeiros. O que é uma pena!

Ficha técnica do livro
Gênero: Artes
Autora: Nina Pandolfo
Editora: Master Books
Nº de páginas: 208

Fontes de pesquisa:
http://ffw.com.br/noticias/moda/expoente-da-arte-de-rua-nina-pandolfohttp://luxo.ig.com.br/objetosdedesejo/nina-pandolfo-arte-em-grafite-das-ruas
https://www.escritoriodearte.com/artista/nina-pandolfo/

RAM MUNDA (13) – VISÃO SOBRE OS INDIANOS

Autoria de LuDiasBHCapa de Ramun

Depois de viver seis semanas como um dalit, a visão do escritor francês, Marc Boulet, sobre o povo indiano não é das melhores. Para ele, os indianos acham-se especiais em tudo, superiores aos estrangeiros. Embora não possuam a xenofobia vista em outros povos, mas uma grande indiferença e espírito de superioridade. Eles se consideram mais civilizados do que qualquer outro povo, e acham a cultura indiana a melhor do mundo, de modo que, qualquer outra está abaixo dela. Sentem pelo estrangeiro um grande desprezo. Veem-no como um bárbaro, um dalit (intocável). Todo aquele, que não pratica o hinduísmo, aos olhos dos hindus, não é civilizado e seus costumes ficam abaixo dos costumes dos dalits.

Os estrangeiros são repugnantes, porque comem o cadáver de um animal sagrado, a vaca. Destacam o fato de os ocidentais, ao defecarem, limparem-se com papel, em vez de se lavarem. Por isso, eles continuam sempre sujos. Criticam também o fato de os estrangeiros assuarem o nariz em um pano, que guardam no bolso, para uma nova utilização, pois os indianos não usam lenço. Eles apertam as narinas, uma de cada vez, e expulsam o muco do nariz. Fazem isso em qualquer lugar público, até mesmo no meio da rua, quando se sentem à vontade, sem se preocuparem com os micróbios lançados na atmosfera. O mesmo eles fazem com os excrementos. Consideram que conservar matérias impuras no interior do corpo não é auspicioso. E, diante de tal justificativa, abaixam a calça na rua. Não há preocupação com a limpeza coletiva, apenas com a individual. Sentem um grande desprezo pelas castas pobres. E sempre dizem pertencer a uma casta superior à que pertencem. São mentirosos, portanto.

Os indianos são metidos a sabichões, a donos da verdade. Não possuem respeito pelo estrangeiro, mas sim pelo máximo que puderem extrair deles. Chamam-nos de “macacos vermelhos”. Também evitam o contato com esses, para que não possam se sujar. É visível o desprezo que dedicam a quem não é como eles, ou que difere de seus costumes. Na Índia come-se sem talher, com os dedos da mão direita. A mão esquerda é usada para lavar o ânus. Não se concebe a ideia de o estrangeiro usar as duas mãos para o mesmo fim. Dizem que os hábitos alimentares e higiênicos dos estrangeiros causam repugnância. E que eles tornam impuro tudo o que tocam. Por isso, recusam-se a usar um utensílio usado por um estranho.

O estrangeiro é muito visado em todo o país. Não pode passear sem ser parado a todo o momento por mendigos, traficantes, fedelho com endereços de encontros amorosos, vendedores ambulantes, homens “santos”, barqueiros, barbeiros, astrólogos, sacerdotes que benzem… Há sempre alguém importunando, querendo vender alguma coisa, ou oferecendo algum tipo de serviço. Apesar da falsa impressão que um estrangeiro possa ter sobre o recato dos indianos, esses adoram falar sobre sexo e dizer palavrões. Coçam os testículos publicamente e os ajeitam o tempo todo, como um desejo de mostrar virilidade. E se julgam os tais na arte do amor. No entanto, a sexualidade dos indianos carrega problemas, como os encontrados em qualquer outra civilização: impotência, brutalidade nas relações, ausência de intimidade, casamentos de conveniência, etc.

