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Autoria de Lu Dias Carvalho

As descobertas feitas por Donatello (escultor) e por Masaccio (pintor) no campo das artes expandiram-se, chegando até outros pintores de cidades ao norte e ao sul de Florença, deixando os artistas ávidos por implementar em seus trabalhos tais feitos. Contudo, os artistas de Florença — berço do Renascimento — apesar de maravilhados com tais inovações, também estavam cientes de que essas também haviam gerado problemas a serem contornados. A descoberta da perspectiva e o estudo da natureza não eram capazes de resolver todas as suas dificuldades. Estavam cônscios de que cada descoberta numa direção, ocasionava uma dificuldade em outra, o que exigia mais estudos por parte deles.
Lembremo-nos de que os pintores da Idade Média desconheciam as regras do desenho correto, mas foi justamente essa carência que os levou a distribuir suas figuras numa composição, seguindo um modo que lhes agradasse, ou seja, buscando um padrão o mais perfeito possível. Mas o novo conceito rezava que um quadro deveria espelhar a realidade, o que tornou o modo de dispor as figuras — como faziam os artistas medievais — mais difícil para os novos artistas que buscavam criar um todo agradável e satisfatório.
A composição acima, intitulada “O Martírio de São Sebastião” (ver abaixo o link com a análise completa da obra), criação do pintor florentino Antonio Pollaiuolo (1429-1498), feita em cerca de 1475, mostra como ele tentou solucionar o problema de se criar um quadro que tivesse ao mesmo tempo um desenho bem feito e também uma composição harmoniosa, aplicando regras definidas. Trata-se de uma das primeiras tentativas do gênero. Vejamos sua análise.
O grupo composicional da obra acima forma um triângulo, ou seja, é piramidal. Cada carrasco de um lado é semelhante à figura do outro lado, ficando a organização tão claramente simétrica que deixa a obra meio rígida. Para sanar esse problema que deve tê-lo incomodado, o artista buscou introduzir algumas mudanças: um dos carrascos dobrando o arco é visto de frente, enquanto seu par é visto de costas, o mesmo se dando com as figuras em primeiro plano que se mostram alvejando o santo. O que Pollaiuolo objetivava com isso? Ele buscava suavizar a forte simetria presente em sua composição e dar a ela um sentido de movimento e contra movimento. Fica claro que o artista ainda se mostrava muito tímido em suas tentativas, mas já era o início de um novo caminho.
Um dos erros cometidos por Pollaiuolo foi o fato de que o tema principal (martírio do santo) e o fundo da composição (uma paisagem toscana) não combinam, não harmonizam entre si. Mas por quê? A lógica é que houvesse um caminho da colina em primeiro plano (onde acontece a execução) que levasse ao cenário do fundo, criando um elo entre ambos. Mas isso não se transforma num pecado capital, pois foi ao buscar solução para complicações como essa que a arte italiana atingiu o ápice uma geração depois.
Dentre os artistas florentinos da segunda metade do século XV que buscaram saídas para os problemas apresentados, de modo que tudo se adequasse harmoniosamente às novas descobertas, estava o pintor Sandro Botticelli (1446–1510), conhecido mundialmente por suas obras, especialmente por “O Nascimento de Vênus” e “Primavera” que não representam um tema religioso, mas mitos clássicos* . Os letrados da época acreditavam que o nascimento da deusa Vênus (Afrodite em grego) simbolizava o mistério através do qual a mensagem divina da beleza veio ao mundo.
*Os poetas clássicos já eram conhecidos durante a Idade Média, mas foram os italianos, na tentativa de dar a Roma a glória de antes que, no período da Renascença, tornaram os mitos clássicos tão populares. Eles estavam imbuídos da ideia de que a sabedoria dos antigos era superior e as lendas clássicas possuíam verdades entranhadas e misteriosas.
Exercício:
1. A que conclusão chegaram os artistas sobre as descobertas de Donatello e Masaccio?
2. Qual foi a importância de Pollaiuolo?
3. Antonio Pollaiuolo – O MARTÍRIO DE SÃO SEBASTIÃO
Ilustração: O Martírio de São Sebastião, c. 1475, obra de Antonio Pollaiuolo
Fonte de pesquisa
A História da Arte / Prof. E. H. Gombrich
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