RENASCIMENTO – MULHERES E VIDA CONJUGAL (Aula nº 54)

Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria de LuDiasBH

A união nupcial era resultante de uma combinação política entre as famílias abastadas, fortalecendo dessa maneira o cume da pirâmide social. Havia a cerimônia do “dia do anel”, quando um notório registrava a união. A combinação era feita entre os pais dos nubentes e, na falta desses, por um membro varão da família. Segundo a tradição da época, os casamentos somente eram consumados após a esposa mudar para a casa do marido, o que podia demorar meses. Era comum que os recém-casados, após trancarem a porta do quarto, dessem início à vida matrimonial ajoelhados em oração, pedindo a Deus abundância, harmonia, riqueza, honra, virtude, fecundidade e que viessem muitos meninos.

A mulher, ao casar-se muito jovem — normalmente havia uma diferença de sete a dez anos entre marido e esposa — ainda inexperiente, tinha no marido o seu educador, era tratada do mesmo modo como ele agia com os filhos. Seus dons e formação eram vistos como mérito do esposo, pois dos homens dependia a qualidade de uma esposa exemplar — assim pensavam. Havia um provérbio que dizia: “Boa esposa ou desmazelada, toda mulher necessita de bordoada”. É bom dizer, contudo, que as esposas pobres não tinham por seus maridos tamanho apreço, pois, ao contrário das ricas, tinham que trabalhar muito para prover a família, referindo este texto às ricas.

No que diz respeito à beleza da mulher, essa não era vista como uma característica exterior apenas, simbolizava sua perfeição moral interior. Como uma mulher bela poderia ser dotada de maldade ou de costumes amorais? Em assim sendo, as mulheres consideradas bonitas encontravam maridos facilmente e esses tanto podiam ser de sua mesma classe social como de uma classe superior. A beleza encobria o fato de que a donzela não levava consigo uma boa fortuna ou não contava com padrinhos políticos. E como ficam aquelas destituídas de atributos tidos como necessários para arranjar um casório? Nem tudo estava perdido, uma vez que para essas existiam preparações herbais muito conhecidas que prometiam grandes transformações, tais como: tingir o cabelo, eliminar as rugas, clarear a pele e os dentes, etc.

O marido era o chefe incontestável da família, o administrador de seus bens. Poder que atingia também seus netos, uma vez que a ele deviam obediência. A esposa era totalmente obediente, dócil e servil ao seu marido. A Igreja Cristã comungava com a postura enérgica do esposo e a submissão da mulher. As pregações religiosas reforçavam: “Único senhor em sua casa, o marido não revela à sua esposa senão uma parte dos segredos familiares. Ele próprio forma-a em seu ofício de mulher e, considerando a fragilidade de seu corpo e de seu caráter, não lhe deve confiar senão responsabilidade menores”. E certos estatutos diziam que os maridos deviam “corrigir seus filhos, seu irmão mais novo e também sua mulher”.

O nascimento de um herdeiro era muito comemorado pelas famílias ricas, o mesmo não acontecendo com a vinda de uma menina. A ilustração acima apresenta uma bandeja do século XV, criada pelo pintor Masaccio, em comemoração ao nascimento de um herdeiro de uma nobre família florentina. A mãe encontra-se deitada na cama, enquanto as parteiras cuidam do bebê que já se encontra todo enfaixado, trazendo um terço no pescoço. Duas freiras cumprem a obrigação de receber as mulheres visitantes. Um arauto, mostrando uma bandeira com o símbolo da família, anuncia a chegada dos familiares masculinos — esses não podiam entrar no quarto — trazendo presentes. Outra bandeira similar é carregada por outro criado.

