Arquivos da categoria: Pinacoteca

Pinturas de diferentes gêneros e estilos de vários museus do mundo. Descrição sobre o autor e a tela.

Ticiano – S. CATARINA DE ALEXANDRIA…

Autoria de LuDiasBH

O pintor Ticiano Vecellio (1490 – 1576), também conhecido como Tizian Vecellio De Gregorio, Tiziano, Titian ou ainda como Titien, encontra-se entre os grandes nomes da pintura italiana. Ainda pequeno, retirava suco de flores para desenhar toalhas e lençóis. O pai, Capitão Conte Vecellio, reconhecendo o pendor artístico do menino, retira-o da pequena Pieve Cadore, onde nascera e envia-o para Veneza, acompanhado do irmão mais velho. Ali, ainda com seus oito anos de idade, ele é apresentado por um tio aos mais importantes pintores venezianos da época.  Passa pelas mãos de Gentile Bellini e depois pelas de Giorgione que o acolhe com entusiasmo. Ticiano sorve com tanto interesse os ensinamentos de Giorgione que, com 20 anos incompletos, tem uma de suas pinturas confundida com a obra do mestre. Oportunidade em que o aluno percebe que não existe mais nada a ser aprendido com ele e passa a caminhar por conta própria.

A composição religiosa intitulada Santa Catarina de Alexandria em Oração e também como Santa Catarina de Alexandria Adorando a Cruz é uma obra de Ticiano atribuída à sua última fase, quando já contava com quase oitenta anos de idade. Nela estão presentes uma rigorosa perspectiva da disposição arquitetônica e  plasticidade das formas. O artista usou as sutilezas da cor sombria, aplicadas em largas pinceladas.

A cena acontece no que parece ser o espaço interior imediato à entrada de uma rica casa veneziana.  Ali se encontra Santa Catarina de Alexandria, contida e meditativa, rodeada pelos atributos que a identificam: um pedaço da roda em que seria martirizada, mas que foi quebrada em razão da intervenção divina; a espada, à sua esquerda, com a qual foi depois decapitada; e a palma, símbolo de seu martírio.

Santa Catarina usa uma luxuosa vestimenta e traz um dos joelhos sobre um pedaço da roda de madeira sobre a qual também se escora a vistosa espada de metal com cabo dourado. Traz as mãos cruzadas no peito e os olhos voltados para um enorme crucifixo à sua frente, fixo sobre o que parece ser uma lápide com ornamentos em alto relevo que parecem retratar a deposição de Cristo no túmulo. Aos pés da cruz vê-se uma caveira, simbolizando a morte. Uma grande palma é vista em primeiro plano, próxima à cruz.

Ao fundo, tanto à esquerda quanto à direita das colunas, vê-se uma sombria paisagem que diverge totalmente da parte interna do ambiente. O enorme cenário e a grandeza da arquitetura do local repassam a Santa Catarina um sentimento de grande solidão. Ela olha para a imagem de Cristo crucificado com imensa tristeza.

Ficha técnica
Ano: 1567
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 119x 100 cm
Localização: Museu de Arte, Boston, EUA

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
http://artsviewer.com/titian-275.html

Jacob van Ruisdael – MAR BRAVO

Autoria de LuDiasBH

O pintor holandês Jacob van Ruisdaele (1628/1629 – 1682) era filho do também pintor Isaac van Ruisdael. É provável que tenha recebido as primeiras aulas na oficina de seu tio Salomon van Ruysdael. O artista é tido como um dos mais notáveis pintores paisagistas holandeses do século XVII. Como o mar sempre foi parte integrante da vida holandesa, o pintor retratou-o em vários momentos.

A composição Mar Bravo é uma vista majestosa do estuário do rio Ij, próximo a Amesterdã. A natureza é mostrada com grande realismo, solenidade e beleza. O mar escuro e encapelado, cuja espuma forma uma renda branca, tem como dossel grossas nuvens que flutuam sob um fundo azul. O vento encrespa a água produzindo relevos.

Inúmeras embarcações com suas velas abertas são vistas ao fundo num mar menos turbulento. Algumas delas mostram-se inclinadas em razão da forte ventania. A que se encontra em primeiro plano traz uma bandeira que esvoaça. Ela se encontra em águas escuras e selvagens. Sua vela branca é iluminada por um raio de sol.