Marc Boulet acha que Gandhi deve ter pregado a não violência como sistema de vida e luta, talvez porque achasse os indianos muito violentos. E esses, além de não aceitarem tal ideal, também não aceitaram banir a intocabilidade. Gandhi não tem mais nada a ver com a Índia de hoje. São tantas as castas e tantas as origens que, imagina Marc Boulet, é difícil para um indiano se definir em termos de cidadania, de nacionalidade. Pertencem a uma região, ou a uma religião, ou a uma casta. É normal que um indiano não se sinta como um membro da União Indiana.

Os indianos não pronunciam três expressões: Desculpe!/ Obrigado!/ Por favor! Não é um povo cortês, é descortês mesmo, grosseiro. E não se melindra com nada, tampouco sabe o porquê de ter que se pedir desculpas. Nunca acha que esteja incomodando. E, mesmo que estivesse, isso não tem a menor importância. O próprio hinduísmo insiste nos deveres do indivíduo em relação a si mesmo, sem se preocupar com o outro. O que torna as pessoas egoístas.

Nota:
Os pareceres aqui expostos foram tirados do livro Na Pele de um Dalit/ Marc Boulet.

RAM MUNDA (12) – VERDADES SOBRE A ÍNDIA

Autoria de LuDiasBH

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Marc Boulet, ao viver Ram Munda na pele de um dalit, percebeu que as coisas não são bem como lhe ensinaram antes. Ao preparar-se para a sua metamorfose, procurou conhecer a fundo a cultura indiana, através de livros, filmes e informações. No entanto, alguns conhecimentos obtidos não correspondem em nada à verdade  que sentiu na própria pele. Por exemplo, ele aprendeu que os indianos eram tolerantes e não violentos. Compreende agora que a tolerância indiana, de que tanto falam os ocidentais, não passa de um grande engano, um engodo. Na verdade, o que eles sentem é uma profunda indiferença pela sorte do outro. Ignoram-no! Simplesmente recusam-se a enxergá-lo, principalmente quando não pertence à própria casta.

O modo como os poderosos tratam os mais pobres é de uma violência vista em poucos lugares do mundo. Dificilmente eles os veem. E, quando isso acontece, tratam-nos como escravos, coisas sem valor algum. Pois o respeito e a piedade pelos mais fracos não existem no aclamado país da espiritualidade chamado Índia. Os pobres e miseráveis são sempre oprimidos e esmagados. Mesmo quando os indianos praticam a caridade, fazem-no pensando na própria evolução e não no outro. Nem nesse momento eles enxergam os miseráveis.

A submissão, o descaso e a miséria quando explodem no território indiano são de uma ferocidade inimaginável. A violência contra os considerados intocáveis  é pregada nos textos sagrados, na intolerância do sistema de castas e no egoísmo hindu. Qualquer coisa é motivo para que apanhem, sem que ninguém os socorra. Tudo que fazem é visto como insulto às castas mais ricas. A polícia é brutal. Nem os loucos passam imunes. E para quem não sabe, na Índia, a violência parece ser a resposta para tudo. Os indianos estão sempre repetindo: “Quero bater em você!”. Trata-se de um povo excessivamente violento, brutal e sem generosidade.

Marc Boulet observa que os hindus (praticantes do hinduísmo) de casta elevada são incoerentes na busca pela pureza, pois a conduta deles é totalmente orientada pela religião. Embora sigam uma dieta vegetariana e sem álcool, sendo que os mais ortodoxos não comem nem cebola e alho, considerados impuros, a maioria consome drogas à base de cannabis. Existe também um grande número de hipócritas, que comem carne de cabra ou de frango, e se embriagam às escondidas. Sem falar no grande número de trapaceiros, sempre querendo obter vantagem, passando o outro para trás. Trata-se de um povo excessivamente materialista.

Os brâmanes, a casta dos poderosos, são fechados e intolerantes, embora assumam uma aparência honesta e civilizada. É verdadeiro que fomentam a violência contra os intocáveis, que têm horror a eles. São cruéis e perversos. Acham-se poderosos e são prepotentes.

