CORTANDO O NÓ GÓRDIO

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Autoria de Lu Dias Carvalho

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Alguém disse, certa vez, que viver é um ato de coragem. Não resta dúvida que sim. Não há uma só semana em que não tenhamos que tentar desatar um nó górdio. Talvez seja este desafio o que nos empurra na nossa caminhada neste planeta chamado Terra, que se mostra cada vez mais conturbado, com uma humanidade mesquinha, cada vez mais centrada em si. E, na impossibilidade de desatar o nó górdio das maldades humanas, muitas vezes é preciso cortá-lo nas estranhas, pois não há tempo a perder, senão o caos instala-se. O inimigo nunca dorme no ponto, mas um dia quebrará a cara.

A expressão nó górdio tem sua origem na mitologia. Conta o mito que na Frígia (Ásia Menor), após a morte de seu rei, o povo foi consultar o Oráculo sobre qual seria o próximo soberano. O tal oráculo vaticinou que o futuro monarca entraria na cidade conduzindo um carro de bois. Assim, quando o humilde camponês de nome Górdio, adentrou na cidade, trazendo na sua carroça, mulher e filho, foi logo aclamado como rei pelo povo que ainda comentava sobre a decisão do Oráculo.

Górdio, em agradecimento pela sua repentina mudança de vida, e também para não se esquecer de que deveria continuar humilde, ofereceu sua carroça à maior de todas as divindades mitológicas – Zeus, o pai dos deuses. Ela foi amarrada a uma coluna do templo, com um nó tão bem feito e complexo que se tornou impossível desatá-lo. O soberano reinou por muitos anos, sendo imbuído de grande sabedoria. Após sua morte, seu filho Midas (aquele mesmo que queria que tudo virasse ouro) ocupou seu lugar, fazendo crescer o império deixado pelo pai. Mas ao morrer, não deixou nenhum herdeiro. E de novo o trono viu-se sem um rei.

O povo recorreu novamente ao Oráculo que vaticinou que quem conseguisse desatar o nó de Górdio, seria o novo rei da Ásia Menor. Todas as tentativas foram infrutíferas, pois aquela tarefa era impossível para um humano. Muitos e muitos anos passaram-se, até que foi ter à Frígia o conquistador Alexandre Magno. Ao tomar conhecimento do vaticínio do Oráculo, tentou desesperadamente desatar o nó, sem lograr êxito. Mas como a espada pode tudo (ou acha que pode), na sua impaciência e exaltação, o conquistador cortou o nó, vindo depois a dominar toda a Ásia. Como os poderosos contam suas verdades a bel-prazer, espalhou-se o boato de que Alexandre Magno desatara o nó de Górdio, quando, na verdade, ele apenas o cortara.

Nota: não foi encontrada a autoria da pintura que ilustra o texto.

8 comentaram em “CORTANDO O NÓ GÓRDIO

  1. Edward

    Lu

    É muito compreensível e verdadeiro o poder dos poderosos, como você nos mostrou ao final de seu texto:

    “como os poderosos contam suas verdades a bel-prazer, espalhou-se o boato de que Alexandre Magno desatara o nó de Górdio, quando, na verdade, ele apenas o cortara”.

    Lembrei-me do Bem Amado, música feita por Vinícius de Moraes e Toquinho, logo na primeira estrofe:

    “A noite no dia, a vida na morte, o céu no chão
    Pra ele, vingança dizia muito mais que o perdão
    O riso no pranto, a sorte no azar, o sim no não
    Pra ele, o poder valia muito mais que a razão”

    Veja: o poder valia muito mais que a razão”.

    Assim, infelizmente, tem sido a nossa humanidade, o bem amado que habita a Terra, que chega ao Poder com mentiras que se transformam em “verdades”, pois ditas por aqueles que podem pois, se contestadas, com certeza “Pra ele, vingança dizia muito mais que o perdão”.

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Edward

      Que maravilha é relembrar o “Bem Amado”! Que seriado maravilhoso, cheio de verdades escancaradas. Grande Paulo Gracindo! Parabéns pelo belo comentário.

      Abraços,

      Lu

      Responder
  2. Alfa

    Lu

    Excelente! Discordo com a afirmação de que tenhamos uma CF fraca. Um congresso que se divide em bancada da bala, bancada da bíblia, bancada do boi, bancada do agro, bancada do nada (Joice, Frota, Tiririca, etc) e uma minoria progressista, é difícil ajudar o país sair do buraco. Isso sem contar com Johnny Bravo na presidência com seus 4 debiloides. E Kassio com k, a piada pronta que ele colocou no STF?

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Alfa

      Nem Alexandre Magno, o Grande, seria capaz de cortar o nó Górdio que amarra o atraso deste nosso país. A turma do bbb de segunda categoria é mesmo das trevas. O buraco cresce cada vez mais.

      Beijos,

      Lu

      Responder
  3. Adevaldo R. de Souza

    Lu

    Em nosso país em razão de um Constituição fraca, remendada e a qualidade dos políticos, estamos a desatar o nó de Górdio a todo momento. Ás vezes desatar o nó não resolve sendo necessário “enfrentar o leão”, também.

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Adevaldo

      O nosso país possui tantos nós de Górdio que não sabemos nem por onde começar a desatá-los. Todos os seus poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) mais se parecem com a brincadeira infantil intitulada “cama de gatos”. É uma lambança generalizada. Enquanto não tivermos uma democracia de fato, com cada poder cumprindo realmente os seus deveres, estaremos presos juntos a tais nós.

      Abraços,

      Lu

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Cibele

      Quero agradecer a sua visita e o seu comentário tão generoso. Será um grande prazer contar com a sua presença.

      Abraços,

      Lu

      Responder

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