O GRANDE MASTURBADOR (Aula nº 105 D)

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Autoria de LuDiasBH

A inspiração do artista para a composição de O Grande Masturbador nasceu ao observar em Paris uma litografia do final do século XIX, em que uma mulher aspirava o cheiro de um lírio. E, como o próprio pintor não conseguia atingir o clímax sexual com outra pessoa, tendo que se valer da masturbação, como ele próprio dizia, tal visão foi o bastante para que sua mente complexa desse vida a esta composição em que ele expõe suas atitudes conflitantes em relação ao ato sexual.

O artista, cuja personalidade era narcisista e exibicionista, ao pintar esta obra expunha a público sua vida particular, ou seja, suas patologias. Para muitos especialistas em Dalí, a obra acima se trata de um autorretrato em que ele se mostra como “o grande masturbador”, assim como o conflituoso relacionamento que travava com a figura feminina.

Na composição um enorme rosto petrificado de perfil apoia-se no solo, através de um gigantesco nariz fálico. Os olhos com imensos cílios estão semicerrados, lembrando o sonho. O cabelo está repartido ao meio. Um anzol pinça o couro cabeludo, arqueando-o. O masturbador não possui boca. Em seu lugar está um gafanhoto cheio de formigas que estão sempre relacionadas com o medo e o putrefato.

Da cabeça do masturbador eleva-se uma mulher de perfil, nua e de cabelos revoltos, possivelmente sua amada Gala. À sua frente encontra-se uma estátua com os genitais bem delineados, debaixo de uma bermuda colante, o que leva o observador a presumir que a mulher esteja prestes a realizar um coito bucal. Ela traz consigo um lírio, símbolo da pureza, embora o pistilo tenha uma forma fálica. Pode querer dizer que o pintor considerava a masturbação, tão condenada à época, como a forma mais pura que ele tinha para chegar ao ápice do gozo sexual.

Encontram-se na obra elementos que amedrontavam o pintor: formigas, leões e gafanhotos. A tela também lembra a infância de Dalí, ao mostrar elementos de seu medo infantil, como conchas e plumas coloridas, assim como a afigura diminuta de um menino acompanhado de seu pai. A cabeça do masturbador é um peixe preso ao anzol. O gafanhoto e o peixe são bissexuais. O objeto dependurado no anzol também tem conotação fálica. Abaixo da cabeça um homem abraça uma rocha que possui a forma de uma mulher. Talvez essa figura petrificada represente a impossibilidade de uma mulher levá-lo ao orgasmo.

O gafanhoto está ligado à infância do pintor que tinha pavor do inseto. Na tela a sua posição lembra o louva-a-deus que tem a cabeça cortada pela fêmea após o coito. A cabeça do leão, semelhante à da Medusa, com uma língua fálica e vermelha de fora, simboliza o desejo sexual mais selvagem. Um pequeno homem vai se afastando da sombra do nariz em direção ao horizonte. Sobre a cabeça do masturbador pedras, uma rolha e uma concha do mar equilibram-se em meio ao delírio da tela. Seu grande rosto está presente em outras obras do pintor.

Uma das declarações de Dalí era a de que nem mesmo ele entendia o que pintava, pois gostava de confundir e provocar. Portanto, podem ser muitas outras as explicações para cada elemento de suas obras ou coisa nenhuma.

Ficha técnica
Ano: 1929
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 110 x 150 cm
Localização: Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madri, Espanha

Fontes de pesquisa
Dalí/ Coleção Folha
Dalí/ Abril Coleções

6 comentaram em “O GRANDE MASTURBADOR (Aula nº 105 D)

  1. Adevaldo R. de Souza

    Lu

    Intrigante obra desse grande artista que é Salvador Dali que mostra em sua narrativa conflitos causados pela bipolaridade: prazer e princípio da realidade. A composição tem um visual muito bonito, apesar das associações simbólicas utilizados pelo autor e sua elaborada iconografia de referência.

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Adevaldo

      A obra de Salvador Dalí é mesmo muito intrigante, pois nela ele mistura sonhos e a sua complexidade no campo sexual.

      Abraços,

      Lu

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  2. Marinalva Autor do post

    Lu

    O GRANDE MASTURBADOR, obra de Salvador Dali, expõe a alma e as emoções de um artista sexualmente obsessivo, e que retrata livremente, sem limites, todos os seus sentimentos, sem estar atrelado às convenções e ideias , muito copiadas por outros. Isso fez dele um gênio criativo, livre e sem limites para criar.

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Marinalva

      O artista espanhol Salvador Dalí se expôs como nenhum outro. Seus sentimentos e emoções faziam parte da temática de sua criação. Sua vida sentimental fugia totalmente do que apregoava a sociedade da época, mas ele jamais se deixou intimidar. Tinha consciência de seu talento.

      Abraços,

      Lu

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  3. Hernando Martins

    Lu

    Essa composição surrealista do ícone Salvador Dalí, O Grande Masturbador, mostra sua excentricidade e irreverência, através de uma simbologia de cunho sexual. O artista consegue romper rótulos estabelecidos pela sociedade com seus conceitos conservadores no tocante à questão sexual, utilizados pelo sistema como forma de controle das massas. Ele tem essa capacidade de colocar os conceitos em conflito, como forma de estimular as reflexões sobre a vida e seus costumes.

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Hernando

      Salvador Dalí realmente investe contra todos os tabus de seu tempo, entrando na seara da sexualidade, apesar de toda a repressão na época.

      Abraços,

      Lu

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