Arquivo do Autor: Lu Dias Carvalho

OS ARTISTAS E SUAS CORPORAÇÕES (Aula nº 40)

Autoria de Lu Dias Carvalho

As descobertas feitas pelos artistas da Itália e de Flandres (região atualmente localizada na Bélgica) no início do século XV acabou por revolucionar toda a Europa. O fato de que a produção artística, além de servir aos objetivos cristãos ao narrar passagens bíblicas de uma forma comovente e também ser capaz de levar à reflexão, ao apresentar uma pequena parcela da vida real, deu um novo estímulo aos artistas e mecenas (indivíduos que protegem e apoiam as artes, as ciências e os profissionais que trabalham nessas áreas). Nada como a motivação para mudar o curso da história, rompendo com a estagnação que tantos malefícios traz a um povo nos mais diferentes campos de sua trajetória. E foi exatamente isso que o Renascimento fez.

Os artífices, ao deixar para trás as similaridades de suas obras, começaram nas mais diferentes partes da Europa a pesquisar e a realizar experiências com o objetivo de encontrar novos caminhos artísticos. A arte do século XV, ao fazer uso do elixir do vigor e embrenhar-se no espírito da aventura, marcou seu verdadeiro rompimento com a Idade Média. Todas essas mudanças não teriam acontecido, se também não tivesse existido uma mudança na concepção de vida desses povos, pois a arte é sempre o resultado do que acontece num determinado período da história humana, abrangendo os mais diferentes campos: social, político, religioso e econômico.

Para uma melhor compreensão é bom que nos lembremos que até por volta de 1400 (século XIV) a arte em diferentes partes da Europa evoluía lentamente e de maneira muito igual. Recordemo-nos do chamado Gótico Internacional, quando pintores e escultores góticos da França, Itália, Alemanha e Borgonha limitavam-se a criar obras bem parecidas. O mesmo acontecia no campo do saber e até mesmo no político. Só para se ter uma ideia, os homens cultos da Idade Média falavam e escreviam em latim, pouco lhes importando se transmitiam seus conhecimentos na Universidade de Paris (França), de Pádua (Itália) ou de Oxford (Inglaterra). A nobreza dessa época estava voltada apenas para os ideais da cavalaria — lealdade total ao rei ou ao senhor feudal — sem se ater ao que acontecia com o povo ou com qualquer outra nação.

As cidades, seus burgueses e moradores começaram a prosperar em fins da Idade Média. Os castelos e seus barões estavam perdendo a importância de que gozavam até então. Os mercadores usavam seu próprio idioma, opunham-se aos concorrentes estrangeiros e ganhavam cada vez mais força. As cidades passaram a orgulhar-se de sua posição e privilégios no comércio e na indústria. Começou a brotar entre os citadinos um forte orgulho no tocante à nacionalidade.

Artistas e artesãos passaram a organizar-se em corporações (seriam os sindicatos de hoje), também conhecidas como “guildas”, que zelavam pelos direitos de seus membros, garantindo-lhes um mercado para seus produtos. Contudo, não era qualquer um a fazer parte da chamada corporação de ofício. Essas exigiam que o artista fosse de fato um mestre em seu ofício. Somente, então, tinha o direito de montar sua própria oficina, empregar aprendizes (esses nada recebiam pelo trabalho que ajudavam a realizar) e receber encomendas (retratos, retábulos, estandartes, brasões, etc.). Havia também as guildas que não tinham relevância econômica, mas apenas um caráter religioso, beneficente ou de lazer.

Essas corporações eram de grande importância para a prosperidade das cidades, sendo bem aceitas e com o poder de serem ouvidas. Eram tão consideráveis que corporações como as dos ourives, dos tecelões e armeiros, dentre outras, doavam uma parte de suas verbas à fundação de igrejas, à construção de palácios para as guildas e à criação ou ornamentação de altares e capelas, resultando numa grande valorização da arte. O ponto negativo estava no fato de, ao zelar excessivamente por seus membros, impedir que um artista estranho encontrasse emprego ou fosse aceito entre os do grupo. Para transpor tamanha resistência, o artista precisava ser muito famoso, podendo, assim, viajar livremente de uma cidade para outra, principalmente durante a construção das grandes catedrais.

Exercício:
1. Qual foi a importância das cidades para a arte?
2. O que levou os artistas a romperem com a desmotivação em que se encontravam?
3. Petrus Christus – O OURIVES

Ilustração: O Ourives (1449), obra do artista Petrus Christus

Fonte de pesquisa
A História da Arte / Prof. E. H. Gombrich
Renascimento – Nicholas Mann

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Girolamo Batoni – ENEIAS FUGINDO DE TROIA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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 Pompeo Girolamo Batoni (1708-1787), pintor italiano do período do Rococó, teve grande prestígio em Roma, sendo dono de uma retratística muito apreciada principalmente pelos aristocratas ingleses. Quando iam à Roma, eles encomendavam retratos pomposos, representados em cenários cheios de antiguidades, ruínas e obras de arte, o que era próprio do estilo do adotado pelo pintor. Foi aprendiz de Sebastiano Conca e Francesco Imperiale.

A composição denominada Eneias Fugindo de Troia é uma obra do artista. Mostra Eneias — um valente guerreiro troiano protegido pelos deuses —, fugindo da cidade de Troia que se encontra em chamas. Leva às costas o seu pai Anquises, já bastante idoso, e tem o filho Lulo, ainda criança, agarrado às suas vestes. Atrás deles está sua mulher Creusa, correndo, a acompanhá-los. A cena é mostrada com o grupo já fora da cidade, tendo às costas suas muralhas e no céu os clarões das chamas provocadas pelo incêndio.

Creusa, com as vestes esvoaçando ao vento, mostra-se visivelmente amedrontada, enquanto segue o marido, o filho e o sogro. Seu rosto volta-se para a sua direita, como se observasse algo aterrador. Seu braço direito estendido repassa a impressão de que ela busca se agarrar ao esposo. A distância entre ela e o pequeno grupo já sugere a separação que haverá entre eles, quando Creusa se perderá pelo caminho.

Eneias era filho da deusa Afrodite e Anquises. Ele teria que fugir, conforme conselhos de sua mãe, para levar avante o nome de Troia, ainda que fosse em outras terras, contudo, para sua infelicidade, na fuga sua mulher perde-se dele.

Ficha técnica
Ano: c. 1750
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 76,7 x 97 cm
Localização: Galleria Sabauda, Turim, Itália

Fonte de pesquisa
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
Mitologia/ Thomas Bulfinch

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TESTE – HISTÓRIA DA ARTE (MÓDULO IV)

Autoria de Lu Dias Carvalho

  1. (Aula 31) Está provado que a cultura clássica (greco-romana) jamais desapareceu totalmente da Europa durante a Idade Média, tendo havido diversas tentativas com o objetivo de revivê-la nos séculos que antecederam o estilo……………..

    1. Bizantino
    2. Românico
    3. Gótico
    4. Renascimento

  2. (Aula 31) A primeira tentativa de reviver a cultura clássica (greco-romana) aconteceu no tempo do Imperador…………………., no final do século VIII e início do século IX.

    1. Rômulo Augusto
    2. Carlos Magno
    3. Constantino
    4. Napoleão Bonaparte

  3. (Aula 32) O período conhecido como “Renascimento” (ou Renascença), palavra que significa “nascer de novo” ou “ressurgir”, aconteceu na:

    1. Idade Antiga
    2. Idade Média
    3. Idade Moderna
    4. Idade Contemporânea

  4. (Aula 32) A fase que corresponde ao Renascimento foi marcada por muitos acontecimentos e transformações políticas, econômicas, religiosas, sociais e culturais. Essa época é responsável pelo:

    1. Fim do feudalismo e início do capitalismo.
    2. Desejo de revisitar o ideal artístico bizantino.
    3. Apreço pela arte antiga dos egípcios.
    4. Retorno aos estilos românico e gótico.

  5. (Aula 33) Do século XIII em diante as cidades do norte da Itália encontravam-se constantemente envolvidas em conflitos entre si. O que acontecia no resto da Europa não era diferente, a exemplo da Guerra dos Cem anos entre Inglaterra e França. Apesar de tanta turbulência, a Itália do Norte diferia-se do restante da Europa em três pontos importantes.

    Marque a alternativa incorreta:

    1. As ruínas romanas durante os séculos XIV e XV foram responsáveis pelo estudo da Antiguidade pelos seus artistas.
    2. Era uma das regiões mais ricas da Itália, onde se situavam as cidades de Gênova, Veneza e Milão.
    3. Essa parte da Itália estava dividida em cidade-estados — diferindo do restante da Europa.
    4. Seus habitantes comungavam o orgulho cívico e de identidade — características insignificantes para o surgimento do Renascimento.

  6. (Aula 33) A máxima de………………. de que “quem não é um cidadão não é um homem, uma vez que o homem é por natureza um ser cívico” propagou com força entre as cidades italianas.

    1. Platão
    2. Aristóteles
    3. Sócrates
    4. Pitágoras

  7. (Aula 34) Importantes famílias partilhavam o domínio das terras italianas, uma vez que a Itália do Renascimento era composta por um grupo de cidades-estados independentes e belicosos entre si.

    Marque a alternativa em que a cidade não corresponde ao domínio da família:

    1. Sforza – Milão
    2. Gonzaga – Mântua
    3. Medici – Roma
    4. Montefeltro – Urbino

  8. (Aula 35) O poeta italiano Dante Alighieri (1265-1321), na segunda metade do século XIV, condenou todos os escritores clássicos a padecer no Inferno em sua famosa obra intitulada…………………….., simplesmente por não terem sido batizados no cristianismo, mesmo que esses tenham vivido antes do tempo da cristandade.

    1. Divina Comédia
    2. Os Lusíadas
    3. Odisseia
    4. Eneida

  9. (Aula 35) É na literatura “humanista” (palavra que apareceu pela primeira vez no século XVI) que a união entre as crenças do Renascimento e as cristãs tornam-se mais nítidas.

    Todas as alternativas referentes ao “humanismo” da época estão corretas, exceto:

    1. Dos estudos de quem fazia “humanidades” constavam: gramática e retórica, mas dentro dessa grade estavam inseridas: literatura, poesia, história e a habilidade de comunicar-se com a mais absoluta clareza e persuasão.
    2. Não havia um programa “humanista” propriamente dito, mas o estudo da grade citada teve importância ao romper com o currículo tradicional das universidades que se resumia ao estudo de lógica e de métodos repetitivos.
    3. Outro ponto importante do estudo das “humanidades” foi o de destacar mais os valores seculares do que os transcendentais, dando maior ênfase ao concreto do que ao abstrato.
    4. O humanista buscava compreender a si mesmo e a melhorar como indivíduo. A crença comum na Idade Média era a de que o homem encontrava-se totalmente sob a influência da graça de Deus – antropocentrismo.

  10. (Aula 36) Todos os povos — em quaisquer que sejam os tempos — possuem uma simbologia específica, própria de sua cultura. Em razão disso, só não podemos afirmar que:

    1. Os símbolos não possuem significados inerentes, ou seja, em si mesmos.
    2. Os símbolos precisam fazer parte da identidade social e cultural de um povo, num determinado tempo, pois seu significado jamais se modifica.
    3. O simbolismo teve uma função muito importante numa época em que a grande maioria da população era analfabeta.
    4. Tanto a Idade Média quanto o Renascimento contaram com um simbolismo bastante organizado e alguns de seus símbolos ainda fazem parte da cultura de nossos dias.

  11. (Aula 36) Na arte cristã existia uma variada simbologia correlacionada com o espiritual e o terreno. Os símbolos eram muitas vezes combinados de maneira a formar………………..

    1. um provérbio
    2. uma parábola
    3. uma alegoria
    4. um paradoxo

  12. (Aula 36 A) Os mestres florentinos ligados ao círculo de Brunelleschi representavam a natureza com exatidão científica. O corpo humano era criado de acordo com os conhecimentos de anatomia que detinham e das leis da perspectiva. O criador da obra “Os Esponsais dos Arnolfini” — uma das mais notáveis pinturas de todos os tempos — foi:

    1. Donatello
    2. Masaccio
    3. Gioto de Bondone
    4. Jan van Eyck

  13. (Aula 37) O livro dos cristãos — a Bíblia — foi em tempos idos acessível apenas aos cidadãos bem nascidos. Todas as afirmativas sobre esse livro estão corretas, exceto:

    1. As mulheres e as crianças, ainda que “bem nascidas” — mas vistas como inferiores aos homens — tinham pouco acesso às Escrituras Sagradas.
    2. Até mesmo no Renascimento tal livro era um bem extremamente precioso, cujo conteúdo — disponível apenas em latim — era acessível a pouquíssimas pessoas.
    3. No século XIII apareceram as primeiras traduções da Bíblia do latim para o vernáculo falado na Itália, traduções parciais, copiadas à mão e caríssimas.
    4. O latim, para o qual a Bíblia fora traduzida, era o meio principal de comunicação das cidades italianas pelo governo, pelos grandes negociantes e pela Igreja.

  14. (Aula 38) Durante os séculos XIV e XV os estudiosos italianos tiveram uma visão diferenciada e uma compreensão mais crítica acerca da história da Antiguidade (greco-romana), ao buscar encontrar a diferença entre seu tempo e o dos povos que viverem naquele passado distante.

    Todas as alternativas referentes ao passado clássico estão corretas, menos:

    1. Esse olhar mais analítico sobre a Idade Antiga exerceu uma grande influência na arte do Renascimento.
    2. O fato de olhar com pouca acuidade para o passado não significa que os artistas medievais se importassem com esse tempo.
    3. Foi somente no século XV que os artistas renascentistas conseguiram fazer uma investigação mais criteriosa das técnicas e dos temas da arte greco-romana.
    4. Os renascentistas buscaram tudo o que se referia à Antiguidade, restaurando textos clássicos, estudando monumentos antigos ou o que restara deles, etc.

  15. (Aula 39) A ideia de um “renascimento” estava ligada à concepção da Roma exuberante de outrora. Esse sentimento era ainda mais forte na cidade de………….., berço do poeta Dante Alighieri e do pintor Giotto di Bondone.

    1. Roma
    2. Veneza
    3. Milão
    4. Florença

  16. (Aula 39) Donatello e Brunelleschi fizeram um estudo sistemático daquilo que restara das obras greco-romanas com o objetivo de fazer renascer a arte. Isso não significa, porém, que somente o estudo das artes grega e romana seja o responsável pelo Renascimento (ou Renascença). O grande anseio desses artistas em renovar a arte levou-os a buscar contato com……………

    Marque a alternativa incorreta:

    1. a natureza
    2. a ciência
    3. a cultura clássica
    4. o cristianismo

  17. (Aula 39 A) Além de ter sido o pioneiro da arquitetura do Renascimento, o arquiteto florentino Filippo Brunelleschi foi responsável por uma descoberta da maior importância no campo das artes, conhecida como……….., ampliando ainda mais a ilusão de realidade.

    1. perspectiva
    2. bidimensionalidade
    3. escorço
    4. esboço

  18. (Aula 39 A) Todas as afirmativas abaixo dizem respeito a Brunelleschi, exceto:

    1. Era o líder de um grupo de artistas que assumiu a atitude de cortar os laços com as ideias do passado medieval.
    2. Era detentor de pouco domínio sobre as invenções técnicas do estilo Gótico, o que contribuiu para que ele inovasse na construção de abóbadas.
    3. Buscou, através das formas da arquitetura clássica, desenvolver novas maneiras de harmonia e beleza, sendo muito bem sucedido em seu intento.
    4. A história da arte sofreu grande mudança no século XV, ocasionada pelas descobertas e inovações da geração de Brunelleschi.

  19. (Aula 39 B) Trata-se de uma pintura — obra do genial Masaccio — uma das primeiras criadas de acordo com as regras matemáticas do Renascimento, sendo conhecida como:

    1. A Família Sagrada
    2. Os Dois Doadores
    3. A Santíssima Trindade
    4. São João e a Virgem

  20. (Aula 39 C) Donatello foi amigo e conterrâneo de Brunelleschi, com quem fez um profundo estudo do que restara da arte romana. Suas habilidades eram solicitadas em toda a Itália. São obras do escultor, menos:
    1. São Jorge
    2. Davi
    3. O Festim de Herodes
    4. Suzana e os Velhos

Gabarito

 

 

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O ESCULTOR DONATELLO (Aula nº 39 C)

Autoria de Lu Dias Carvalho

     
    (Clique nas gravuras para ampliá-las.)

Dentre as cidades italianas Florença era a que mais se desdobrava para fazer nascer uma nova era artística. E foi exatamente aí que, nas primeiras décadas do século XV, um grupo de artistas, liderados por Filippo Brunelleschi, assumiu a atitude de cortar os laços com as convenções do passado medieval, já cansados das sutilezas e requintes do Gótico Internacional, buscando criar uma arte mais robusta e severa. Do grupo fazia parte o escultor e mestre florentino Donatello (c.1386-1466) que se tornou muito famoso, sendo chamado a trabalhar em diversas cidades italianas.

Donatello foi amigo e conterrâneo de Brunelleschi e, como ele, fez um profundo estudo do que restara da arte romana. Suas habilidades eram solicitadas em toda a Itália, tendo ele viajado muito — período em que aproveitava para estudar as antiguidades encontradas em Roma. Era disputado por um grande número de mecenas que buscavam por seus serviços, mas só aceitava aquilo que era de seu agrado, pois era um artista muito independente. Também tinha o costume de não terminar as obras que começava, mesmo senda elas subvencionadas por seus clientes mais famosos. Fez uma capela monumental — a de Santo Antônio — para a universidade da cidade de Pádua.

A obra intitulada São Jorge (gravura à esquerda) é um dos primeiros trabalhos do escultor. Foi-lhe encomendada pela guilda dos alfagemes e armeiros que tinha o santo guerreiro como seu padroeiro. A escultura de Donatello mostra-se firme em seu espaço, com os pés separados, fortemente plantados no bloco de mármore. São Jorge veste sua armadura e traz um manto amarrado próximo ao pescoço. Seu rosto mostra-se cheio de vigor e concentração, como se vigiasse algo, pronto para entrar em ação. Traz a mão esquerda descansando sobre o escudo decorado com uma cruz, enquanto a direita toca-o como se estivesse pronta para erguê-lo, se necessário fosse.

A estátua de São Jorge repassa a ilusão de vida e movimento, ao contrário das estátuas vistas até então. Seus contornos são bem definidos e sólidos. O artista substitui o sutil refinamento de seus predecessores para criar uma obra vigorosa, focada numa equilibrada observação da natureza. Tanto a fisionomia quanto as mãos de São Jorge mostram-se bem distantes dos modelos tradicionais, comprovando um estudo muito bem feito das características reais do corpo humano.

O relevo intitulado O Festim de Herodes (gravura central) foi feito em bronze pelo artista, com a finalidade de ornamentar uma pia batismal em Siena. Ilustra uma passagem da vida de São João Batista. A cena acontece num palácio clássico e as figuras ao fundo são baseadas em tipos romanos. Mostra o terrível momento em que a cabeça de João Batista é trazida para a princesa Salomé — recompensa que foi pedida a Herodes pelo fato de ela ter dançado para ele. A composição leva os olhos do observador até o salão do banquete e dali o direciona até a galeria dos músicos e a uma sequência de salas e escadas situadas no fundo da composição.

No relevo da obra O Festim de Herodes o carrasco ajoelha-se diante do rei, apresentando-lhe a bandeja com a cabeça do santo. O monarca recua assustado e levanta as mãos em sinal de horror ante tão tenebrosa visão. As crianças presentes na cena choram e fogem atemorizadas. Ocupando o centro da mesa está a mãe da princesa e instigadora do odioso crime — curvada em direção ao rei —, tentando lhe explicar o abominável ato. O vazio em torno dela representa o recuo dos convidados assustados, sendo que um deles tapa os olhos com a mão direita, enquanto os demais cercam Salomé que parece ter parado de dançar. O escultor dá à sua obra uma concepção totalmente nova ao usar a arte da perspectiva.

A estátua em bronze intitulada Davi (gravura à direita) é outra obra do artista que inicialmente ornamentava o o pátio do Palácio dos Medici, feita a pedido de Cosimo. Embora se trate de uma figura do Antigo Testamento, traz uma grande sensualidade. Na sua base havia uma inscrição informando que era um símbolo da liberdade florentina (uma referência à cidade de Florença — vista como um Davi indefeso — contra o gigante — a poderosa Milão). A relação do artista era tão próxima da família Medici que seu corpo foi colocado perto do de Cosimo de Medici na Igreja de São Lorenzo. Donatello apresenta características novas em sua obra:

  • não há um padrão agradável e bem ordenado;
  • há um efeito visível de completo caos;
  • as figuras são rudes e mostram-se angulares nos movimentos;
  • os gestos das figuras são violentos;
  • não há qualquer tentativa de diminuir o horror apresentado pela cena;
  • a nova arte da perspectiva amplia ainda mais a ilusão de realidade.

Aos mestres florentinos do início do século XV não mais agradava repetir as antigas fórmulas repassadas pelos artistas medievais. Seguindo o exemplo dos gregos e romanos — a quem tanto admiravam — começaram a estudar o corpo humano com grande interesse. Tal atitude e método é o que faz a obra de Donatello parecer tão plausível e especial, perpetuando a sua fama até os dias de hoje.

Exercício:
1. Quem foi Donatello?
2. O que você sabe sobre a estátua de São Jorge?
3. Descreva o “Festim de Herodes”.

Fonte de pesquisa
A História da Arte / Prof. E. H. Gombrich
Renascimento/ Nicholas Mann

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A SANTÍSSIMA TRINDADE DE MASACCIO (Aula nº 39 B)

Autoria de Lu Dias Carvalho

Aprendemos que Brunelleschi (arquiteto e escultor) e Donatello (escultor) — ambos artistas italianos do Renascimento — são tidos como mestres importantíssimos para seu tempo. O pintor italiano renascentista Masaccio gozava dessa mesma importância no campo da pintura. Foi ele o responsável por tornar mais compreensível para seus colegas florentinos muitos dos êxitos matemáticos de Brunelleschi. Esses três artistas são vistos como a síntese do sucesso do Renascimento, ao romper com as fronteiras da convenção e fazer uso de técnicas inovadoras, combinando-as com as tradições antigas (greco-romanas). Estudaremos hoje uma pintura — obra do magistral Masaccio — que foi uma das primeiras criadas de acordo com essas regras matemáticas. Primeiramente é necessário acessar Masaccio – A SANTÍSSIMA TRINDADE e ler o texto com muita atenção, sempre voltando a esse quando se fizer necessário.

Obs.: Os participantes devem ler integralmente o texto indicado pelo link, para aguçar a sua capacidade de interpretação de obras.

  1. Os gregos compreenderam o uso do escorço, os pintores helenísticos eram hábeis em criar a ilusão de profundidade, mas somente……………… foi capaz de criar as leis matemáticas em relação à distância de objetos e pessoas na pintura.

    1. Giotto di Bondone
    2. Fra Angelico
    3. Simone Martini
    4. Fillipo Brunelleschi

  2. O grande mural intitulado A Santíssima Trindade encontra-se localizado na Igreja de Santa Maria Novella, na cidade de ………………, Itália, sendo tido como uma das obras que deram início à pintura renascentista.

    1. Veneza
    2. Roma
    3. Florença
    4. Milão

  3. Foi a primeira vez em que o espaço …………. foi projetado na pintura.

    1. tridimensional
    2. bidimensional
    3. plano
    4. sideral

  4. Ao ver o mural, tamanha era a perfeição do uso da perspectiva linear empregada por Masaccio que as pessoas pensavam que:

    1. A obra poderia despencar sobre a cabeça delas.
    2.  Havia sido aberta uma cavidade na parede e erguida uma capela.
    3. As figuras maciças de grande simplicidade e beleza sairiam a caminhar.
    4. A presença do esqueleto tinha por finalidade assustar os cristãos.

  5. O único gesto presente na pintura é o………………….

    1. de São João enlaçando as mãos.
    2. do doador indicando a esposa.
    3. da Virgem apontando para Jesus.
    4. da mulher indicando o esposo.

  6. O enquadramento em perspectiva das figuras de Masaccio repassa a sensação de que elas……….

    1. estão vivas.
    2. estão se mexendo.
    3. parecem mitológicas.
    4. parecem estátuas.

  7. A abóbada, as colunas e as pilastras lembram a arquitetura……………… tão buscada pelos renascentistas italianos.

    1. clássica
    2. gótica
    3. egípcia
    4. românica

  8. A obra acima apresenta três planos. No superior encontram-se:

    1. Deus Pai, Deus Filho e a Virgem.
    2. Deus Pai, Deus Filho e o Espírito Santo.
    3. São João Evangelista, Deus Filho e a Virgem.
    4. O casal de doadores e São João Evangelista.

  9. Na base da composição encontra-se um sarcófago, onde foi pintado um esqueleto — representando todos os seres humanos — com uma inscrição: “O que és, já fui eu; o que sou, tu virás a ser”.

    Marque a alternativa que mais condiz com a inscrição:

    1. “ Fui ontem o que você é e sou agora o que serás.”
    2. “Se não mudares, teu fim será como o meu.”
    3. “O que és, jamais fui eu; o que sou, tu nunca serás.”
    4. “O que sou hoje, serás amanhã, se buscares o bem”.

  10. Este mural de Masaccio é tido como uma das obras que deram início à pintura………….

    1. gótica
    2. românica
    3. helenística
    4. renascentista

Gabarito
1.d / 2.c / 3.a / 4.b / 5.c / 6.d / 7.a / 8.b / 9.a/ 10.d

Obs.: Conheça a vida do artista acessando o link abaixo:
Mestres da Pintura – MASACCIO

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Rafael – A SAGRADA FAMÍLIA DE CANIGIANI

Autoria de Lu Dias Carvalho

A composição denominada A Sagrada Família de Canigiani é uma obra religiosa do pintor e arquiteto italiano Rafael Sanzio, encomendada por Domienico Canigiani. É tida como uma pintura madura e inteligente do precoce artista. A essa época o pintor, além de contar com a experiência florentina, também tinha completado sua educação em relação à arte de Piero della Francesca e Perugino, sem falar que assimilara a arte de dois grandes nomes da pintura italiana: Leonardo da Vinci e Michelangelo, influências vistas nesta obra. O nome da obra é uma referência à família que a encomendou.

A Sagrada Família — composta pela Madona, pelo Menino Jesus, por Santa Isabel, por São José e o pequeno João Batista — encontra-se sentada no gramado de um ambiente rural, onde, além das edificações familiares ao fundo, veem-se colinas cobertas por relva, formando uma paisagem deslumbrante de tons iridescentes. Um riacho divide a composição ao meio. Todos se encontram descalços, como a indicar a pobreza. O grupo forma uma composição piramidal — esquema muito usado pelo artista — sendo São José o ápice da pirâmide, o que mostra a importância do marido de Maria dentro do grupo, à época. Uma auréola fina e dourada situa-se acima de cada personagem — símbolo de divindade. As roupas coloridas dos personagens acentuam-lhes a consistência.

Em primeiro plano estão a Virgem e sua prima Isabel, sendo que o espaço entre elas é ocupado pelas crianças, cuja nudez simboliza a pureza. As duas mulheres trazem a cabeça inclinada para o centro da tela, próximas ao corpo de São José em segundo plano que, ao inclinar-se sobre o grupo, traz o joelho direito meio dobrado, com o pé do mesmo lado, visível entre os dois meninos, enquanto se escora no seu longo cajado. Os pequeninos Jesus e João Batista interagem entre si. Acima, sob o céu anilado, um grupo de sete anjos — cinco à esquerda e dois à direita — parecem emergir de pequenas nuvens brancas. Eles estão absortos em si mesmos.

Durante a restauração de A Sagrada Família de Canigiani em 1982, o céu que era predominantemente azul — pintura aplicada no século XVIII sobre o trabalho original do artista — foi eliminado. Assim, foi possível conhecer não apenas a obra em sua originalidade, como também apreciar os maravilhosos anjos postados à direita e à esquerda, na parte superior do quadro. Esta restauração foi levada com extremo esmero pelo conservador alemão Hubert von Sonnenburg. Em sua obra, Rafael exala suavidade e interação com o observador.

Ficha técnica
Ano: 1507
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 131 x 107 cm
Localização: Pinacoteca de Munique, Alemanha

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
http://www.wga.hu/html_m/r/raphael/2firenze/2/35canig.html
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

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