ARTE EGÍPCIA – PIRÂMIDES (Aula nº 9)

Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria de LuDiasBH

                                

Estamos cientes de que todas as regiões habitadas do planeta possuem suas manifestações artísticas, mas existe aquele tipo de arte que é visto como um empenho contínuo, sendo repassado de mestre a discípulo e de discípulo a observador até chegar à arte de nossos dias, como aconteceu no vale do rio Nilo (Egito) cerca de cinco mil anos atrás, o que nos leva à compreensão de que os mestres egípcios foram os mentores dos gregos e esses foram mestres de todos nós. A arte do Egito Antigo, portanto, possui uma dimensão imensurável para todas as outras que vieram depois dela. É impossível, ao estudar a História da Arte, deixar esse povo de lado.

Falar sobre a arte egípcia é remeter-se à terra das pirâmides e de faraós grandiosos e imponentes que escravizaram milhares e milhares de pessoas, a fim de que essas preparassem seus gigantescos túmulos — as pirâmides. O que muitos se perguntam é como aqueles escravos desgastaram seus corpos ao longo de quase toda a sua vida, sem se rebelar contra o esforço físico extremo? A resposta encontra-se na suposta deidade dos monarcas egípcios, apregoada à época. Havia a crença de que os faraós eram divindades que, ao deixarem para trás o mundo terreno, voltavam a unir-se aos deuses dos quais vieram, cabendo, portanto, a seus súditos o dever de ajudá-los em seu retorno. Assim, tanto para os reis quanto para sua gente, as pirâmides tinham uma função divina, não havendo qualquer motivo para se revoltar.

A construção das pirâmides era extremamente penosa. Era necessário cortar pedras, arrastá-las por grandes distâncias através de meios primitivos em que a força física humana era o que mais contava. Eram levantadas em direção ao céu, a fim de ajudar o faraó em sua ascensão, além de preservar seu corpo contra a decomposição. Ainda que a viagem a outro mundo não fosse comprovada, é fato que o corpo era conservado durante muito tempo. Os egípcios antigos carregavam a crença de que o corpo físico necessitava ser poupado, a fim de ser usado pela alma no além, pois sem ele não haveria a tão buscada ascensão. Eles detinham um complexo conhecimento sobre a conservação do corpo físico, embalsamando-o e enfaixando-o para impedir sua decomposição. O corpo do rei, após passar pelos cuidados devidos, era depositado no centro da pirâmide, num esquife de pedra.

Fórmulas mágicas e encantamentos adornavam as paredes em volta da câmara mortuária com o objetivo de encaminhar o faraó em sua longa viagem para o outro mundo. Fazia-se também necessário conservar uma imagem fiel do monarca para que se tivesse absoluta certeza de que ele viveria para sempre. Habilidosos artistas esculpiam a cabeça do faraó em granito — pedra não perecível — e ocultavam-na na tumba para que pudesse cumprir a missão de ajudar a alma a permanecer viva. Com o passar dos tempos, os ritos que antes eram primazia dos reis passaram também a ser direcionados aos nobres da casa real. Seus túmulos — bem menores — agrupavam-se em filas em torno do túmulo do faraó. Posteriormente quaisquer pessoas de posses podiam tomar as medidas necessárias para sua vida no além.

Toda essa preparação acabou se transformando em relíquias antiquíssimas para a arte, sendo que alguns desses primeiros retratos, pertencentes à era das pirâmides, encontram-se entre as mais belas obras de arte egípcia. Aos escultores responsáveis por tais obras importavam apenas os aspectos principais do retratado, como mostra a ilustração acima. Tais obras não tinham por finalidade enfeitar, pois apenas a alma do morto cabia vê-las. É sabido que num passado muito distante, fazia parte dos costumes sacrificar os servos para servir o poderoso morto no outro mundo, mas essa crueldade acabou caindo em desuso, vindo a arte a oferecer imagens de servos simbólicos (shabatis) em substituição aos coitados que deveriam ser sacrificados, como mostram as pinturas e esculturas encontradas nos túmulos egípcios, também vistas em outras culturas antigas. Os textos vistos nos links abaixo são interessantíssimos. Leiam-nos!

Exercícios

  1. A ARTE ANTIGA DOS EGÍPCIOS
  2. O LIVRO DOS MORTOS
  3. O LIVRO DOS MORTOS DO ESCRIBA ANI

Ilustração: 1. Necrópole de Gizé; 2. Cabeça c. 2551- 2528 a. C.

Fonte de pesquisa:
A História da Arte/ E. H. Gombrich

12 comentários em “ARTE EGÍPCIA – PIRÂMIDES (Aula nº 9)

  1. Matê Autor do post

    Lu
    Sempre me senti impressionada com a grandiosidade das pirâmides. O povo do Egito Antigo deixou grandes tesouros para a humanidade.

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Matê

      O mais importante no que diz respeito às pirâmides é que as curiosidades sobre elas nunca se esgotam, vindas à tona com o trabalho dos arqueólogos.

      Beijos,

      Lu

      Responder
  2. Marinalva Dias Autor do post

    Lu
    Qua aula fantástica!
    Os egípcios antigos eram impressionantes em sua arte, mesmo que muitas vezes fossem movidos por uma força maior e incentivados a cumprir certos objetivos, nada os deteve em seu trabalho artístico.

