Arquivos da categoria: Pinacoteca

Pinturas de diferentes gêneros e estilos de vários museus do mundo. Descrição sobre o autor e a tela.

Nattier – MADAME DE CAUMARTIN COMO HEBE

Autoria de LuDiasBH

O pintor francês Jean-Marc Nattier (1685 – 1766), filho do pintor Marc Nattier, teve seu pai como primeiro mestre. Presume-se que tenha sido aluno de Jean Jouvenet. Posteriormente veio a trabalhar com o pai, copiando os dois pinturas de antigos mestres. Trabalhou na Academia de Paris como pintor de história. Embora tenha trabalhado com pinturas históricas, sua fama deveu-se à criação de retratos da sociedade francesa da época.

A composição intitulada Madame Caumartin como Hebe é uma obra do pintor que, como dito acima, destacou-se muito no gênero do retrato.  Ao apresentar o modelo retratado como se fora uma figura mitológica, o artista, assim como Étienne-Maurice Falconet fez na escultura, acabou por criar uma espécie de retrato alegórico.

Na composição, a jovem mulher é apresentada como sendo Hebe, deusa grega da eterna juventude, filha dos deuses Hera e Zeus, consagrada aos trabalhos domésticos, sendo, portanto, retratada com uma jarra de vinho e uma tigela. Ela parece estar sentada num sofá de nuvens. Este quadro gozou de grande popularidade no século XVIII, tendo sido pintado em outras versões, para os clientes ricos do artista.

A mulher, com suas bochechas rosadas, encontra-se sentada de frente para o observador, como se o encarasse. Traja um vestido branco decotado que deixa sua pele alva à vista. Uma flor amarela encima o laço, enquanto um cinto de pérolas marca a cintura. Sobre o vestido ela usa um volumoso manto azul-esverdeado. Seu cabelo dourado, em formato de um longo cacho, cai-lhe pelo ombro direito.  Um arranjo de pérolas e flores ornamenta-lhe a cabeça. À sua esquerda repousa uma águia com as asas levantadas.

Ficha técnica
Ano: 1764
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 102,5 x 81,5 cm
Localização: Galeria Nacional de Art, Washington, EUA

Fontes de pesquisa:
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

Weyden – SÃO LUCAS DESENHANDO…

Autoria de LuDiasBH

 

O pintor flamengo Rogier van der Weyden (c. 1400/? – 1464) é outro grande artista nórdico de quem se sabe pouca coisa. Nasceu na cidade de Tournai, região sul de Flandres. Estudou pintura com o mestre Robert Campin, um dos mais renomados mestres da cidade. Seu aprendizado consistia em copiar esculturas e portais de igrejas, conhecimento que muito o favoreceu em sua pintura. Fez parte da corporação de ofício dos pintores de Bruxelas, sendo posteriormente nomeado pintor oficial da cidade, onde ornamentou o Palácio Municipal com quadros alusivos às lendas medievais e à vida do Imperador Trajano. Mas em 1695, durante o cerco à cidade, as telas foram queimadas por soldados franceses. Foi muito influenciado por Jan van Eyck.

A famosa composição religiosa intitulada São Lucas Pintando a Virgem é obra do artista. Presume-se que tenha sido criada como um retábulo. Existem três cópias desta pintura, pelo menos, pois o mestre era tão admirado que artistas menores copiavam-no. A pintura mostra São Lucas (padroeiro dos artistas) retratando a Virgem Maria. Exames de refletografia infravermelha revelaram que este painel (Boston) foi realmente executado pelo artista. Wayden usou como cenário uma luxuosa casa burguesa da época, onde apresenta uma Virgem humanizada, sem os expressivos sinais de divindade.