A toalete das crianças era supervisionada pelas mães, mas a limpeza do marido contava sempre com a ajuda de sua mulher. Essa, por sua vez, contava com o auxílio das domésticas para lavá-la, vesti-la e maquiá-la. A catação de piolhos era tão comum entre as mulheres e suas famílias que no século XIII um decreto proibiu que tal comportamento acontecesse em público, debaixo das arcadas. Após a ceia uma infinidade de coisas — direcionadas pela mulher — eram feitas: remendar, debulhar grãos, limpar, consertar objetos e conversar. Era o momento em que diferentes assuntos vinham à tona: casamento das filhas, o fisco, o desconforto com a parição e o excessivo número de rebentos, dote, problemas materiais, reações com o proprietário ou patrão, religião, etc. Era comum os avós falarem de sua genealogia, muitas vezes imprecisa. Entravam em pauta também os escândalos locais (bigamia, assassinatos, etc.). Tais assuntos só fugiam à regra na casa dos humanistas, onde a conversa atingia certo ar de erudição.

Ilustração: O Parto de uma Nobre Florentina, (1425 a 1428), obra de Masaccio.

Exercício
1.  Como era, de modo geral, a união nupcial durante o Renascimento?
2. Qual era a função do marido numa família rica e como agia a Igreja Cristã?
3. Havia diferença entre o nascimento de meninos e meninas? Explique.

Fontes de pesquisa
História da Vida Privada 2 / Edit. Companhia das Letra
Arte e Vida na Itália Renascentista / Editora Folio

6 pensou em “RENASCIMENTO – MULHERES E VIDA CONJUGAL (Aula nº 54)

  1. Marinalva Autor do post

    Lu

    A vida conjugal das mulheres no Renascimento, quando o casamento era resultado de cálculos ligados ao patrimônio, era muito difícil. Tudo era decidido pelos pais, a desobediência tinha punições severas. A mulher devia amar, procriar, trabalhar, obedecer o marido. A submissão da mulher ao marido era tida como modelo de l submissão ao próprio Deus. Muitas dessas coisas continuam acontecendo até os dias de hoje. O machismo é a engrenagem mais visivel. Até hoje a mulher ainda não conseguiu ser valorizada e ocupar um lugar igualitário com o homem, mas já conseguiu muitas conquistas.

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Marinalva

      A religião, ao propalar que a submissão da mulher ao marido era tida como modelo de submissão ao próprio Deus, contribuiu enormemente para que se continuasse a escravidão feminina. Ela foi uma forte aliada dos homens e continua sendo ainda hoje, como vemos em muitas seitas ditas religiosas. Mas com a presença das mudanças que vêm operando nos dias atuais, a mulher está avançando, quebrando os estereótipos.

      Abraços,

      Lu

      Responder
  2. Antônio Costa

    Lu

    É compreensível que estrutura masculina é mais apta à guerra, aos esforços do remo e à construção em épocas passadas, colocando o homem como esteio familiar, situação que mudou com a evolução das sociedades, com a industrialização e evolução científica, quando o intelecto passou a ditar as condutas e não mais a força física. Os costumes e relações pessoais, em grande parte, refletem o contexto das diferentes épocas. O interessante é que até os anjos eram assexuados para não a não inclusão do feminino!

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Antônio

      Não era fácil a vida da mulher naqueles tempos. Somente através de muita luta ele conseguiu ocupar a posição que hoje tem. Infelizmente ainda vemos mulheres escravizadas em várias partes do mundo.

      Abraços,

      Lu

      Responder
  3. Adevaldo R. de Souza

    Lu

    Muito interessante essa aula sobre “A vida conjugal das mulheres no Renascimento”. Parece que o texto refere-se ao Renascimento na Europa. Tenho curiosidade de saber como era a vida das mulheres dos povos nórdicos nessa época e qual a influência cultural deixada pelos Vikings. Embora as mulheres Vikings não fossem tratadas iguais aos homens, elas certamente tinham mais direitos do que algumas outras mulheres ao redor do mundo.

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Adevaldo

      O texto diz respeito, sobretudo, às mulheres do Renascimento na Itália, França, Inglaterra, Alemanha, etc. Quanto às mulheres vikings, nunca li nada a respeito. Também imagino que tenham sido muito mais livres.

      Abraços,

      Lu

      Responder

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *