Arquivos da categoria: Pinacoteca

Pinturas de diferentes gêneros e estilos de vários museus do mundo. Descrição sobre o autor e a tela.

Katsushika Hokusai – HODOGAYA

Autoria de LuDiasBH

A ilustração intitulada Hodogaya é uma xilogravura sobre papel, obra do pintor japonês Katsushika Hokusai (1760 – 1849) que aqui tenta reproduzir uma paisagem, antes de haver o encontro concreto entre a arte japonesa e a arte ocidental.  Já se nota a preocupação do artista em fazer com que o homem seja um elemento à parte da natureza. Esta ilustração é tirada de sua série “Trinta e Seis Vistas do Monte Fugi”, um grupo de xilogravuras coloridas, continuação da série “Cem Vistas do Monte Fuji” de 1817, o que mostra o quão dedicado a seu trabalho era Hokusai. Eclético, trabalhou com vários estilos.

Em sua composição ele mostra uma rua com oito árvores altas e de troncos finos. Seis figuras humanas ali são vistas. Ao fundo vê-se o famoso Monte Fuji* com seu cone perfeito. Na frente do grupo seguem dois carregadores levando um palanquim com uma pessoa sentada. Eles interromperam a caminhada, puseram a carga no chão para que um deles amarre o sapato, enquanto o outro limpa o suor de sua cabeça. Mais atrás, um servo puxa um cavalo com um homem montado sobre ele, parecendo embevecido com a visão do Monte Fuji. Outro homem caminha em direção à cidade.

*O Monte Fuji é o mais alto do Japão. Desde o século VII é venerado pelos japoneses. Por ser tido como sagrado, até 1872 as mulheres não tinham permissão para escalá-lo. O ponto alto das escaladas é no verão – de julho a setembro. Muitos devotos de seitas que cultuam o vulcão também o sobem em longas procissões. Do alto do vulcão, à noite e com bom tempo, é possível ver o nascer do sol no oceano Pacífico. Um número sem conta de estampas de todas as épocas traz o Monte Fuji reproduzido.

Ficha técnica
Ano: 1823/1831
Autor: Katsushika Hokusai
Período Edo
Dimensões: 25,5 x 37,8 cm
Localização: Museu Nacional de Tóquio, Japão

Fonte de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
O Japão/ Louis Frédéric

Kitagawa Utamaro – RETRATO DE MULHER

Autoria de LuDiasBH

A composição (xilogravura sobre papel) intitulada Retrato de Mulher faz parte de “dez estudos de expressão feminina”, obra do artista Kitagawa Utamaro (1754 – 1806), que foi um dos grandes nomes da arte do ukiyo-e e um renomado mestre de retratos femininos.

Inicialmente, o artista retratava apenas atores, mas depois acrescentou a seus retratos jovens cortesãs, influenciando-se pelo trabalho de Torii Kiyonaga. Contudo, ele não demorou a encontrar seu próprio estilo, como é possível ver na sua série de trabalhos conhecidos como okubi-e, em que as imagens são esboçadas com bustos e faces em primeiro plano, acompanhadas de pomposos penteados.

A gravura acima é okubi-e – característica da composição figurativa , conforme estilo do artista que dá ênfase à expressão, caráter e detalhes de atitude e vestuário. A retratada é uma mulher jovem e sensual, cujas mãos seguram o tecido da roupa – uma bela seda com figuras de aves voando. Ela usa um requintado penteado, preso no alto da cabeça, com pentes e enfeites, contrastando com a delicadeza de sua face, ombro e seio à vista.

Ficha técnica
Ano: c.1791
Autor: Torii Kiuonaga
Período Edo
Dimensões: 37,7 x 24,3 cm
Localização: Museu Nacional de Tóquio, Japão

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
O Japão/ Louis Frédéric

Claude Lorrain – UM PORTO DE MAR

Autoria de LuDiasBH

O pintor francês Claude Lorrain (1600 – 1682), cujo nome legítimo era Claude Gellée, tornou-se conhecido como “Le Lorrain”, nome relacionado com a região em que nascera. Ao mudar-se para Roma, o artista teve como mestre o pintor de arquitetura Agostino Tassi, vindo posteriormente a estudar com Gottfried Sals – pintor de arquitetura e paisagens – quando se encontrava em Nápoles.  Acabou se tornando um dos famosos paisagistas de Roma, tendo se inspirado inicialmente nas paisagens idealizadas de Annibale Carraci e nas dos pintores holandeses que residiam naquela cidade. Embora seu estilo fosse lírico e romântico, acabou mais tarde aproximando-se de Nicolas Poussin. A vista do mar era um tema constante nas obras de Lorrain, assim como lembranças da Antiguidade Clássica que sempre davam um toque de solenidade antiga às suas obras.

A composição Um Porto de Mar – uma paisagem imaginária põe em evidência a capacidade que Claude Lorrain tinha para captar o sentido passageiro da hora fugaz, ao usar tênues matizes de luz. O arco triunfal visto na pintura, à direita, foi inspirado no Arco de Tito, presente no Fórum Romano, dando à pintura certo ar de ostentação. A névoa matinal ainda cobre parte da vista. Um complexo jogo de luz espalha reflexos cintilantes sobre a água, misturando-se à bruma.