Ficha técnica
Ano: c.1670
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 107 x 125,8 cm
Localização: Museu de Arte, Boston, EUA

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

Jacob Jordaens – RETRATO DE UM HOMEM…

Autoria de LuDiasBH

A composição denominada Retrato de um Homem e sua Mulher é obra do pintor Jacob Jordaens (1593 – 1678), um importante artista do Barroco Flamengo. Estudou com Adam van Noort que foi professor de Peter Paul Rubens, tendo também trabalhado por um curto período de tempo com Rubens. Dono de um estilo parecido com o de Caravaggio, embora também se arvorasse na pintura holandesa, o pintor executou inúmeras encomendas, inclusive internacionais.

Os dois retratados não foram identificados, mas presume-se que se trate de marido e esposa. O formato da pintura leva a um típico casamento da época (século XVII), pois a hera que se encontra subindo na arquitetura, à esquerda do casal, simbolizava o amor e a fidelidade matrimonial. O retrato foi tirado ao ar livre, como mostra a paisagem à direita.

A mulher encontra-se sentada, tendo o marido de pé, às suas costas. A vestimenta de ambos retrata a época em que viveram. A cabeça de ambos está voltada para o observador.

Durante muito tempo este retrato foi tido como obra de Peter Paul Rubens, pessoa de quem Jordeans foi assistente e grande conhecedor de seu estilo. Mais novo do que Rubens e Van Dyck – seus contemporâneos – o artista tornou-se um reconhecido pintor de retratos em Antuérpia, merecidamente sucessor de seu mestre.

Ficha técnica
Ano: c. de 1621 – 1622
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 124,5 x 92,4 cm
Localização: Museu de Arte, Boston, EUA

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
https://www.mfa.org/collections/object/portrait-of-a-young-married-couple-31681

Battista Rosso – CRISTO MORTO COM ANJOS

Autoria de LuDiasBH

O pintor italiano Giovanni Battista di Jacopo (1494 – 1540), também conhecido por Rosso Fiorentino (Ruivo Florentino) ou apenas por Il Rosso (o Ruivo) em razão de seu cabelo ruivo foi um dos grandes nomes do maneirismo na pintura fiorentina. Foi aluno de Andrea del Sarto tendo como colega e amigo Jacopo Pontormo. Em Roma, ele se viu profundamente tomado pela arte de Michelangelo no teto da Capela Sistina. Deixou a Itália e migrou para a França, onde se tornou um dos principais mestres da Primeira Escola de Fontainebleau. As figuras em seus quadros apresentam poses contorcidas e são geralmente muito magras e meio desfiguradas. Sua arte tem sido cada vez mais revisitada.

A composição maneirista denominada Cristo Morto com Anjos é de autoria do artista. Esta é uma das poucas obras do excepcional pintor que sobreviveram ao tempo.

O corpo musculoso e contorcido de Cristo totalmente nu, trazendo uma grande ferida no tronco, à sua direita, encontra-se sentado sobre uma mortalha de um intenso azul, forrada sobre o altar de seu sepulcro. Sua cabeça, virada para a direita, quase toca a margem superior da tela. A monumentalidade das figuras mostra a influência de Michelangelo na arte de Rosso. As pernas de Cristo, assim como seu braço direito escultural, lembram as figuras do teto da Capela Sistina.

O Mestre tem seu corpo apoiado por dois anjos que se encontram às suas costas, em segundo plano, segurando-o suavemente. Duas enormes velas brancas estão seguras pelos anjos que se postam à sua direita e à sua esquerda, em primeiro plano, observando a figura sofrida de Cristo.

O espaço diminuto em que se encontra Cristo e os quatros anjos, agrupados de uma forma muito compacta, faz com que o corpo do Mestre pareça projetar-se para além da tela. Suas cores são fortes e incomuns. Os anjos trazem belos cabelos cacheados.

O cenário é composto por objetos do martírio de Jesus Cristo que se espalham pelo chão: os cravos e a vara com a esponja embebida em vinagre. Sua cabeça ainda se encontra cingida pela coroa de espinhos. Uma luz cálida e forte banha o corpo de Jesus.

Ficha técnica
Ano: 1524 – 1527
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 133,5 x 104 cm
Localização: Museu de Arte, Boston, EUA

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
https://it.wikipedia.org/wiki/Cristo_morto_compianto_da_quattro_angeli

Degas – O DUQUE E A DUQUESA DE MORBILLI

Autoria de LuDiasBH

O pintor impressionista Edgar Degas (1834 – 1917) nasceu em Paris. Era o primeiro filho de Pierre-Auguste Hyacinth de Gas, banqueiro, e de Celéstine Musson. Tratava-se de uma tradicional família francesa, muito rica e culta. Seu pai era um homem que nutria grande admiração pelas artes, especialmente pela música e pelos pintores italianos do Renascimento. Portanto, não causa surpresa o fato de o garoto ter mostrado sua vocação artística desde muito cedo.