A Virgem encontra-se à esquerda, sentada sobre um banco de madeira, como se fosse um trono, como prova de sua humildade. Acima de Maria uma peça de brocado vermelho pende das vigas, desce e passa por trás dela. No seu colo encontra-se o seu Menino, nu, sobre um pequeno lençol branco, sendo alimentado. Com a mão esquerda a Virgem segura o filho e com a direita dá-lhe o peito, enquanto o observa com grande amor. O pequeno Jesus fita o teto e traz a mãozinha esquerda em postura de bênção.

São Lucas, ajoelhado diante da Virgem, usa uma vestimenta vermelha. Ainda que não traga sinais que atestem a divindade do trio, existe um grande simbolismo na obra:

  • No braço do banco estão entalhados Adão e Eva nus, cuja simbologia é a queda da humanidade, razão pela qual se deu o nascimento do Salvador.
  • A abertura do pórtico em três partes simboliza a Trindade, assim como a janelinha circular, acima do pórtico.
  • O jardim fechado (hortus conclusus) ao fundo simboliza a pureza da Virgem.
  • Na escrivaninha (situada atrás de São Lucas), abaixo da janela, há um livro aberto, símbolo de São Lucas Evangelista.
  • Um boi, símbolo apocalíptico de São Lucas, aparece debaixo da escrivaninha.

O pórtico aberto, por onde entra a luz, permite visualizar a cidade situada às margens de um largo rio.  Duas figuras (um homem e uma mulher) estão de pé na ponte, voltados para o rio.

Ficha técnica
Ano: c.1435 – 1440
Técnica: óleo e têmpera sobre painel
Dimensões: 137,5 x 111 cm
Localização: Museu de Arte, Boston, EUA

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
https://www.mfa.org/collections/object/saint-luke-drawing-the-virgin-31035
http://utpictura18.univ-montp3.fr/GenerateurNotice.php?numnotice=A6263

Giovanni Bellini – A VIRGEM COM O MENINO…

Autoria de LuDiasBH

O pintor italiano Giovanni Bellini (c.1430 – 1516) nasceu em Veneza numa família de artistas. Era também conhecido pelo apelido de Giambellino. Seu irmão mais velho, Gentile Bellini, era também pintor.  Teve o pai – o respeitado pintor Jacopo Bellini, responsável por levar o Renascimento a Veneza – como primeiro mestre, que se dedicou intensamente a transformar seus dois filhos em importantes pintores. Giovanni tornou-se depois aluno de Andrea Mantegna, seu cunhado, que influenciaria grandemente sua arte. O foco de seu trabalho foi Veneza, onde teve sua própria oficina, sendo nomeado pintor oficial da cidade. Teve como aluno Ticiano, Giorgione, Lorenzo Lotto, entre outros grandes nomes da pintura.

A composição A Virgem com o Menino de Pé Abraçando a Mãe e também conhecida como A Madona e o Menino Jesus é uma obra do artista. Ela se encontra em solo brasileiro, sendo um dos quadros mais importantes do MASP. É também conhecida como “Madona Willys” em razão do nome de seu penúltimo dono (John N. Willys). Foi doada ao MASP por Walther Moreira Salles em 1957. Esta obra já recebeu inúmeras interpretações e dela foram feitas muitas cópias.

A Virgem, ocupando a parte central da tela, é mostrada em meio corpo, em posição frontal, vestida com uma túnica vermelha e, sobre ela, um manto azul com debruns  dourados que lhe cobre todo o corpo. Seus grandes olhos estão voltados para baixo, olhando à sua direita, como se estivesse em profunda reflexão ou observando algo. Um fino véu branco desce-lhe da cabeça em direção ao peito. Em seus braços está seu Menino. Sua mão direita envolve-o debaixo do braço e a esquerda segura seus pezinhos. Mãe e Filho formam uma pirâmide.

O Menino Jesus, nu, encontra-se de pé sobre um parapeito de madeira que separa a cena do observador. Traz o pescoço caído um pouco para trás e envolve o pescoço da mãe com um abraço, como se quisesse voltar seu rosto para ele. Sua barriguinha é protuberante e seus cabelos ralos.  Dois singelos halos circundam a cabeça de mãe e filho.