É muito comum encontrar eunucos pelas ruas de Benares. Usam muita maquiagem, cabelos compridos e sáris coloridos. E rebolam ao andar. Se alguém assovia para um eunuco e lhe pergunta se tem bur (gíria referente à vagina), é comum que esse levante o sári e o saiote para mostrar o sexo: dois lábios finos e vermelhos, de três a quatro centímetros de comprimento, como se fossem costurados sobre a bacia reta e chata. Não possuem pênis, testículos e pelos. Dizem que eles não usam cuecas, para poderem exibir o sexo, quando as pessoas aborrecem-nos. De modo que, assim, possam caminhar em paz.

Gurus abundam na Índia. Em cada cruzamento é possível ver, no mínimo, um guru, um filósofo ou um santo. Verdadeiro ou impostor. A maioria deles é uma fraude, vive a tirar dinheiro dos incautos, principalmente dos turistas. O país também é farto em adivinhos, curandeiros e astrólogos. E ali nada se faz sem uma consulta prévia a eles. Jogam com a credulidade dos indianos nas forças sobrenaturais. Em suma, a superstição abunda por toda parte.

Surpreendente para Marc Boulet é o julgamento que os indianos fazem sobre os ocidentais, em relação às mulheres. Dizem que os ocidentais não respeitam as mulheres, ao olharem diretamente em seus olhos e se sentarem perto delas. A moral indiana proíbe qualquer gesto que possa despertar a sexualidade, de modo que as relações sociais entre homens e mulheres ficam no campo do estritamente necessário. A tradição hindu reza que a mulher é apenas um vício concentrado sob o umbigo e um instrumento do diabo para tentar os homens. Ela é comparada ao jogo e ao álcool. E, para eliminar esse vício é necessário que se case na puberdade.

As famosas Leis de Manu, que governam a sociedade hindu estipulam que “Deus atribuiu à mulher a cólera, a desonestidade, a malícia e a imoralidade (…) Do nascimento até a morte, ela depende de um homem: primeiro de seu pai, depois de seu marido e, após a morte desse, de seu filho (…) Não tem o direito de possuir bens.” .

Antigamente as viúvas eram sacrificadas na pira funerária do marido. Os britânicos aboliram esse costume, ainda comum nas aldeias afastadas. Normalmente, se há cadeiras, os homens sentam-se nelas, enquanto as mulheres assentam no chão. Eles comem antes delas e as trancam em casa. Isso acontece até entre os intocáveis, onde as mulheres possuem mais liberdade, podendo sair, fumar e beber.

Os maridos batem em suas mulheres pelas faltas cometidas, sem que elas possam se queixar a sua família. Ela pertence ao marido, como se fosse um objeto, e dela ele pode dispor como bem lhe aprouver. As Leis de Manu rezam que “Um marido, mesmo bêbado, leproso, sádico ou violento, deve ser venerado como um deus.”.

O casamento hindu não passa de uma máquina de fazer filhos. A mulher nunca é vista como uma amante, mas como cozinheira e mãe dos filhos. As uniões são arranjadas e endógamas. As tradições ligam a mulher ao marido como o patrão está ligado ao escravo. Com o tempo, o amor e a amizade podem nascer, assim como nascem entre o cachorro e seu dono. A endogamia (casamento entre indivíduos do mesmo grupo, casta…) é vista pelo hinduísmo, como uma maneira de melhorar a raça indiana, de purificá-la de modo que não venha a se degenerar. Na Índia, os seres humanos são acasalados como os animais domésticos no Ocidente: segundo o pedigree, ou seja, a casta. Não se cruza um vira lata com um buldogue, assim como um brâmane não se une a um ferreiro. E caso um cruzamento desses vier a acontecer, dele nascerá um “chandal”, seres que originalmente constituíram a classe dos intocáveis. A condição vivida pelas mulheres incentiva o assassinato. Como o divórcio é uma infâmia para o marido, só a morte da esposa dá uma liberdade honrosa a ele. De modo geral, a mulher é borrifada com gasolina e queimada viva. Na maioria das vezes o motivo é o dote.

Diante do obscurantismo, da bestialidade e da intolerância vistos na Índia, Ram Munda sentiu-se como se vivesse na Idade Média.

Leiam o capítulo 13…

Nota: Imagem copiada de www.historiadomundo.com.br/indiana

Fonte de Pesquisa:
Na Pele de um Dalit / Marc Boulet