São muitos os personagens presentes nesta obra. Três deles conversam entre si na entrada do arco triunfal, perto do qual se encontra uma embarcação com quatro pessoas e uma outra parada, mais distante, próxima às árvores. Na margem duas mulheres aguardam a travessia, uma delas sentada sobre uma arca, conversa com um dos remadores, enquanto dois outros organizam três grandes tábuas a fim de possibilitar o embarque. Um dos dois barcos rentes à margem traz dentro um remador, enquanto o segundo é manejado por três homens. À esquerda, uma embarcação maior, coberta com uma lona, repassa seu carregamento para uma menor. Mais ao fundo estão dois barcos a vela. O reflexo do sol, ainda tênue, dá a sensação de tratar-se de um balão preso ao barco.

Ficha técnica
Ano: 1674
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 73 x 97 cm
Localização: Pinacoteca de Munique, Alemanha

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

Sakai Hôitsu – CHUVA DE VERÃO

Autoria de LuDiasBH

Esta delicada composição intitulada Chuva de Verão é uma obra-prima da pintura decorativa japonesa. Presume-se que Sakai Hôitsu (1761 – 1828), o responsável pela criação, buscou nas divindades do vento e da chuva a inspiração para decorar um de seus biombos (divisória móvel, feita geralmente com folhas de madeira, presas por dobradiças, cuja finalidade é dividir um aposento em duas partes, ou para isolar um espaço, ou proteger da luz ou do vento).

O artista em vez de personificar a chuva, optou por apontar seus efeitos na natureza, ao mostrar um aguaceiro caindo sobre a vegetação de verão. As folhas e as flores dobram-se sob a força da chuva. É possível notar o viço que elas emanam. Na parte superior à direita, um regato sinuoso de águas azuis está sendo formado. O fundo da composição é metálico prateado, sendo o resto da pintura em cores e detalhes naturalistas. A pintura foi feita sobre papel num par de biombos com duas folhas.

Sakai Hôitsu, discípulo de Sotatsu e Korin, ainda se encontrava ativo no início do século XIX. Nasceu no Edo numa família de samurai. Experimentou variados estilos e veio a tornar-se um religioso budista. Fundou uma escola de pintura chamada Ukaan. Por ser um grande observador da natureza tornou-se especialista na pintura de flores e plantas, assim como seu mestre Ogata Kôrin.

Ficha técnica
Ano: início do séc. XIX
Autor: Sakai Hôitsu
Período Edo
Dimensões: 166 x 183 cm
Localização: Museu Nacional de Tóquio, Japão

Fonte de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
O Japão/ Louis Frédéric

Steenwyck – AS VAIDADES DA VIDA HUMANA

Autoria de LuDiasBH

Vaidade das vaidades, tudo é vaidade. (Eclesiastes 1:2)
 
O pintor Harmen Steenwyck (1612 – c.1655) nasceu na cidade de Delft, onde passou grande parte de sua vida. Ele e seu irmão Pieter estudaram com o tio David Bailly, com quem   trabalharam em sua oficina. Sabe-se pouquíssima coisa sobre sua vida e suas obras.

A composição intitulada As Vaidades Humanas – também conhecida como A Alegoria das Vaidades Humanas – é uma obra do artista. Este tipo de natureza-morta – que na verdade é um trabalho religioso – é chamado de “vanitas” que em latim significa “vaidade”, algo sem valor. A pintura é uma alusão à morte e ao vazio da vida que nesta obra diz respeito a muitos aspectos da vida holandesa da época. Os holandeses – em sua maioria calvinista – eram extremamente religiosos, dotados de uma moral rígida, mas também ligados aos avanços científicos, como o uso da óptica e da lente com a finalidade de observar o mundo natural. Eram aficionados por colecionar obras de arte e objetos bizarros.

A natureza-morta era, à época, tida como uma pintura de menor valor, não fazendo parte da grande arte. Foram os pintores do norte europeu que mudaram tal visão com o uso de uma técnica detalhista. Os holandeses foram exímios neste tipo de arte, elevando a natureza-morta – até então desdenhada pelas academias de arte – a um patamar de igualdade.