Uma cortina verde (ou painel) que parece descer do céu, encontra-se atrás da Virgem e do Menino, cobrindo parte de uma delicada paisagem em tons de verde e azul-claro. Um grande céu azul com nuvens brancas, que formam uma linha horizontal, toma grande parte da composição. No parapeito está a inscrição “JOANNES BELLINVS”, nome do artista. Embora muito simples, a obra é delicada e comovente, com ricas vibrações de claro-escuro e pastosa luminosidade, já prenunciando os próximos rumos em direção ao tonalismo de Giorgione.

Ficha técnica
Ano: c.1488
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 75 x 59 cm
Localização: Museu de Arte, São Paulo, Brasil

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

Carpaccio – A VIRGEM LENDO

Autoria de LuDiasBH

O pintor italiano Vittore Carpaccio (c.1465 – 1525/1526) foi um importante nome do Renascimento veneziano. Presume-se que tenha sido aluno de Gentile Bellini, uma vez que trabalhou em sua oficina como assistente. Também foi influenciado por Antonello da Messina. Carpaccio, para compor sua obra, misturava temas reais e lendários com a sua criatividade. Seu trabalho apresenta uma atmosfera cheia de luz e uma inovadora perspectiva.

O painel intitulado A Virgem Lendo é uma obra do artista. Ao que parece, este quadro faz parte de um painel maior, se tomarmos como base a parte da perna do Menino Jesus, antigamente vista na almofada, à esquerda da mulher. Ainda que seja um fragmento da obra original, pode-se admirar o trabalho rigoroso do pintor nas dobras da manga e a separação entre luz e sombra na balaustrada, assim como a combinação entre a serenidade da paisagem e a imobilidade da figura da mulher.

Uma bela figura feminina, imóvel, encontra-se sentada ao lado de um parapeito de mármore, lendo o seu livro de capa vermelha, provavelmente de orações. Ela veste um suntuoso vestido alaranjado e cor-de-rosa. Na cabeça traz um delicado turbante e, sobre ele, um fino véu que desce até seus ombros e costas. Um tênue halo é visto em torno de sua cabeça, o que nos leva a crer que se trata de uma santa, possivelmente Santa Catarina de Alexandria.

Ficha técnica

Ano: c.1500
Técnica: painel
Dimensões: 78 x 51 cm
Localização: Galeria Nacional de Art, Washington, EUA

Fontes de pesquisa:
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

Toulouse-Lautrec – CONDESSA DE…

Autoria de LuDiasBH

Henri-Mari-Raimond de Toulouse-Lautrec (1864-1901) foi o primeiro filho do conde Alphonse de Toulouse-Lautrec e da condessa Adèle Tapié de Celeyran, primos em primeiro grau, família abastada e ilustre, nascido na cidade de Albi, no sudoeste francês. Henri cresceu num ambiente requintado. Desde pequeno gostava de desenhar, trazendo os primeiros indícios do que se tornaria no futuro. Quando tinha nove anos de idade, sua família mudou-se para Paris, onde foi matriculado numa das mais importantes instituições europeias.

Esta primorosa composição, intitulada Condessa de Toulouse-Lautrec, é uma das obras do artista que fazem parte do acervo do MASP desde 1952. O artista retrata sua mãe Adèle Zoë Marie Marquette Tapié de Céleyran, mulher de alta posição social, que nutria grande amor pelo filho torturado pela deformidade em razão de “osteogenesis imperfecta”.

A condessa encontra-se na intimidade de seu jardim, sentada na ponta de um banco de madeira, com ferro na base, pintado de azul. Ela está virada para a direita, como se observasse algo. Traz os cabelos presos em forma de coque. Veste uma comprida blusa branca e uma saia escura. Nas mãos carrega algo não identificável. Atrás dela há uma densa vegetação com flores brancas.