A composição intitulada O Duque a Duquesa de Morbilli, também conhecida por Edmondo e Thérèse Morbilli, é obra do artista. Trata-se de um magnífico retrato de sua irmã Thérèse com seu marido Edmondo, feito dois anos após o casamento. Está evidente neste trabalho – que demonstra um perfeito equilíbrio – a influência dos mestres italianos, principalmente a de Rafael Sanzio.

O casal encontra-se sentado em cadeiras de madeira, com um dos braços descansando sobre a mesa e o rosto voltado para o observador. Marido e esposa repassam serenidade e integridade, contudo, fica visível a ascendência de Edmondo sobre Thérèse, pois além de ele se mostrar por inteiro e ela a meio corpo, Thérèse, bem menor, apoia-se no seu ombro e esconde-se sob sua sombra, trazendo no rosto um ar de preocupação.

Uma tapeçaria ocre e cinza desce atrás deles, destacando-lhes a vestimenta. A mesa está coberta por um tecido islâmico ricamente bordado.

Ficha técnica
Ano: 1865
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 116,5 x 88,3 cm
Localização: Museu de Arte, Boston, EUA

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
https://www.mfa.org/collections/object/edmondo-and-th%C3%A9r%C3%A8se-morbilli-32404

Delacroix – O SEPULTAMENTO

Autoria de LuDiasBH

Os detalhes são, em geral, medíocres e dificilmente passam por uma inspeção minuciosa. Por outro lado, o todo desperta uma emoção que me surpreende. (Delacroix sobre a pintura)

O pintor francês Ferdinand-Victor Eugène Delacroix (1798 – 1863) nasceu numa família rica. Seu pai Charles Delacroix, homem culto e de formação iluminista, fazia parte da alta burguesia, tendo sido embaixador da França, na Holanda, e a mãe, Victoire Oeben, era filha de um importante artesão que trabalhara para o rei Luís XV. Delacroix era o caçula dos quatro irmãos e, portanto, pertencia a um ambiente culto e aristocrático. Assim como o pai, os irmãos Charles-Henri e Henriette e também o tio pintor, Henri Riesner, tiveram uma grande influência na vida de Delacroix, sempre o apoiando em suas aspirações, pois desde criança ele já demonstrava inclinação pelo desenho.

A composição intitulada O Sepultamento ou ainda A Lamentação, obra do artista, mostra o amadurecimento de seu estilo, tendo sido comparada ao “Massacre de Chio”. Apresenta fortes contrastes de luz e sombra, o que acentua a sua dramaticidade e mudanças de cores vivas. É grande o contraste entre a mortalha branca que envolve parte do corpo inerte do Mestre e o manto vermelho de São João Evangelista assentado no chão, em primeiro plano, ambos se destacando contra o fundo escuro.

A pintura apresenta, em primeiro plano, um grupo desolado diante do corpo lívido de Jesus Cristo que acabara de ser descido da cruz e deposto sobre a pedra. Maria, sua mãe, em grande sofrimento é amparada por uma mulher. Ele acaricia os cabelos de seu filho martirizado. Outra mulher, possivelmente Maria Madalena, levanta a mortalha de Jesus para ver a extensão de seus ferimentos. Dois outros personagens, talvez José de Arimateia e Nicodemos, de pé, observam o corpo sem vida do Mestre. Um deles traz nas mãos um recipiente com unguento para passar em suas feridas. São João Evangelista que traz entre as mãos a coroa de espinhos de Jesus,  fixa-a com imensa tristeza.

Ao fundo, desenrola-se uma triste e sombria paisagem de céu baixo e nuvens escuras intensificando o desamparo em que se encontra o grupo. Três cruzes são vistas mais distante, duas delas trazendo ainda o corpo dos dois ladrões. Duas figuras – uma delas com um manto vermelho – são vistas caminhando em direção ao grupo, enquanto duas outras, à direita, afastam-se dele.

Ficha técnica
Ano: 1848
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 162  x 132 cm
Localização: Museu de Arte, Boston, EUA

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
https://www.mfa.org/collections/object/the-lamentation-christ-at-the-tomb-31074