    Assim como naqueles tempos, hoje ainda existem lideranças religiosas fanáticas e, mesmo que levem para o abismo os “cegos” que os acompanham e que são atrelados ao alinhamento no modo de pensar, nada percebem.

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Marinalva

      O Egito Antigo foi realmente fenomenal em relação à arte. Seu povo foi muito criativo, legando-nos grandes maravilhas, ainda que os artistas tivessem que cumprir certas normas impostas ao campo artístico, não podendo liberar totalmente sua criatividade.

      Se os líderes religiosos fanáticos levassem seus adeptos à produção da arte, o resultado seria mais compensador. Mas, não, eles usam a religião, intencionalmente, como ascensão para o poder e a riqueza. Onde está Jesus com o seu chicote, como fez no templo com os mercadores?

      Você tem sido uma participante maravilhosa! Parabéns pelo empenho!

      Abraços,

      Lu

      Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Moacyr

      Tenho buscado ser o mais clara possível, sem correr com a matéria. Para mim a fixação da base tornará o conteúdo ainda mais fácil de ser entendido. Pelos e-mails recebidos, parece-me que todos os participantes estão gostando.

      Abraços,

      Lu

      Responder
  3. Antonio Messias Costa

    Lu

    Quis dizer que deveria haver naquele grupo tão heterogêneo de escravos, indivíduos que não tinham outro meio a não ser aceitar a condição humana imposta, e a conexão e sujeição com apelo divino, para muitos deles servia também para atenuar o seu fatídico destino. Em certas circunstâncias há males que atenuam sofrimentos maiores! Regra geral não discordo de suas colocações.

    Responder
  4. Antonio Messias Costa

    Lu

    A meu a ver a crença da vida “Pós-mortem” vivida pelos faraós foi de fato resultado de um ambíguo conflito entre poder, vida e finitude humana, onde a ligação das linhas de localização das câmaras mortuárias nas pirâmides guardavam conexões com algumas estrelas, conforme estudos recentes. Também imagino que que não era senso comum os escravos aceitarem tamanha servidão, vendo a opulência em contraponto ao sofrimento deles. Ao longo de toda a história, até mesmo entre a sociedade animal, principalmente primatas, há um jogo entre dominantes e submissos, onde esses, em sua maioria, são capazes de atender os dominantes em quase tudo!

    Abraço

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Antônio

      A submissão que as crenças processam nos indivíduos alheios à Ciência pode ser vista até nos dias de hoje, quando se tem uma ala de terraplanistas em pleno século XXI, apregoando que a Terra não é redonda. Imagine o desconhecimento existente no Egito Antigo, onde se adorava uma infinidade de deuses, sendo o faraó um deles. Veja o caso do pastor Jim Jones em tempos recentes que levou 900 pessoas à morte – fanáticos religiosos. Agora volte aos escravos egípcios…

      Abraços,

      Lu

      Responder
  5. Hernando Martins

    Lu

    A história da arte egípcia é baseada em crenças religiosas estabelecidas nesse período da historia humana. É interessante notar que todo esse frenesi religioso tem uma influência brutal no comportamento das pessoas, independentemente do período vivido, pois vemos isso acontecer ainda nos nossos dias. É muito perigoso quando as pessoas não possuem uma consciência crítica capaz de questionar posições religiosas, políticas, sociais e culturais e acabam sendo massa de manobra e escravas da sua própria ignorância. A cultura egípcia é um exemplo perfeito desse fanatismo de crenças religiosas capazes de construir monumentos gigantescos com muita precisão, inclusive o termo obra faraônica originou-se dessas construções, mas com o povo vivendo na escravidão.

    Não podemos tirar o mérito dos escravos que doaram suas vidas para edificar monumentos extraordinários e também dos seus mentores – arquitetos e artistas brilhantes, com técnica apuradíssima e muita beleza nas suas criações. Nessa época o artista seguia todo um ritual estabelecido pela política e crenças religiosas determinadas pela tradição dos faraós em relação a uma vida após a morte e sua relação íntima com os deuses que eram o símbolo de poder supremo na mente do povo. Passaram-se os faraós e tudo isso resultou num legado riquíssimo, deixado para a humanidade – monumentos literalmente faraônicos e obras de arte riquíssimas em detalhes e grandiosidade.

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Hernando

      Os artistas e aqueles que ergueram as obras faraônicas no Egito Antigo eram escravos da ignorância de seus faraós que se julgavam deuses na Terra. Deuses esses egoísticos, voltados apenas para a própria grandeza pessoal, enquanto seu povo era escravizado. Realmente não podemos tirar o mérito dos artistas e dos escravos. Aos governantes cabe a responsabilidade de zelar por seu povo e não sacrificá-lo.

      Atrocidades sempre aconteceram em “nome” de Deus Pai e de Deus Filho. E nos nossos dias não tem sido diferente, o que é lamentável. Jesus Cristo em sua sabedoria era adepto da humildade e da justiça, conforme comprovam as Escrituras cristãs. Mas seu nome hoje é usado para a ascensão política, o acesso ao poder e a acumulação de riqueza material. Como a história da humanidade é cíclica, resta-nos acreditar que o saber dos filósofos venha a ocupar o lugar que lhe é cabido e, assim, o homem aprenda a retirar de sua essência o que existe de melhor.

      Abraços,

      Lu

      Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *