Arquivos da categoria: Pinacoteca

Pinturas de diferentes gêneros e estilos de vários museus do mundo. Descrição sobre o autor e a tela.

Gerard Ter Borch – MULHER DESCASCANDO MAÇÃ

Autoria de LuDiasBH

O artista holandês Gerard ter Borch (1617 – 1681), também conhecido como Gerard Terburg, foi um reconhecido pintor de gênero. Era filho de Gerard ter Borch, o Velho, também artista, o que contribuiu para que desenvolvesse seu talento ainda muito jovem. Sua irmã Gesina ter Borch também se tornou pintora. É provável que tenha estudado com Willem Cornelisz Duyter ou com Pieter Codde. Foi um artista muito viajado, absorvendo vários tipos de influências. Em Madri recebeu a honraria de “Cavaleiro de Philip IV”, mas acabou retornando ao seu país. As obras encontradas do pintor são poucas – cerca de 80 –  espalhadas por diversos museus, coleções e galerias. As suas pinturas eram muito apreciadas em sua época, sendo ele mais conhecido como um pintor de gênero, especializado, sobretudo, em representações da vida doméstica da classe média na Holanda do século XVII.

A composição intitulada Mulher Descascando Maçã é uma obra típica do período maduro do artista. A colocação da mulher e da criança em primeiro plano, assim como a natureza morta e o que parece ser um mapa sobre a parede, ao fundo, faz lembrar as obras de Vermeer, criadas no mesmo período.

A cena mostra uma mulher sentada numa cadeira, descascando uma maçã, usando roupas da época, tendo à sua direita uma criança que usa um extravagante chapéu para a sua idade e que faz sombra sobre a parte superior de seu rosto. Ela olha para o rosto da mulher, provavelmente aguardando a fruta.

À esquerda da mulher encontra-se um cesto com roupas e o que parece ser um livro de orações fechado. Uma mesa forrada com toalha azul traz sobre si um candelabro e uma fruteira branca com frutas. O artista mostra grande refinamento no uso da cor, da luz e da textura. Existem inúmeras cópias e réplicas desta obra, assinadas e datadas de 1651 ou 1661.

Ficha técnica
Ano: c. 1650
Técnica: óleo sobre tela, montado sobre madeira
Dimensões: 36,2 x 30,5 cm
Localização: Museu de História da Arte, Viena, Áustria

Fonte de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

Jacob Jordaens – A FESTA DO REI DOS FEIJÕES

Autoria de LuDiasBH

Ninguém é mais louco do que um embriagado. (inscrição)

O pintor flamengo Jacob Jordaens (1593 – 1678) foi um renomado artista do Barroco do século XVII. Foi aluno de Adam van Noort que também foi professor de Peter Paul Rubens, com quem chegou a trabalhar por um curto tempo. Fez parte da Guilda de Pintores, como pintor de aquarelas. Seu estilo assemelhava-se ao do italiano Caravaggio, mas foi também influenciado pelas tendências realistas da pintura holandesa. Ao lado de Rubens e Anthony van Dyck, Jordaens foi um dos grandes nomes da Escola de Antuérpia. As personagens de suas obras são figuras fortes, maciças e sensuais, típicas de seu estilo. Além de temas populares e de mitologia, o artista gostava de interpretar as fábulas de Esopo. Uma das características de sua obra é o uso do claro e escuro.

A composição A Festa do Rei dos Feijões é uma cena cotidiana, obra-prima do artista que, ao lado de Rubens e Van Dyck, forma o trio de brilhantes pintores brabantinos do século XVII. Apresenta um grupo animado de pessoas em torno de uma mesa farta numa alegre comemoração. Pela inscrição em latim, vista no alto, conclui-se que a festa peca pelo excesso. O pintor fez várias telas usando esta mesma temática popular que se refere à festa tradicional dos Países Baixos, relativa aos Três Reis Magos.

Algumas pessoas estão sentadas à mesa, enquanto outras, de pé, rodeiam-nas. Uma delas, já bem mais velha, traz uma coroa sobre a cabeça. Trata-se do rei do dia com a sua rainha, sentada de frente para o observador – e sua suposta corte. À época, no banquete de Vésperas de Reis, era hábito servir um bolo assado ou uma torta que continha um único grão de feijão, tradição que vinha da Idade Média. A pessoa, dona da fatia com o ambicionado grão, tornava-se o rei da festa.

O rei sortudo leva uma taça à boca e segura uma jarra na mão. A ele cabia levantar seu copo em intervalos regulares, ocasião em que os demais deveriam beber um gole e gritar: “O rei bebe!”. Copos de vinho são levantados sob “vivas”, conforme mostra a postura dos festeiros. Um homem, à esquerda, segura a cabeça e vomita. Uma criança, próxima a ele, também bebe, sendo observada por um cão. Um gato dorme alheio ao barulho. Tudo leva a uma atmosfera de desenfreada alegria, desencadeada pelo excesso de bebida e comida, como mostram os gestos individualizados dos presentes.

O uso da coloração é extraordinário. A luz no ambiente entra através das janelas à esquerda da tela.

Ficha técnica
Ano:1655
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 242 x 300 cm
Localização: Museu de História da Arte, Viena, Áustria

Fonte de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
https://www.wga.hu/html_m/j/jordaens/1/bean_kin.html

Rubens – CIMONE E IFIGÊNIA

Autoria de LuDiasBH

O pintor barroco Peter Paul Rubens (1577 – 1640) teve os primeiros onze anos de sua vida passados em Colônia, na Renânia, pois sua família teve que fugir da Antuérpia, para escapar da guerra entre católicos e calvinistas. Após a morte do pai, a mãe retornou com os filhos para Antuérpia, onde Rubens, católico devoto, estudou latim e tornou-se pajem na família real. Aos vinte e um anos foi inscrito como pintor na corporação de São Lucas, vindo a  tornar-se mestre. Quando estava prestes a completar trinta anos, Rubens partiu para a Itália, onde ficou a serviço de Vicenzo I Gonzaga, Duque de Mântua, de quem recebeu um missão diplomática na Espanha. Na Itália, ele aproveitou para conhecer várias cidades, ficando mais tempo em Gênova e Roma.

A composição Cimone e Ifigênia é uma obra do pintor barroco. Baseia-se na história contada por Bacagio em seu livro “Decameron”. Cimone era filho de um nobre, contudo relegou a educação e a vida de seus familiares, preferindo viver como um camponês, até conhecer Ifigênia por quem se apaixonou.

Rubens retrata o momento em que o jovem Cimone vê Ifigênia pela primeira vez, num dia ensolarado, dormindo à sombra das árvores, acompanhadas de duas donzelas e de um pajem. Ao vê-la com suas formas opulentas, o então pastor cai de amores por ela.

Como acontecia frequentemente em razão do excesso de encomendas recebidas – o pintor dificilmente pintava um quadro por inteiro – Rubens contava com a participação de outros artistas. Nesta tela os animais e as frutas foram pintados por Frans Snyders, sendo a paisagem acrescentada posteriormente por Jan Wildens.

Nota: esta obra foi recortada em todos os lados, principalmente no esquerdo.

Ficha técnica
Ano: c.1617
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 207,5 x 282 cm
Localização: Museu de História da Arte, Viena, Áustria

Fonte de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

Palma Vecchio – DIANA E CALISTO

 Autoria de LuDiasBH

O pintor italiano Jacopo Palma, o Velho (c. 1480 – 1528), cujo nome de batismo era Jacopo d’Antonio Negreti, foi aluno de Francesco di Simone da S. Croce. É provável que tenha trabalhado na oficina de Giovanni Bellini. Foi influenciado pelo trabalho de Giorgione e pelo de Ticiano. O artista, dono de uma composição equilibrada, situa-se entre os pintores mais famosos venezianos do Alto Renascimento. Dedicou-se principalmente à pintura religiosa e à mitológica, tendo executado maravilhos retábulos.

A composição mitológica intitulada Diana e Calisto – também conhecida como O Banho de Diana – é uma obra do pintor. Ela representa o momento em que a deusa Diana, ao se banhar com suas ninfas virgens, descobre que Calisto, uma delas, estava grávida.

Diana encontra-se deitada no rochedo, em primeiro plano, com os olhos voltados para Calisto de pé à sua frente, enxugando o corpo. São doze as ninfas a acompanhar Diana em seu banho. Algumas delas lembram as poses das estátuas clássicas.

O artista usa de grande coerência espacial na sua composição, distribuindo as belas ninfas no espaço aberto e luminoso em meio a uma paisagem idílica, cheia de água e árvores, onde se veem algumas construções. Fica clara a influência de Giorgione em sua obra.

Ficha técnica
Ano: c.1525
Técnica: óleo sobre tela, depois transferido para madeira
Dimensões: 77,5 x 124 cm
Localização: Museu de História da Arte, Viena, Áustria

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras primas da pintura europeia/ Könemann

Hals – A GAROTA CIGANA

Autoria de LuDiasBH

O pintor holandês Frans Hals (c.1583 – 1666) foi aluno do pintor e escritor Karel van Mander e, posteriormente, tornou-se membro da Guilda de São Lucas, à qual chegou a presidir. Sempre colocando em destaque a figura humana, Hals tornou-se um reconhecido retratista da burguesia holandesa. Contudo, seus retratos eram extremamente realistas, uma vez que era dono de uma rigorosa capacidade de observação e expressão. Seu trabalho foi muito importante para a pintura de seu país ao dar início a um estilo nacional independente.

Em sua composição A Cigana – considerada uma obra-prima do artista – ele une a pintura de gênero com a de retrato. Apresenta uma sorridente e jovem mulher de faces rosadas que se encontra voltada para o observador, embora seu olhar esteja direcionado para seu lado esquerdo, como se olhasse para seus cabelos escuros que caem sobre os ombros. Usa uma blusa branca de mangas compridas com um ousado decote que deixa a descoberto a maior parte de seus seios unidos e fartos. Sobre a blusa usa um corpete vermelho.

Alguns historiadores de arte supõem que a retratada é uma prostituta. Acham que em razão da sensibilidade e capacidade de observação do artista, ele põe a nu a vida das pessoas marginalizadas socialmente, ao retratá-las individualmente. Para eles, a garota cigana aqui retratada, representaria a alegoria do tato, de acordo com as alegorias dos cinco sentidos criadas por ele.

A jovem é iluminada de frente por uma luz clara e direta. As cores presentes são as principais responsáveis por sua forma, bem mais do que a luz e a sombra. A exuberância da luz e das pinceladas coloridas da técnica de Frans Hals transmite a sensação de uma alegria sem constrangimento, trazendo vida à obra. O manuseio da tinta pelo artista tornou-se um meio de expressão em si mesmo. É por isso que muitas de suas obras mostram-se ainda hoje extremamente modernas.

Ficha técnica
Ano: c. 1630

Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 88 x 52 cm
Localização: Museu do Louvre, Paris, França

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
http://www.wga.hu/html/h/hals/frans/03-1630/32nogyps.html

Jan Steen – O MUNDO ÀS AVESSAS

Autoria de LuDiasBH

Nos bons tempos, cuidado! (inscrição)

O pintor holandês Jan Steen (c.1625 – 1679) estudou com Nicolaes Knüpfer, Adriaen van Ostade e Jan van Goyen, tendo se casado com Margaretha van Goyen, filha do último mestre. Fez parte da Guilda de São Luca de Leiden. É tido como um dos importantes pintores holandeses do século XVII. Sua obra é vasta e diversa, na qual se incluem trabalhos narrativos e alegóricos, paisagens – apesar de poucas – e retratos, mas seu gênero predileto eram as pinturas de gênero. É visto como um grande observador e o mais vivaz dentre os grandes pintores holandeses de interiores.

A composição intitulada O Mundo às Avessas, também conhecida como Licenciosidade ou Cuidado com a Luxúria, é uma obra do pintor. Os dois últimos títulos devem-se à inscrição em holandês, vista no pequeno painel, à direita, apoiado no degrau, que exorta a acautelar-se nos bons tempos. O primeiro título, contudo, é mais adequado, pois o pintor não trazia consigo uma atitude moralizadora. O cenário é parecido com o de um palco de teatro.

O artista, com seu bom humor, apresenta um agrupamento compacto, onde se destaca uma série de episódios em torno do eixo central. Nada parece ser aleatório nesta festa sem controle que acontece numa casa simples que foi transformada num caos. Tudo parece de cabeça para baixo no ambiente em volta dos dois amantes embriagados que ocupam o centro da composição. Vejamos alguns acontecimentos:

  • o cão encontra-se sobre a mesa, comendo a torta de carne de um prato quebrado;
  • o bebê segura o colar de pérolas da mãe, enquanto sua tigela cai ao chão;
  • o pato está sentado nos ombros de um dos convidados que lê um livro;
  • o macaco brinca com os pesos do relógio na parede;
  • o porco traz na boca a torneira do barril de vinho;
  • a criança, próxima à mãe que dorme, brinca com um cachimbo;
  • a garotinha mexe no armário, subtraindo uma moeda de uma bolsa;
  • a mãe embriagada dorme em sua cadeira sem se importar com a casa;
  • o dono da casa sucumbe ao charme de uma prostituta que traz uma taça de vinho tinto entre as pernas dele;
  • a mulher de pé, atrás da cadeira, segura o braço do dono da casa e chama a sua atenção;
  • o cesto de vime, cheio de coisas esquisitas (muletas, sino usado pelos leprosos, uma espada…) está dependurado no teto.

O artista holandês faz um retrato de sua época que, em alguns aspectos, é bem parecida com a de hoje, quando muitas vezes falta moderação no comer e no beber e também decoro. A dona da casa – foco da cena – ao adormecer, tornou-se responsável por todo o desenrolar da história. Embora Jan Steen não fosse um moralista, alguns veem na pintura uma alusão a certos provérbios holandeses.

Ficha técnica
Ano: c.1665
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 105 x 145 cm
Localização: Museu de História da Arte, Viena, Áustria

Fonte de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
https://artsandculture.google.com/asset/beware-of-luxury-%E2%80%9Cin-weelde-siet-