A tela mostra-se mais pesada à direita, contudo, um feixe de luz em diagonal incide sobre a parte esquerda equilibrando-a, além de dar destaque ao objeto mais importante da pintura que é o crânio humano, onde reside o ponto forte da temática  – a alusão à brevidade da vida. Contudo, a luz que é um símbolo cristão relativo ao eterno e ao divino, ali se encontra para alertar que existe vida após a morte. Cada objeto traz um significado simbólico:

    • O crânio humano (momento mori) é o único elemento inequívoco que diz respeito à certeza da morte.
    • A concha vazia – posicionada à direita na ponta da mesa – à época simbolizava a riqueza que também é vã. E o fato de encontrar-se vazia diz respeito à breve passagem humana pela vida terrena.
    • O relógio em forma de cronômetro aberto – situado próximo ao crânio – tem como função lembrar que o tempo é limitado para todos os viventes.
    • A enorme espada japonesa, ricamente trabalhada, simboliza o efêmero poder terreno. Ela lembra que nem mesmo a força pode vencer a morte. Por mais poderoso que um homem seja, ele sempre estará sob seus ditames.
    • A flauta (como a charamela à direita) é um símbolo fálico, estando, portanto, ligada aos prazeres sensuais e eróticos, mas a morte leva tudo isso consigo.
    • A lamparina apagada, com a fumaça ainda agonizante em seu bico, também simboliza a fugacidade e a fragilidade da vida humana.
    • Um grande jarro jaz sobre um livro, à direita. Pode ser visto como uma alusão à embriaguez, pois costumava guardar vinho.
    • A charamela (forma medieval de oboé), assim como os demais instrumentos musicais da obra, está ligada ao amor, pois a música era alusiva à corte e ao ato sexual. Por isso, simbolizam a futilidade da busca pelo conhecimento musical.
    • A forma abaulada do alaúde remete ao corpo feminino e os instrumentos de sopro tradicionalmente dizem respeito ao órgão masculino.
    • Os livros dispostos na mesa simbolizam o conhecimento e a cultura, mas ainda assim, há nisso o perigo da vaidade.
  • O tecido de seda simboliza o luxo físico, pois se trata de um material muito caro. E a cor roxa era o corante mais caro usado à época.

Como a sociedade holandesa era muito religiosa, estava ligada, sobretudo, ao Velho Testamento, livro muito estudado pelos calvinistas tanto nas igrejas quanto em casa. O artista deve ter se inspirado no livro do Eclesiastes (Antigo Testamento) para executar sua obra. Porém, sendo as pinturas de “Vanitas” muito populares – tanto entre cristãos protestantes quanto entre católicos fervorosos –, havia uma ironia no gênero, pois os objetos colecionados que serviam de modelo para as pinturas tornaram-se objetos “Vanitas” em si, ou seja, seus donos ajuntavam aquilo que condenavam.

Ficha técnica
Ano: c. 1645
Técnica: óleo sobre carvalho
Dimensões: 39 x 51 cm
Localização: Galeria Nacional de Londres, Grã-Bretanha

  • Fonte de pesquisa
    Arte em Detalhes/ Publifolha
    http://www.artyfactory.com/art_appreciation/still_life/harmen_steenwyck.htm
Bronzino – VÊNUS, CUPIDO E AS PAIXÕES DO AMOR

Autoria de LuDiasBH

vencup

A composição denominada Vênus, Cupido e as Paixões do Amor, também conhecida por Alegoria de Tempo e Amor ou Uma Alegoria com Vênus e Cupido é uma obra do pintor italiano Agnolo Bronzino. Trata-se de uma pintura alegórica em que o amor é mostrado em suas várias facetas – obra típica da Contrarreforma.

Vênus – deusa da beleza e do amor – ocupa a parte central da composição, sendo abraçada por seu filho Cupido – o deus do amor – que segura seu seio esquerdo e sua cabeça. Na mão esquerda a deusa traz uma maçã e na direita segura a flecha de Cupido. Tais objetos representam as características ternas do amor, mas também seus aspectos inquietantes.

A pequena criança jogando rosas simboliza os prazeres que o amor promete. Sobre o manto azul, onde se encontra a deusa, à sua esquerda, estão presentes duas máscaras (a de uma jovem mulher e a de um velho), insinuando que o amor tem muitas personificações, não passando de ilusão as suas promessas. À sua direita está uma pomba que na simbologia pagã condizia com a inocência do amor em complemento aos seus aspectos puramente sexuais. A figura da pomba também está ligada à imagem de Vênus (Afrodite) e Cupido (Eros), deuses do amor, significando a efetivação dos desejos amorosos dos amantes.

Em segundo plano estão presentes outras facetas do amor, representadas pelas figuras humanas: a Malícia, o Ciúme, a Verdade e o Tempo – os maiores empecilhos para que o Amor torne-se prazeroso e eterno. Estão assim representados:

Tempo – velho com a ampulhet

Verdade – mulher, à esquerda, abrindo uma cortina azul;

Ciúme – figura arrancando os próprios cabelos;

Malícia – possui rosto suave, mas um corpo animalesco, com garras e cauda escamosa. Traz as mãos invertidas, disfarçando o que oferece. Numa das mãos está um favo de mel e na outra a própria cauda com um ferrão.

A cor pálida e esmaltada de Vênus, Cupido e do Prazer retira toda a sensualidade da cena ou qualquer ambiguidade que possa haver em relação ao que o artista quis mostrar.

Ficha técnica
Ano: c. 1543
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 146 x 116 cm
Localização: National Gallery, Londres, Grã-Bretanha

Fonte de pesquisa
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
Mitologia/ Thomas Bulfinch
Enciclopédia dos Museus/ Mirador