Ficha técnica
Ano: 1880/1882
Técnica: óleo sobre cartão
Dimensões: 46 x 55 cm
Localização: Museu de Arte, São Paulo, Brasil

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

Mantegna – SÃO JERÔNIMO NO DESERTO

Autoria de LuDiasBH

O pintor e gravador Andrea Mantegna (1431 – 1506), filho do carpinteiro Biagio, é tido como um dos artistas mais importantes do Pré-Renascimento no norte da Itália. A sua aprendizagem teve início quando estava com 10 anos de idade, sob a tutela de Francesco Squariciona que o levou a conhecer a arte da antiguidade clássica. Squariciona tinha uma turma enorme de alunos, mas Mantegna era o seu predileto, contudo, inconformado por não receber comissões nas obras das quais participava, seu aluno deixou-o quando tinha 17 anos.

A composição denominada São Jerônimo no Deserto, painel sobre madeira, é obra do artista. Encontra-se em solo brasileiro, sendo um dos quadros mais importantes do MASP, tendo sido incorporado à sua coleção em maio de 1952. O painel é constituído de uma única prancha de choupo. São Jerônimo é normalmente representado na arte como asceta ou como um estudioso dos textos sagrados. Em seu trabalho, Mantegna funde as duas apresentações, ou seja, mostra-o como asceta e também estudioso.

O quadro apresenta São Jerônimo em meditação, sentado diante de sua caverna no deserto, com a cabeça voltada para a direita, mas tendo os olhos em direção ao chão. Detém um rosário na mão direita, debulhando suas contas, enquanto com a esquerda segura um livro encadernado, apoiado verticalmente em sua coxa esquerda. Dois outros livros encadernados estão sobre uma pedra em formato de mesa, onde também descansa um tinteiro com uma pena dentro. Atrás dos livros vê-se um rolo de pergaminho para sua escrita. Na parede direita da gruta são vistos dependurados: um crucifixo, uma lamparina e uma viga com dois martelos descansando nela, possivelmente numa referência à Paixão de Cristo.

A figura alongada do santo veste uma túnica de tênue azul-violeta, trazendo a cintura cingida por uma fina corda. Ele se encontra descalço, com o pé esquerdo transpondo o direito. No mesmo patamar, onde se encontram seus pés, está um de seus tamancos, encontrando-se o outro num plano mais abaixo. Seu chapéu cardinalício de cor vermelha jaz no chão, à sua direita, e o leão deitado, do qual é vista apenas a parte dianteira, encontra-se à esquerda. Ambos fazem parte da simbologia do santo. Um halo sobre sua cabeça indica a sua santidade.

A rocha que toma grande parte da tela apresenta uma abertura ao fundo, sendo possível divisar, além do deserto, uma paisagem aberta, com algumas árvores e uma estrada sinuosa que se perde no horizonte. À direita, para além da árvore com o tronco desfolhado, outras árvores são vistas, assim como um rio, rochedos, montanhas cobertas de neve e plantas. Um céu mais claro embaixo funde-se com um mais escuro, acima.

Na parte abaixo da gruta, por entre as rochas, vê-se água a correr. Ali se encontra um papagaio vermelho, cuja imagem mostra-se espelhada na água. Empoleirada sobre o rochedo, logo acima da entrada da gruta está uma coruja, ave tradicionalmente ligada à magia e à superstição, coisas contra as quais o santo lutava. Duas garças brancas são vistas à esquerda, como dois pequenos pontos. A luz da manhã apresenta uma claridade levemente azulada. Algumas nuvens são vistas no céu.

 Ficha técnica
Ano: c.1449/1450
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 48 x 36 cm
Localização: Museu de Arte, São Paulo, Brasil

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
http://www.unicamp.br/chaa/rhaa/downloads/Revista%2015%20-%20artigo%209.pdf